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Escolha junto comigo a franquia mais disfuncional da NBA atualmente

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Uma franquia da NBA, assim como uma família, pode ser completamente disfuncional. Aliás, algumas franquias neste texto vão envolver o sangue de Caim e Abel na brincadeira.

Não vou enrolar. Nesta quinta-feira, o ‘Bleacher Report’ publicou que o Los Angeles Lakers, na figura de sua proprietária e manda-chuva atual, Jeanie Buss, pensou em trocar LeBron James menos de 10 meses depois de ele ter assinado com a franquia.

A razão teria sido os vazamentos constantes na negociação de Anthony Davis envolvendo os californianos e o New Orleans Pelicans. Buss, como todo mundo com dois neurônios, relacionou os vazamentos com Rich Paul, agente de Davis, dono da Klutch Sports e mais importante que tudo, parça de LeBron, seu primeiro agenciado.

Ela tem razão, afinal vazou que todos os jogadores jovens dos Lakers seriam despachados por Davis. E, no momento que a negociação não é concluída, você tem quatro jogadores que têm potencial p**** da vida.

Buss ficou irada, considerou limpar a casa e teria pensado em se livrar de LeBron, segundo a matéria do ‘Bleacher Report’, que ainda foi atrás de GMs para perguntar quanto eles pagariam pelo camisa 23. A resposta é surpreendentemente pouco.

Esses são os Lakers de 2019. E eles vão entrar nesta lista. Venha escolher comigo a franquia mais disfuncional da NBA atualmente.

Use o critério que você quiser, só vote no fim deste texto. Eu vou puxar cinco e apresentar coisas históricas também, já que não dá para aprender com o presente ignorando o passado. Se você discorda de uma das escolhas ou quer alguma inclusão, escreva um comentário, fale com a gente no Instagram (@quintoquartobr) ou email para [email protected]

Vamos aos candidatos.

Los Angeles Lakers

Vamos matá-los logo. Por anos, os Clippers eram a resposta para a pergunta do título e a diferença era maior que a do PSG para o resto dos rivais no Francesão. Mas a morte do patriarca Jerry Buss fez tudo ir para o inferno. Quem assumiu primeiro foi Jim Buss, sempre considerado um playboy e respeitado por absolutamente ninguém.

A lista para colocar aqui é longa, então vou ser rápido. O time deu um contrato desproporcional para Kobe Bryant para ele encerrar a carreira, colocou ele com Dwight Howard em um casamento mais fugaz que o da Anitta, trocou e pagou caro por Steve Nash com 400 anos e sem costas. A franquia escolheu em sétimo, segundo, segundo e segundo e o resultado foi: saiu de graça, trocado como contra-peso de um contrato tenebroso (já falo dele), Brandon Ingram e Lonzo Ball.

A equipe deu mais de US$ 70 milhões para Timofey Mozgov e Luol Deng para ter 52 péssimos jogos do primeiro e 57 jogos horríveis do segundo. Na última offseason não quis pagar por Brook Lopez e Julius Randle – Magic teria ignorado o pedido da comissão técnica –  e trouxe Michael Beasley (já saiu), JaVale McGee, Kentavious Caldwell-Pope (segundo ano no time, US$ 30 milhões total, te dou R$ 0,03 se você disser quem é o agente dele nos comentários) e Lance Stephenson.

D’Angelo Russell saiu do time porque, basicamente, gravou seu colega de time dizendo que meteu o chifre em sua namorada celebridade com seu celular. Magic disse que precisava de um líder e trocou Russell para dar espaço a Lonzo Ball. Russell virou um All-Star em 2019.

PS: Último All-Star dos Lakers que não se chama LeBron ou Kobe: Dwight Howard em 2013. Quando isso aconteceu, 7 a 1 só significava Tevez e Rosinei passeando no meu pobre Santos.

Calma, tem mais. Jim Buss foi destituído e Jeanie assumiu. Deu treta e foi até os tribunais. A matriarca tinha e tem conexões mais fortes com pessoas da mídia, a imagem do time logo foi vista como mais positiva. Ela trouxe Magic Johnson de volta. No pré-Magic, Kevin Durant nem quis se encontrar com os Lakers, o que foi visto como um tapa na cara e a razão para trazer o homem do sorriso de um bilhão de dólares.

Com Magic, Paul George preferiu ficar em OKC. E criou esta temporada dos infernos. O time segue sem ir aos playoffs. E eu quero ver você racionalizar a troca que trouxe Mike Muscala e entregou Ivica Zubac para os Clippers.

Dez meses depois de LeBron chegar, LeBron já poderia ter saído. E para esta offseason, Kawhi não deve vir, Kevin Durant não vai sair de Golden State para dividir holofote com LeBron e Klay Thompson deve ficar onde está. Olá, Jimmy Butler?

