NBA

O elenco do Utah Jazz pode segurar a bronca e conquistar o Oeste?

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Quem olhar para o topo do Oeste não verá o Los Angeles Lakers de LeBron James, nem o Los Angeles Clippers de Kawhi Leonard. O Golden State Warriors? Que nada, esse está em oitavo. Aliás, quem ver o melhor time da NBA na temporada regular não terá como resposta o Brooklyn Nets apelão ou o Milwaukee Bucks de Giannis. O time a ser batido hoje é o Utah Jazz.

Desde o dia 8 de janeiro, quando bateu os Bucks e ficou uma vitória acima de 50% de aproveitamento (5-4), a equipe de Salt Lake City venceu 11 seguidas, perdeu para o Denver Nuggets e emendou mais 9 vitórias depois até perder para o Los Angeles Clippers no sábado. Na segunda voltou a vencer (Charlotte Hornets).

Em uma NBA em que as estrelas estão fazendo panelinhas, ter o Jazz em primeiro é um orgulho para os fãs mais raiz. Donovan Mitchell foi a 13ª escolha no Draft de 2017. Rudy Gobert a 27ª em 2013. Mike Conley veio em uma troca, Jordan Clarkson estava disponível para qualquer time que quisesse. Bojan Bogdanovic e Joe Ingles fazem o Jazz parecer os Spurs de uma década atrás.

A comparação mais citada, entretanto, é com o Atlanta Hawks de 2014/15. Aquele time venceu 60 partidas com um belo basquete coletivo e jogadores bons, mas não superestrelas. Paul Millsap, Al Horford, Jeff Teague, DeMarre Carroll e Kyle Korver formavam o quinteto da equipe que chegou nas finais do Leste, mas foi varrido pelo Cleveland Cavaliers de LeBron James (em seu primeiro ano na volta aos Cavs).

Esse paralelo tem um pouco de maldade, já que deixa implícito que o Jazz atual vai ser um golfinho: sobe, faz uma graça e desce. No caso, sofrendo um caldo da equipe estrelada. É possível que o elenco do Jazz segure a bronca? É isso que vamos apontar agora.

O elenco do Utah Jazz é bem melhor que o dos Hawks

Tudo bem que a Conferência Oeste é muito mais difícil que o Leste daquela época, que era paupérrimo. Mas, mesmo assim, considerando a dificuldade dos rivais, esse Jazz pode se sustentar porque tem jogadores muito melhores. Nenhum jogador de perímetro chegava aos pés de Donovan Mitchell, que tem 24,6 pontos de média e mais de 5 assistências por jogo. Millsap era o cestinha daqueles Hawks com 16 pontos de média.

Rudy Gobert é um feijão com arroz ofensivo, mas um dos maiores defensores da história, tanto no sentido literal quanto figurativo. Ele já tem dois troféus de melhor defensor da NBA e pode conseguir seu terceiro nesta temporada.

O time ainda pode aproveitar a mão quente em uma noite qualquer de Bogdanovic – 32 pontos contra Dallas no dia 30 de janeiro, 31 contra Charlotte no dia 5 de fevereiro -, Joe Ingles (absurdos 44,5% de três nesta temporada) e Jordan Clarkson, que tem tudo para ser escolhido o melhor sexto homem da temporada. Até troféu Brian Scalabrine ele ganhou com um jogo de 44 pontos.

E ainda tem Mike Conley, que depois de uma temporada de estreia decepcionante, está jogando seu melhor basquete após o auge no Memphis Grizzlies. Com 16,5 pontos, 5,6 assistências e 41% nas bolas de três, com mais de seis tentativas por jogo, ele está sendo considerado para o All-Star Game, o que seria seu primeiro na carreira. Os reservas serão anunciados na noite desta terça-feira.

Sabe o que esse Jazz parece?

Teve um time que jogou um basquete coletivo de qualidade, bateu a competição que até tinha mais talento, era eficiente, bonito de ver e cheio de estrangeiros.

Se citamos o Atlanta Hawks como comparação e eu digo que esse Jazz é melhor, é justo pegar o San Antonio Spurs de 2013/14, que teve 62 vitórias na temporada regular e dizer que eles até são melhores que Utah, mas é uma lembrança mais justa.

Claro que vendo os nomes Tim Duncan, Manu Ginobili, Tony Parker e Kawhi Leonard, parece que digo uma heresia. Mas o trio já tinha passado de seu auge (Parker estava mais próximo de seus áureos tempos) e Kawhi estava começando a desabrochar, chegando a 100% de seu potencial em 2017 e novamente no seu ano de Toronto.

Aquele time foi sétimo em rating ofensivo e terceiro em rating defensivo, ou seja, equilibrado nos dois lados da bola. O Jazz é quarto e segundo nessas métricas, as melhores estatísticas para saber quanto um time cede e produz, considerando cada 100 posses de bola.

Algo fascinante de notar é que aqueles Spurs estavam se adaptando ao jogo moderno, arremessando bastante de três, algo que Popovich não cansa de falar que odeia. San Antonio arremessou 21,4 bolas de três por partida, ficando no meio da tabela em tentativas, mas em primeiro em porcentagem de acertos (39,7%).

Esse Jazz também acerta acima de 39% (39,2%), mas fica em quarto. Você quer saber quantas bolas de três por jogo o Jazz arremessa? 42. O dobro dos Spurs. O time já bateu três vezes seu recorde de bolas de três certas em um jogo, a última delas ontem: 28.

 

Para concorrer contra LeBron e Anthony Davis, Kawhi e Paul George e Harden-Kyrie-Durant, um time só tem duas alternativas: ou monta uma seleção ou tem que jogar um basquete coletivo perfeito, se entregando mais do que os rivais e sendo mais eficiente que um engenheiro alemão. O Utah Jazz está fazendo isso. Esse é o sucesso que o time pode ter. Se vai ganhar é outro papo completamente diferente.

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