NBA

“Subestime os Warriors por sua conta e risco” ou “Eu gostei de D’Angelo nos Warriors”

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Antes das finais da NBA de 2016, Joe Lacob, dono do Golden State Warriors, declarou que sua franquia estava anos luz à frente da concorrência. Claro que isso virou chacota depois de seu camisa 23 dar um soco no saco do camisa 23 adversário, o camisa 40 não acertar um arremesso mesmo se tivesse uma bola de tênis para colocar dentro da cesta e o camisa 9 tomar um toco histórico do camisa 23 semi-castrado.

Tudo bem, perderam as finais, mas chegou a free agency da explosão do teto salarial.

E enquanto os Knicks deram um contrato de US$ 72 milhões para Joakim Noah, os Wizards colocaram mais de US$ 60 milhões nas mãos de Ian Mahinmi, o Magic fez o mesmo com Bismack Biyombo e os Cavaliers, campeões, pagaram US$ 57 milhões para J.R. Smith….

Os Warriors estavam à frente e trouxeram Kevin Durant, três vezes maior pontuador da temporada, MVP da NBA, maior arremessador com mais de 2,10 m da história da liga para um time que tinha vencido 73 jogos na temporada regular.

A franquia que fez isso não morreu com a saída de Durant. Até porque eles tiveram tempo para se planejar, já que os boatos duravam mais de seis meses.

O que Steve Kerr deu prioridade em 2015 não é mais uma novidade. Hoje basicamente toda a NBA roda a bola, valoriza o tiro de três, sabe descansar seus jogadores e fazer quintetos small ball tirando os pivôs enormes para colocar jogadores no perímetro.

Mas os Warriors seguem tendo dois dos melhores arremessadores da história da NBA em seu backcourt para fazer isso de forma bem feita. Draymond Green, depois de uma temporada regular de meter medo, voltou a ser o Draymond Green que conhecemos nos playoffs. Ele entra em ano de contrato aliás, então pode esperar a intensidade de um garoto adolescente.

Klay Thompson não deve voltar até 2020, mas estará pronto para os playoffs. E com a chegada de D’Angelo Russell, novas possibilidades se abrem.

De esquecido a contrato máximo

No dia 18 de outubro de 2018, D’Angelo Russell foi titular do Brooklyn Nets contra o Detroit Pistons, no jogo de abertura de temporada. Ele ficou apenas 25 minutos em quadra, o menor número entre os titulares, teve apenas oito pontos e acertou três de nove arremessos.

Aos poucos ele foi se soltando e com isso aumentando seu tempo em quadra e seus números. Ele passou de 28,3 minutos para 33,3 em média – de outubro para fevereiro – e a partir da virada do ano começou a brilhar nos box scores: 40 contra Orlando, 34 contra Boston, 36 contra Cleveland, 40 contra Charlotte,  44 contra Sacramento, 39 contra Portland…

Credenciar isso a só uma coisa é burrice. Sim, ele aumentou de 6,3 para 9,3 as bolas de três por jogo em dados meses. Sim, ele teve 48% de aproveitamento atrás do arco nos cinco jogos de abril. Claro, ele pode ter amadurecido, já que ainda tem apenas 23 anos. Ele pode ter jogado o celular fora e jurado nunca mais fazer um vídeo.

Ele é esse jogador de qualidade que merece os quatro anos e US$ 117 milhões ou o cara que some de partidas, comete muitos turnovers, não impacta defensivamente e não parece se importar muito com o esporte? Eu acho que é o primeiro.

Encaixe não será complicado

Um jogador que sabe arremessar de três nunca terá um encaixe difícil nos Warriors. Curry abre espaços e a bola roda até achar o atleta livre, que muitas vezes pode ser o próprio Russell. Ele ainda tem um bom arsenal no 1×1 para passar sobre o marcador e finalizar na área pintada. Por ser canhoto até lembra um tal de Jam…, ok, vou parar por aqui.

E quando Thompson voltar, ele não precisa ir para o banco. Cansei de ver Shaun Livinsgton jogando com os dois e depois da clara queda do veterano na temporada passada, era preciso um armador que pudesse controlar o jogo quando Curry descansa e ser uma ameaça de pontuação toda vez que estiver em quadra. Livingston, aliás, veio dos Nets também.

Logo depois que o sign and trade saiu, noticiou-se que os Warriors estariam abertos a ofertas por Russell tão logo pudessem negociá-lo. E isso faz todo o sentido: o time vai precisar pagar Draymond Green na próxima offseason e a vitrine para o armador será enorme. Ele vai jogar com Curry, arremessar de forma desmarcada algumas vezes por partida e aos 23 anos está garantido por quatro anos com um salário que não chega a 30 milhões em uma liga onde Terry Rozier receberá US$ 19 milhões por ano.

A escolha de ir atrás de D’Angelo Russell foi bem fora da caixinha pelos Warriors e eu gostei bastante. Ele não é o substituto de Durant (quem é?) mas era um dos free agents mais interessantes pela idade, possível crescimento depois de ser um All-Star e um contrato longe de absurdo.

É uma pena que o time tenha despachado Andre Iguodala na negociação, mas com a volta de Kevon Looney por uma barganha (três anos, US$ 15 milhões), Curry ainda sendo top 10 na NBA (veja seus números na temporada regular passada), Thompson voltando no meio da temporada, Green lutando por novo contrato e a chegada de Russell, esses Warriors podem até cair, mas seguem no topo desse Oeste sensacional e aberto. Dizer que os Warriors já eram ou que nem vão se classificar para os playoffs é algo risível.

 

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