Washington Wizards

Os Wizards são pura diversão. Desde que os Bullets ganharam a final contra o Seattle SuperSonics em 1977/78 e perderam a seguinte para o mesmo time, aconteceu o seguinte: 23 temporadas sem playoffs, 11 eliminações na primeira rodada, cinco eliminações nas semis.

O time mudou de nome porque Bullets tinha uma conotação negativa em uma cidade onde a violência com armas estava fora de controle. Calma que até isso vai virar piada.

Os Wizards tiveram Michael Jordan jogando para um dono que três anos antes quis bater na cara dele nas negociações do lockout.

Tudo porque Jordan, ao ouvir que proprietários de franquias não estavam lucrando em suas operações e o contrato precisava ser renegociado, virou para o dono do time dos Wizards (quando ainda era jogador dos Bulls) e disse que, se ele não conseguia lucrar, devia vender a franquia.

Voltando para os Bullets, o time mudou de nome, mas mesmo assim teve um All-Star (Gilbert Arenas) deixando uma arma no vestiário para ameaçar seu colega de time, que também tinha uma arma. Eles quase se mataram por causa de uma dívida em um jogo de cartas.

Chegamos em 2019 (não sei como) e os Wizards têm um dono que ninguém gosta, um general manager que não deveria ter emprego,  já que assinou alguns dos piores contratos da história (Ian Mahimni, US$ 64 milhões) e a principal estrela não irá jogar mais em 2019.

Aliás, John Wall vai começar sua extensão de quatro anos e US$ 169 MILHÕES COM UMA LESÃO DE 12 MESES DE RECUPERAÇÃO NO CALCANHAR. Ele vai receber 46,8 milhões em 2022/23, com 32 anos.

Excelente opção para responder à pergunta do título, não é mesmo?

New Orleans Pelicans

Ah… os Pelicans…. Primeiro devemos dizer que o time da cidade era o New Orleans Jazz, que seria o nome com mais sentido e mais legal da NBA atual. Só que o time mudou para Utah e manteve o nome, mesmo que Salt Lake City seja a cidade dos mórmons.

É como eu me casar com alguém, usar o sobrenome, trai-la, me separar, me tornar uma celebridade e continuar usando esse sobrenome.

Enfim, em 2002/03, a cidade voltou a ter um time, os Hornets, que fugiram de Charlotte e tinham um dono deplorável chamado George Shinn. Um dia ele merecerá algumas palavras escritas sobre ele neste site.

Pois bem, Shinn vendeu a franquia para a própria NBA em 2009 depois que ninguém se interessou em comprá-la. Sim, 10 anos atrás, isso aconteceu. Hoje ela seria vendida por três quadrilhões.

A ideia da NBA era manter a franquia viva – apesar de não ter grandes resultados, não ser um bom mercado, não ter grande apoio da cidade e não possuir uma boa arena – até alguém aparecer.

Mas o único que apareceu foram os Lakers querendo o armador Chris Paul. David Stern, comissário da NBA e representante dos Hornets, em um conflito de interesses que nem uma sitcom pensaria em fazer tão ridículo, negou a troca.

Tudo bem, adiantemos um ano. O time continua sendo horrível, consegue Anthony Davis com a primeira escolha do Draft. Depois, a franquia foi finalmente vendida para Tom Benson, dono do New Orleans Saints. Benson, já com certa idade, tinha uma esposa mais nova, para quem ele estava passando as coisas. Os filhos e netos não ficaram nada felizes e entraram na justiça.

O mais engraçado de tudo: a operação dos Saints domina a dos Pelicans. Mickey Loomis, manda-chuva do time de futebol americano, também é o manda-chuva dos Pelicans e tinha mais força que Dell Demps, GM da franquia de basquete.

Eis que chegamos na bagunça que foi a negociação por Davis, novamente com os Lakers na parada. A viúva Benson não manja nada, Dell Demps não manda nada, Mickey Loomis deve estar pensando em um right tackle, não na por*& da monocelha. Aliás, Demps foi demitido depois dessa vergonha toda.

Os Pelicans nunca chegaram a lugar algum, mesmo com dois dos melhores jogadores da NBA no século XXI em tempos distintos. New Orleans não se importa tanto com o time, a franquia perderá Davis, a dona do time não deve saber nem quem é Magic Johnson e porque ele está ligando para ela e é isso ai.

New York Knicks

Eu acho muito, muito difícil que alguém supere os Knicks. O time está no maior mercado dos Estados Unidos e joga na Meca do Basquete, o Madison Square Garden. E mesmo assim os principais jogadores da liga não querem jogar lá. Talvez isso mude nesta offseason. Eu já escrevi sobre Kevin Durant nos Knicks em outubro. Mas, com certeza, se Durant for, não vai ser por causa do dono.

