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Oscar Schmidt: uma lenda encantada por outras lendas

Oscar Schmidt

(Crédito: André Garda)

Depois de entrar na pomposa casa da NBA na Paulista 1811, que fica na esquina com a Alameda Ministro Rocha Azevedo, Oscar Schmidt é recebido pelos assessores da liga. Após trocar algumas palavras e receber um microfone de lapela, o ‘Mão Santa’ promete uma entrevista para este jovem repórter, mas antes vai fazer o tour pela antiga sede do Bank of Boston.

O ‘Rei do Basquete’, que estava com um conjunto moletom completamente preto da Adidas, começa a subir a escadaria branca e segue pela esquerda, já que a organização havia limitado o fluxo das pessoas. Em seguida, ele passou por um stand de celulares e chegou ao museu feito pela liga.

Oscar Schmidt

(Crédito: André Garda)

Na primeira das três salas, o alvo foi claro: a camisa número 14, do Brooklyn Nets, que ele recebeu, neste ano, em homenagem por ter sido draftado em 1984 pela franquia nova-iorquina (na época New Jersey Nets), mas ter se negado a assinar contrato para continuar defendendo a Seleção Brasileira. Decisão da qual ele não se arrepende, já que foi campeão Pan-Americano três anos depois, em 1987.

Posteriormente, com seu jeito irreverente, o ídolo brasileiro brincou ao falar que os Nets o queriam muito e, por isso, o escolheram na 144ª do draft. Contudo, ele deixou claro que fez de tudo para forçá-los a oferecerem um contrato após os cinco amistosos que disputou e reconheceu que a homenagem feita pela equipe da Barclays Arena foi a melhor de todas, superando, inclusive, o convite da NBA para ele participar do Jogo das Celebridades no All-Star Weekend.

Após posar para algumas fotos, Oscar seguiu para a sala intermediária, onde itens de nomes como Michael Jordan e Larry Bird estavam sendo exibidos. Contudo, não foi isso que mais chamou a atenção do ex-jogador de 59 anos. O potiguar parou para assistir jogadas históricas da NBA, que estavam passando em um telão.

Apoiado no expositor da camisa do Chicago Bulls, da temporada de 1997/98, de Michael Jordan, o ‘Mão Santa’ começa a assistir os vídeos. O olhar dele é fixo. A boca entreaberta basicamente não se mexe. A concentração era tanta quanto em uma partida decisiva em que ele faria a diferença. O público, admirado, não chegava perto. Uma roda em volta ao ídolo brasileiro é formada por quem queria tietá-lo.

Durante os, aproximadamente, 10 minutos em que ele ficou parado, basicamente ninguém se atreveu a mexer ou se dirigir ao ‘Rei do Basquete’. Primeiro o cinegrafista da NBA faz uma pergunta rápida e simples. “Quem é seu ídolo?”. A resposta vem rápida para não estragar o momento: “Larry Bird”. Depois um homem o aborda, mas rapidamente é descartado.

No meio desse tempo, Maria Cristina Victorino, esposa de Oscar Schmidt, brinca: “ele parou para descansar. Ele não parou para ver o vídeo. Ele não quer é andar”. Após os momentos mágicos vividos, já na área externa da casa, vem a explicação:

“Ali tem lances assim, extraordinários. Tem um lance do Kobe Bryant para o Shaquille O’Neal que, se eu tiver que escolher o (melhor) lance, é esse. Do momento que eles ganharam o título. P*** que pariu! Shaquille O’Neal com a cabeça no aro. O negócio assustador”.

Confira o vídeo do lance, feito no jogo 2 da final da temporada 2000/2001:

O ‘Mão Santa’ ainda falou sobre Larry Bird antes de ir para a pequena quadra em que ele seria protagonista de um dos momentos mais engraçados do evento. “Larry Bird é um cara que não corria, não pulava e jogava melhor do que todo mundo. Precisa falar mais? Pô, p*** fenômeno!”.

Assista o lance em que Oscar fez o público cair na gargalhada:

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