Pouca mídia, muita bola: cinco caras da NBA que jogam mais do que aparecem

Antônio Henrique Pires Collar | 17/03/2024 - 09:30

Campeão da NBA em 2008 pelo Boston Celtics, Brian Scalabrine se aposentou após 11 temporadas na liga com uma média de 3.1 pontos por jogo. Apelidado de “White Mamba”, ele era conhecido pelos fãs como um dos jogadores menos talentosos do esporte no início do século. Foi por conta disso que um aluno do ensino médio achou uma boa ideia desafiá-lo para uma partida de um contra um. O resultado: 11 a 0 para o profissional.

— Eu estou muito mais perto do LeBron James do que você está de mim — disse ele ao garoto depois da vitória.

Brian Scalabrine é sempre um bom exemplo quando falamos do nível de talento presente na NBA. Sempre que você achar que determinado atleta não joga bem, lembre-se que ele está mais perto de LeBron do que você dele. Com cerca de 450 jogadores espalhados por 30 franquias, além dos que estão em contratos não garantidos, não há como todos serem LeBron, Stephen Curry e companhia.

Em uma liga com tanta gente boa, e com mercados de tamanhos tão diferentes, é comum que nem todos recebam a mesma atenção midiática – sobretudo nesta fase do ano, quando muitos já estão praticamente eliminados. Por isso, separamos cinco nomes que têm aparecido pouco, mas que estão produzindo em alto nível.

Cinco jogadores para ficar de olho na NBA

Coby White (Chicago Bulls)

Depois de duas boas temporadas em sua chegada à NBA, Coby White foi titular em apenas 19 jogos nos dois anos seguintes. Quando parecia que a carreira do ex-Norte Carolina caminharia para o lado da decepção, veio a temporada redentora. White começou no quinteto principal 66 vezes em 2-2023-24 e voltou a apresentar o basquete que o fez ser a sétima escolha do Draft de 2019.

Não se deixe enganar pela fase dos Bulls, apenas na nona posição da Conferência Leste, o momento do camisa 0 é o melhor como profissional. Já são sete partidas 30 pontos. Suas médias até aqui são de 19.5 pontos, 5.2 assistências e 4.7% rebotes. Todos os números são os mais altos de sua carreira. Nos arremessos de quadra, ele acerta 45.2%, além de 38.8% nas bolas do perímetro.

Collin Sexton (Utah Jazz)

“The Young Bull” chegou a ser visto como uma futura estrela da NBA em seus primeiros anos no Cleveland Cavaliers. Viveu seu ponto mais alto em 2022, quando teve médias de 24.3 pontos de média em 60 partidas, mas no ano seguinte sofreu uma grave lesão no joelho, atuou em apenas 11 rodadas e perdeu espaço no elenco. Em paralelo a isso, viu Darius Garland crescer e virar aposta da franquia para a posição de armador. O resultado foi uma troca para o Utah Jazz.

Em seu segundo ano em Salt Lake City, Collin Sexton voltou a produzir em bom nível. São 18.2 pontos e 4.7 assistências por noite (48.6% FG e 40.4% 3P%). Desde a entrada em 2024, o agora ala-armador soma 20.8 pontos e 5.8 assistências em 33 compromissos, todos como titular.

Naz Reid (Minnesota Timberwolves)

Em um elenco com Karl-Anthony Towns e Rudy Gobert dentro do garrafão, Naz Reid consegue se destacar sendo a terceira opção da posição. Mesmo tendo sido titular duas vezes, ele faz seus melhores números pontos (12.9) e rebotes (5.0). Naz tem suas dificuldades defensivas, é verdade, mas no ataque tem mostrado um repertório cada vez mais impressionante. Destaque para a bola tripla, com aproveitamento de 41.3% nas tentativas do perímetro.

Nenhum outro pivô da NBA tem mais acertos em bolas triplas do que o reserva dos Timberwolves, que já acertou 133 chutes desta maneira. O segundo colocado neste ranking é Brook Lopez, do Milwaukee Bucks, que matou 118. Reid já teve cinco jogos com ao menos quatro arremessos de 3 pontos convertidos, sendo que em sete deles foi reserva.

Jarrett Allen (Cleveland Cavaliers)

Tudo bem, o pivô dos Cavaliers já foi All-Star em 2022, você pode argumentar. Mas quando foi a última vez que você ouviu o nome do camisa 31 entre os melhores homens de garrafão da liga? Na temporada 2023-24, isso deveria ser algo normal, pois são poucos os que conseguem entregar o mesmo que Jarrett Allen nos dois lados da quadra.

Um dos melhores protetores de aro da NBA, ele foi um dos responsáveis pelo Cavs terem conseguido superar as ausências de Evan Mobley e Darius Garland e fazer uma campanha de 11 vitórias e duas derrotas no mês de janeiro. Além da segurança na defesa, seu arsenal ofensivo, ainda que nada muito chamativo, é bastante eficiente: 16.2 pontos, igualando marca de quando foi chamado para o Jogo das Estrelas. O aproveitamento é de 62.5%.

Deandre Ayton (Portland Trail Blazers)

O ex-pivô de Arizona viverá para sempre com o peso de ter sido a primeira escolha de um Draft que tinha Luka Doncic, Trae Young e Shai Gilgeous-Alexander. Ainda mais que, mesmo em seus melhores dias no Phoenix Suns, nunca chegou perto de confirmar a expectativa que se tinha sobre seu talento. “DominAyton” nunca chegou à NBA.

Ainda assim, fica aqui quase uma menção honrosa ao que ele tem feito nos últimos dias. Em meio a uma primeira temporada bastante instável com a camisa do Portland Trail Blazers, o jogador vive sua melhor sequência em muito tempo. Nas últimas cinco apresentações, Ayton teve média de 27.2 pontos e 15 pontos. A mostra ainda é muito pequena e o nível de exigência em Portland já é próximo do zero, mas vale ficar de olho na possível recuperação do pivozão que desbancou Luka Doncic em 2018.

Escrito por Antônio Henrique Pires Collar
Formado em jornalismo pela PUCRS e em Basketball Analytics pela Sports Management Worldwide. Com passagem de 6 anos e meio pela editoria de Esportes do jornal Zero Hora e do portal GZH, de Porto Alegre.