Lembra o que falei de Jim Buss lá em cima? James Dolan é basicamente o mesmo. Ele herdou um império deixado por seu pai e assumiu os Knicks para si, fazendo cagada atrás de cagada. Só para ficar em uma recente, ele mandou o ídolo da franquia, Charles Oakley, sair rendido do Madison Square Garden.

Os Knicks são péssimos há muito tempo e inclusive por isso tiveram a oportunidade de ter Patrick Ewing saindo de Georgetown em 1984. A franquia convenceu Pat Riley a treinar o time e ele se tornou osso duro de roer.

Só que para enfrentar Michael Jordan e os Bulls, a direção não colocou UM futuro Hall da Fama para jogar com Ewing. UM!!! Ewing sozinho não fez milagre, estourou os joelhos e nunca ganhou seu anel.

Mas o que veio depois foi ainda mais genial. O time constantemente hipotecou o presente para trazer estrelas sem cérebro ou fominhas, pagar contratos absurdos (US$ 100 milhões para Amar’e Stoudemire sem joelhos) e não conseguir fazer uma escolha de Draft dar certo. São 11 treinadores desde 2001 e 7 GMs/Presidentes/manda-chuva desde 1999.

Ai quando Phil Jackson, que tem 11 TÍTULOS DA NBA E MESMO ASSIM NÃO CONSEGUIU IR BEM NOS AMALDIÇOADOS KNICKS, acerta na lata com Kristaps Porzingis, um letão vaiado ao ser escolhido pela franquia, o time não ganha jogos, não traz bons jogadores e troca Porzingis por quase nada.

Kevin Durant e Kyrie Irving irem para os Knicks é premiar essa franquia disfuncional.

Ah, é bom avisar os dois que o time vai ter um impacto de US$ 6,4 milhões por ano na folha salarial até 2021/22 pelo contrato de Joakim Noah, que jogou 53 jogos pelos Knicks e ganhará US$ 72 milhões no total por essa enorme contribuição.

Cleveland Cavaliers

Pode parecer louco eu colocar uma franquia que ganhou o título em 2016 e é a atual bi-vice campeã. Mas, pelo amor de Deus, você sabe que eu estou certo.

Os Cavaliers foram um gigantesco nada de 1970 até 2003, com ainda o arremesso de Michael Jordan passando em loop na memória dos torcedores. Mas, em 2003, Deus sorriu para Cleveland com a primeira escolha do Draft e um garoto que era do estado, que não faria cara triste por ser obrigado a jogar pelos Cavs e ainda tinha tudo para ser monstro.

Só que os Cavs por seis anos não fizeram nada para colocar boas peças em torno do rapaz e ainda fizeram ele ser treinado por Mike Brown.

Ele foi embora em rede nacional, fazendo os torcedores queimarem as suas camisas 23 e o proprietário escrever uma carta soltando os cachorros, dizendo que o time venceria um título antes do “auto-proclamado Rei”.

Pois bem, o auto-proclamado Rei ganhou dois títulos, chegou em quatro finais. Os Cavaliers foram o pior time da NBA sem LeBron e tiveram a sorte de poder escolher um armador chamado Kyrie Irving.

Isso não foi suficiente, o time continuou mal e na sorte da loteria, PODE ESCOLHER DE NOVO EM PRIMEIRO. E ESCOLHEU ANTHONY BENNETT, algo mais inexplicável que nós fazendo textos de 2 mil palavras quando as pessoas mal leem 140 caracteres (parabéns se você chegou até aqui).

O time continuou sem decolar. E DE NOVO TEVE A PRIMEIRA ESCOLHA DO DRAFT. Nessa hora LeBron olhou para o Ohio e disse “uhmmm…”

O dono dos Cavaliers apagou a carta soltando os cachorros e aceitou o Rei quase beijando a mão, mesmo que ele cagasse na franquia assinando apenas contratos de um ano.

A primeira escolha foi mandada para Minnesota, Kevin Love veio, Kyrie acertou a bola do título, LeBron deu o toco, todo mundo ficou feliz.

LeBron forçou o time a assinar contratos com seus parças Tristan Thompson e J.R. Smith…. Kyrie foi embora porque queria seu próprio time, J.R. Smith recusou uma cesta em plena final da NBA, o time foi varrido, LeBron James foi embora DE NOVO e o time está ai. Quem é o treinador? Qual é o plano? Quem é o franchise player?

Calma que daqui a pouco vem a primeira escolha do Draft.

Escolha então qual é a franquia mais disfuncional da NBA atualmente. Eu vou de Washington Wizards, os disfuncionais que quase ninguém fala.

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