NHL

Uma revisão do que aconteceu na primeira rodada dos playoffs da Stanley Cup – Parte 2

Olá, querido leitor do Quinto Quarto!

A primeira rodada dos playoffs está oficialmente encerrada. Tampa venceu Detroit no jogo 7 por 2-0 e se classificou para as semifinais de conferência do leste, onde enfrentará o Montreal Canadiens. Com esta série finalizada, todas as outras poderão ser inicializadas, começando com New York Rangers x Washington Capitals e Anaheim Ducks x Calgary Flames já nesta quinta.

Um rápido comentário sobre a série entre Lightning e Red Wings:

– Detroit perdeu por sua inconsistência; Tampa por manter seu estilo a série inteira

Todos sabíamos a proposta dos Bolts antes da série começar: velocidade, aproveitar a pouca mobilidade de Detroit e marcar muitos gols. Os Wings sabiam de suas fraquezas, devidamente ajustadas por Babcock até o jogo 7. Uma pena para o técnico que, justamente no jogo mais importante, a estratégia não deu muito certo. Tampa veio mordendo, atacando sempre com seus defensores apoiando a rush e com uma transição eficiente. Detroit se compactou como pode, anulou boas chances de Tampa, criou outras, mas faltou arriscar. Faltou criação de Zetterberg e Datsyuk. É bem verdade que Tampa também não teve contribuições de Stamkos e Filppula, mas a linha de Johnson jogou bem. O gol de Coburn também evidenciou quem tinha a melhor defesa, não só no jogo 7 (Kronwall estava suspenso, Zidlicky com uma concussão), mas na série inteira. Bishop conquistou o seu primeiro shutout nos playoffs, merecido. Apesar do jogo ter sido lá e cá, achei os Bolts mais consistente. A torcida, surpreendentemente, ajudou, e Tampa terá a chance de se vingar da varrida que sofreram dos Habs temporada passada.

Agora, como prometido, o oeste:

– Wild jogou como um time e desbancou o desastre que é St Louis nos playoffs

No meu texto de prévia, lembro ter dito que o duelo de goleiros poderia decidir a série. Decidiu. Jake Allen não foi bom o suficiente para os Blues, principalmente no jogo 6 e decisivo da série, permitindo dois gols fracos e defensáveis, forçando o técnico Ken Hitchcock a colocar Brian Elliott no jogo. Elliott só jogou esta partida em toda série, e o que os repórteres do time sentiam após os jogadores darem suas entrevistas finais, era de que Elliott pediria para ser trocado e não voltaria. O que é provável de acontecer. Seguir com Jake Allen é correto. O goleiro é jovem e talentoso, jogou suas primeiras partidas de playoffs nesta última semana. Paciência com ele, valerá a pena.

Quanto ao resto da equipe, é inegável que os Blues têm um baita time no papel. Na temporada regular, também. Menos quando mais importa. O que senti nos jogos da série que os Blues perderam, era que a equipe parecia não funcionar como uma só. Faltava química. Poucos bloqueios de tiro, jogadores nem sempre dando hits. Falta aquele “que” a mais para o time dar o próximo passo. Hitchcock também não deve voltar após fracassar novamente com os Blues na pós-temporada. Doug Armstrong, GM da franquia, também será pressionado a fazer trocas para mudar a base do time.

Pelo lado bom, vamos ao Minnesota Wild. Ficou evidente o quão espetacular Devan Dubnyk está sendo nesta temporada, completamente merecedor de sua indicação ao prêmio Vezina. E totalmente oposto aos Blues, os Wild jogaram as quatro linhas com muita eficiência e controlaram a série com uma facilidade surpreendente. Claro, perderam dois jogos, mas isso acontece com todo time. A linha de Parise – Granlund – Pominville tem provado ser completa, somada ao excelente par defensivo de Ryan Suter – Jonas Brodin. É difícil achar alguma fraqueza no lineup de Minnesota. Eles fazem de tudo quando jogando no seu ápice, que é o que Mike Yeo tem conseguido fazer. Contra os Blackhawks, enfrentarão um time com um Corey Crawford abalado. E vocês sabem muito bem o que Minnesota fez quando enfrentou um time com um goleiro sem confiança.

– Chicago tem talento e experiência demais para os ascendentes Predators

Foi uma série bastante diferente da que Nashville imaginava. O retorno meteórico de Patrick Kane, a mudança de goleiros entre Darling e Crawford, a lesão de Shea Weber…não era para ser nesse ano, Predators.

A análise do duelo não é muito difícil de fazer. Chicago tem um time tão bom quanto o que ganhou a Stanley Cup há duas temporadas, senão melhor. Toews, Kane, Sharp, Keith e Seabrook provaram ser capazes de liderar a equipe para mais um título, com um grupo de apoio excelente em Hossa, Saad, Richards, Oduya e Hjalmarsson. É um time capaz de marcar gols e selar a defesa, jogar contra qualquer linha na NHL. É simplesmente muita qualidade!

