O que foi a ‘formação da morte’ do Golden State Warriors?

Letícia Oziecki | 10/07/2023 - 08:30

A “Formação da Morte” foi uma escalação de jogadores do Golden State Warriors da NBA de 2014 a 2019. Foi desenvolvido pelo técnico Steve Kerr, que levou a um campeonato da NBA. Ao contrário das formações das outras franquias, esse grupo do Warriors era versátil o suficiente para defender oponentes maiores, ao mesmo tempo em que visava criar incompatibilidades no ataque com suas habilidades de chute e criação de jogadas.

A escalação apresentava os Splash Brothers, composta por Stephen Curry e Klay Thompson, além de Draymond Green. Também contou com o defensor versátil e MVP das Finais da NBA de 2015, Andre Iguodala, na ala e originalmente, Harrison Barnes, depois substituído por Kevin Durant.

Não se trata apenas de o “Esquadrão da Morte” ser a melhor equipe da bola laranja da NBA. Tratava-se dos Warriors aproveitando, discutivelmente, do melhor quinteto de todos os tempos.

Escolha no Draft

Tudo começou em 2009, quando o Warriors usou a sétima escolha do Draft para selecionar Stephen Curry. O técnico da equipe naquela época, Don Nelson chegou a declarar o seguinte: “Nós não achávamos que ele estaria à disposição quando chegasse a nossa vez, acabamos ganhando um belo presente.”

Foi uma grande sorte do Golden State Warriors, afinal de contas, o New York Knicks estava pronto para selecioná-lo na oitava escolha. O próprio armador estava animado com a possibilidade. “Jogar todo dia no Madison Square Garden e morar em Nova York teria sido divertido”, chegou a admitir Curry durante a temporada de novato.

Contudo, na temporada 2011/12 os problemas no tornozelo direito o limitaram a apenas 26 atuações. Ainda assim, o Warriors acertou uma extensão de contrato com ele que muita gente considerou arriscada na época, dado esse histórico de lesões: US$ 44 milhões por quatro anos, que iniciaria na temporada 2013/14.

Desse modo, Curry ganhou troféus de MVP enquanto liderou a construção da identidade do time. E esse salário relativamente baixo em comparação a tantos outros armadores da NBA dos dias de hoje, aliado à explosão do teto em 2016, acabou permitindo que a equipe tivesse condições financeiras de contratar Kevin Durant posteriormente.

Chegada de Andre Iguodala

Depois de uma passagem muito boa pelo Denver Nuggets, Iguodala virou agente livre em julho de 2013 e decidiu assinar um contrato de US$ 48 milhões por quatro anos com o Warriors. Logo na primeira temporada com o novo time, foi eleito para o quinteto ideal de defesa da liga.

Na temporada seguinte, passou a ser usado como reserva para que Harrison Barnes fizesse parte do quinteto inicial. Foi uma experiência nova para ele, que foi titular em todas as partidas que disputou na NBA até então. No entanto, deu certo. Os Warriors virararam uma potência em 2015 e o ala rendeu muito bem como sexto homem e levou para casa o prêmio de MVP das Finais daquele ano. Além de tudo isso, virou peça-chave para o “Quinteto da Morte”, formação que mudou a história da primeira decisão contra o Cleveland Cavaliers.

Troca de comando

Mesmo tendo feito boas campanhas durante o tempo em que foi técnico da equipe, Mark Jackson foi demitido e deu lugar a Steve Kerr, que trabalhava como comentarista até então e que estava também na mira do New York Knicks. Steve faz questão de dar crédito ao trabalho do seu antecessor, principalmente pela solidez do sistema defensivo, mas é inegável que muita coisa mudou para melhor no time sob novo comando.

O ataque melhorou e começou a se transformar no pesadelo que é hoje para os oponentes, o ritmo de jogo passou a ser ainda mais acelerado e até a defesa, que já era boa, subiu de nível. Além disso tudo, algumas outras ideias que Kerr levou acabaram tendo efeito positivo. Como a substituição de um pivô por Iguodala no quinteto inicial.

Draymond Green como titular

A oportunidade apareceu com a lesão na perna esquerda que afastou David Lee do começo da temporada 2014/15. Green aproveitou isso como poucos, mostrando-se extremamente versátil em todos os cantos da quadra, defendendo perto e longe da cesta e agindo de múltiplas maneiras também no ataque, seja levando a bola, sendo acionado a partir dos “pick and rolls” para dar sequência às jogadas ou até mesmo chutando de longe.

Kevin Durant no time

O Warriors já tinha um timaço. O título de 2015, as históricas 73 vitórias e o vice de 2016 são alguns sinais disso. E ainda Durant resolveu se mandar para Oakland.

E para reforçar ainda mais essa sensação de aumento de domínio de quem já estava no topo do Oeste, vale lembrar que Durant saiu do time que mais passou perto de colocar um ponto final no reinado do Warriors dentro da conferência. O Oklahoma City Thunder chegou a abrir 3 a 1 e ficou a uma vitória de se classificar para decidir o título de 2016 com o Cleveland Cavaliers.

Em resumo: tudo se alinhou de maneira perfeita. Sorte dos Warriors e de todo mundo que conseguiu apreciar um dos grandes times da NBA em todos os tempos.

Escrito por Letícia Oziecki
Graduada em Jornalismo pela UNINTER e faz parte do QQ desde 2021. Demonstra sua paixão pela NBA e pelo futebol brasileiro, sendo torcedora do Boston Celtics desde a era de Paul Pierce e do Palmeiras desde o berço.