NBA Playoffs 2024: o “baixinho” dos Knicks que alcançou marca de LeBron James

Antônio Henrique Pires Collar | 16/05/2024 - 13:05

O New York Knicks está a uma vitória de atingir um feito que não alcança desde o início do século. A última vez que a franquia esteve entre as classificadas para a final da Conferência Leste foi nos Playoffs de 2000, quando parou no Indiana Pacers e não conseguiu avançar à disputa do título da NBA. E a boa fase vivida em 2024 tem nome e sobrenome: Jalen Brunson.

Contratado na agência livre de 2022, Brunson liderou a equipe aos Playoffs por duas temporadas consecutivas, o que não acontecia desde o início da década passada, quando Nova York conseguiu a vaga entre 2011 e 2013. Pelo que tem jogado este ano, o armador revive na memória do torcedor os momentos icônicos dos anos 1990, quando os Knicks passaram da primeira rodada nove vezes consecutivas, e se credencia para virar um dos grandes ídolos na história da franquia que não é campeã desde 1973.

Para confirmar a classificação à decisão do Leste, será preciso passar por um adversário histórico. Além da série de 2000, citada acima, Pacers e Knicks cruzaram seus caminhos também nas finais de conferência de 1994 e 1999, com vitória do time da Big Apple em ambas as ocasiões. Naquelas oportunidades, o título escapou para Houston Rockets e San Antonio Spurs, respectivamente.

Jalen Brunson iguala marca de LeBron James

Com os 44 pontos anotados na última terça-feira (14), quinto jogo do confronto, Jalen Brunson atingiu a marca de cinco partidas com pelo menos 40 pontos nos Playoffs. O último atleta a fazer isso havia sido LeBron James, em 2018, que conseguiu oito vezes. Neste século, Allen Iverson (seis vezes, em 2001) foi o outro a alcançar tal feito.

A lista não aumenta muito se olharmos para toda a história da NBA. Outros jogadores que também tiveram pelo menos cinco noites marcando 40 pontos nos Playoffs foram Jerry West (oito jogos, em 1965), Michael Jordan (sete jogos, em 1989, e seis vezes em 1993 e 1990), Shaquille O’Neal (cinco, em 2000), Hakeem Olajuwon (cinco, em 1995), Bernard King (cinco, em 1985) Kareem Abdul-Jabbar (cinco, em 1977), Rick Barry (cinco, em 1967) e Elgin Baylor (cinco, em 1961). Todos eles estão no Hall da Fama do basquete, e apenas Jordan, Shaq e Olajuwon atuaramdepois da década de 1980.

Até aqui, a média de Brunson na pós-temporada é de 33.9 pontos por jogo, a terceira mais alta deste século entre jogadores que passaram da primeira rodada. O recorde pertence a LeBron James, que terminou com 35.3, em 2010, e 34.0, em 2018. Nos Playoffs atuais, dos jogadores que ainda não foram eliminados, quem mais se aproxima do armador do New York Knicks é Anthony Edwards (30.6). Entre os 10 principais cestinhas, apenas metade avançou do primeiro round.

“Baixinho” virou gigante em meio a lesões dos Knicks

Em dezembro, Becky Hammons, ex-jogadora da WNBA e atual treinadora do Las Vegas Aces, viralizou ao afirmar que Jalen Brunson era “muito pequeno para levar os Knicks ao título”. A teoria de Becky se baseia em uma estatística, já que são poucos os jogadores com menos de 1.90m que lideraram equipes campeãs. Até aqui, Brunson vem mostrando que tamanho não deve ser problema para isso.

All-Star pela primeira vez na carreira este ano, não é novidade que o ex-Dallas Mavericks é a principal referência técnica do time treinado por Tom Thibodeau. Mas nas últimas semanas ele tem mostrado também capacidade de superação. Desde o segundo jogo contra Indiana, Brunson lida com dores no pé direito. Chegou a ser dúvida para a terceira partida da série, mas esteve presente nos dois duelos fora de casa, quando teve sua pior atuação nos Playoffs. De volta a Nova York, respondeu com 44 pontos em 51.4% de aproveitamento nos arremessos.

Além dos próprios problemas, Brunson precisa compensar no ataque ausências importantes, sobretudo para a defesa. Os Knicks não contam mais com Julius Randle, Mitchell Robinson e Bojan Bodganovic. OG Anunoby, com dores no músculo posterior da coxa, ficou de fora dos últimos três compromissos e ainda é dúvida para sexta-feira.

Hoje, a cotação da equipe é a mais curta da NBA. Na vitória de terça, mesmo com o placar em mais de 20 pontos de diferença, apenas dois jogadores do banco atuaram antes do chamado “garbage time”. A média de minutos de Jalen Brunson é de 41.0, terceira maior entre os atletas que ainda estão na competição. À frente dele, estão Luka Doncic (41.8), dos Mavericks, e Josh Hart (43.7), também dos Knicks.

Ex-colegas de Villanova comandam pós-temporada dos Knicks

Brunson e Hart foram colegas também em Villanova, onde ganharam o título nacional universitário juntos em 2016. Outro nome no elenco de Nova York que também jogou pelos Wildcats antes de chegar ao basquete profissional foi Donte DiVincenzo. Além de ter participado da conquista de 2016, ele e Brunson foram campeões também em 2018, quando Hart já estava na NBA.C

Curiosamente, nenhum deles foi draftado pelos Knicks. Jalen Brunson assinou contrato quando era agente livre após quatro anos em Dallas, e Josh Hart foi trocado junto ao Portland Trail Blazers após ter passado também por Los Angeles Lakers e New Orleans Pelicans. Na última offseason, Donte DiVincenzo se juntou aos antigos amigos rodar por Milwaukee Bucks, Sacramento Kings e Golden State Warriors.

Hoje, Brunson lidera os Knicks em pontos e assistências (7.5), enquanto Hart é o principal reboteiro (12.2), e DiVincenzo o destaque em roubos de bola (1.1). Os três também aparecem entre os quatro principais cestinhas do time, junto de OG Anunoby.

 

Escrito por Antônio Henrique Pires Collar
Formado em jornalismo pela PUCRS e em Basketball Analytics pela Sports Management Worldwide. Com passagem de 6 anos e meio pela editoria de Esportes do jornal Zero Hora e do portal GZH, de Porto Alegre.