O ponto fraco dos Hawks foram os goleiros. Para ser justo, O goleiro. Corey Crawford foi corretamente tirado após permitir três gols no primeiro período do jogo 1 e sofrer outros seis no jogo 2. Scott Darling entrou em seu lugar e assumiu a bronca, vencendo três jogos com atuações impressionantes e dignas de ser o titular do gol. Sim, permitiu três gols no jogo 6 e foi trocado por Crawford, mas nenhum deles foi sua culpa. Joel Quenneville já escolheu Crawford como seu titular contra Minnesota, mas pode ter certeza que o técnico não hesitará em jogar Darling se o seu titular vacilar de novo.

Nashville teve que lidar com a infortuna lesão de seu capitão e melhor jogador, Shea Weber. Se seria difícil com Weber, sem…é melhor nem continuar. Colin Wilson anotou cinco gols e foi o nome mais notável de Nashville no confronto, que sofreu em defender os Hawks e suas quatro ótimas linhas. Com defensores como Josi, Franson, Jones e Ellis, a defesa tem que fazer um trabalho melhor. O lado bom é que todos ainda são jovens e voltarão melhores para a temporada que vem, o mesmo vale para Forsberg, Wilson e jovens como Kevin Fiala e Colton Sissons.

– Anaheim dominou e amassou Winnipeg com sua experiência

É repetitivo falar de experiência, mas essa é a palavra que melhor define a série. Muitos, a maioria na verdade, dos jogadores dos Jets estavam estreando na pós-temporada, enquanto outros de Anaheim já venceram uma Stanley Cup, caso dos dois principais jogadores, Ryan Getzlaf e Corey Perry. Há exceções, como Andrew Ladd e Dustin Byfuglien, mas outros jogadores como Scheifele, Trouba, Wheeler e Little, jogadores bastante importantes, não sabiam o que eram playoffs até a série contra os Ducks.

Os quatro jogos foram justos e suficientes. Anaheim foi superior em praticamente toda a série, e Winnipeg sucumbiu quando tinha a liderança. Um ataque sólido e uma defesa consistente lideraram o caminho para Anaheim, que ainda contou com ótimas atuações de Frederik Andersen. Winnipeg foi um dos times mais físicos da temporada, mas foram equiparados por Anaheim no quesito. Os Ducks provaram capazes de se adaptarem muito bem ao estilo duro e rápido de Winnipeg, provando ser um candidato muito forte no oeste.

A incrível torcida de Winnipeg só teve uma breve amostra do que é a pós-temporada, e o jovem time, assim como Nashville, também voltará ainda mais forte no ano que vem. Os Ducks vão para o tudo ou nada, tendo um confronto bastante interessante contra os igualmente jovens e físicos Flames.

– Jogo físico de Calgary dominou a zona neutra e os Canucks

Uma série bastante equilibrada apesar dos seis jogos, Calgary se saiu vencedor por se impor mais no confronto e manter o seu estilo de jogo até o fim. Físicos, jovens e rápidos desde o começo, os Flames foram extremamente eficientes na zona neutra e na transição, pegando a agressiva defensa de Vancouver no ataque e contra atacando muito bem.

Os Canucks tiveram boas atuações de Eddie Lack e Ryan Miller, jogando bem no ataque. O que ficou devendo foi a defesa. Além do par de Edler e Tanev, os outros dois foram bastante abaixo da média e sofreram contra o ataque agressivo dos Flames. Os Sedins não foram acima da média, mas também não produziram pouco. Além da linha de Horvat, nenhum outra produziu pontos o suficiente para virar a série para Vancouver.

Calgary não tinha nada a perder. Inexperientes, jogaram para frente, dando hits em qualquer coisa que se mexia no gelo. Deram a responsabilidade para Vancouver se aproveitaram do papel de coadjuvantes. Contra os Ducks, não é nem um pouco diferente. O plano é manter o estilo de jogo e fazer o possível contra um time que é claro favorito.

Para Vancouver, o plano da offseason é rejuvenescer a defesa e decidir quem começará como titular no gol: Miller ou Lack. Se mantiverem os dois, Jacob Markstrom pode ser trocado. Os Canucks não tem escolhas de 2ª e 3ª rodadas, e planejam recuperar essas escolhas antes do draft.

 

Para a próxima rodada, os palpites:

Anaheim Ducks sobre o Calgary Flames, 6 jogos

Chicago Blackhawks (com Scott Darling) sobre o Minnesota Wild, 7 jogos

New York Rangers sobre o Washington Capitals, 7 jogos

Tampa Bay Lightning sobre o Montreal Canadiens, 7 jogos

 

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