NHL

O novo padrão de salários na NHL

A NHL ainda é uma liga em ascensão. Sem vergonha de dizer que é a quarta força dos esportes norte-americanos, atrás da NFL, NBA e MLB, a liga e o hockey vem progredindo lentamente para, um dia, ser um esporte tão relevante quando os outros três na terra do Tio Sam. No Canadá, já é o mais popular. A renda de ingressos dos sete times canadenses é maior do que as dos americanos, já que os fãs enchem mais as arenas, compram mais produtos e são mais fanáticos. Mas fato é que a liga vem crescendo como um tudo, principalmente no quesito financeiro, afetando diretamente o salário dos jogadores.

O lockout que tomou metade da temporada de 2012-13 teve como imbróglio a divisão da renda total da liga entre dirigentes e jogadores. Uma das medidas também tomadas foi a reestruturação dos contratos dos atletas a partir de 2013. Contratos com duração de mais de oito anos foram proibidos, mas nada impede os clubes de darem a quantidade de dólares que seus jogadores demandam. E esses dólares estão sendo gastos.

Só nesta offseason, os dois maiores contratos da história da NHL, em termos de média salarial por temporada, foram assinados. Jonathan Toews e Patrick Kane renovaram com os Blackhawks por mais oito temporadas, com uma média anual de $10.5 milhões para cada um. Os mais altos até então eram Alex Ovechkin e Evgeny Malkin, ambos por cerca de $9.5M por temporada. Essa diferença de $1 milhão é bastante significativa, e só deve crescer nos próximos anos.

Neste fim de semana, PK Subban renovou com o Montreal Canadiens também por oito anos, ganhando $9 milhões por temporada. O defensor mais bem pago da liga antes da renovação de Subban era Shea Webber, que ganha $7.85M em um contrato de 14 anos, duração que não é mais permitida pela NHL.

Ano passado, Henrik Lundqvist renovou com o New York Rangers por sete anos, $8.5 milhões por temporada. Uma diferença de $1.5M para Pekka Rinne e Tuukka Rask, o último, inclusive, vencedor do Vezina de 2014. A questão não é falar se Lundqvist merece ou não o dinheiro, porque ele merece. O principal fator a ser especulado são os futuros contratos a serem assinados não só por goleiros, mas por forwards e defensemen também.

O grande motivo de tamanha inflação no salário dos jogadores é o teto salarial, que continuará crescendo gradualmente nas próximas temporadas. Mais dinheiro para ser gasto pelos clubes significa que os jogadores poderão exigir mais também, especialmente os melhores da liga. Para a próxima temporada, o teto é de $69 milhões. Para a de 2015-16, pode chegar a $72, $74 milhões. E por ai vai. A liga não parará de crescer e o cap continuará a subir na mesma medida em que o hockey ganha espaço na américa do norte.

Os grandes, e óbvios, beneficiários disto? Os jogadores. Ou melhor, os jogadores que se tornarão free agentes nas próximas temporadas. Em 2016, quando o cap pode chegar a até $80 milhões em uma projeção otimista, Steven Stamkos, Anze Kopitar, Eric Staal e Ryan Kesler serão free agents. Não é absurdo pensar que Stamkos consiga $12 milhões por temporada, Kopitar $10M, Staal $9M e Kesler $8M. Tais números hoje não fazem sentido, mas serão realidade em um futuro próximo.

Mas não são só os jogadores que ganharão. Para quem está montando um time, quem é mais valioso: Drew Doughty por $7 milhões ou PK Subban por $9M? John Tavares por $5.5M ou Eric Staal por, possivelmente, $9M? De repente, os contratos que carregam muito dinheiro e mais de 10 anos de duração não parecem mais o mesmo bicho de sete cabeças quando foram assinados. Mais valor de mercado para os times articularem trocas.

Agora, como encaixar contratos tão valiosos na folha salarial? O teto só aumenta, mas mesmo assim, Toews e Kane ocuparão $21 milhões do cap sozinhos. O valor nas próximas temporadas pode equivaler a mais de 25% da folha do time inteiro.

Assim como em 2010, quando os Blackhawks venceram a Stanley Cup, um desmanche do elenco pode, e deve, acontecer. Na época, Stan Bowman, general manager da equipe, teve que fazer diversas trocas para manter o time dentro do limite salarial, trocando Dustin Byfuglien, Andrew Ladd, Kris Versteeg, Troy Brouwer, Brian Campbell e Tomas Kopecky, peças importantes do time que conquistou a SC com a equipe. Sim, os Hawks voltariam a vencer o título em 2013. Mas na época, Toews e Kane tinham salários de $6.3M. Agora ganhando $10.5, o time será capaz de manter jogadores como Patrick Sharp, Marian Hossa, Brian Bickell, Brent Seabrook e Niklas Hjalmarsson? O futuro próximo nos dirá.

Toews e Kane merecem ganhar o dinheiro que ganharão. Levantaram duas Stanley Cups por Chicago e comandaram uma dinastia, aparecendo nos jogos decisivos de playoffs. Eles poderiam receber um pouco menos para dar mais flexibilidade ao time? Poderiam. Mas se tem um período em suas carreiras em que eles ganharão o dinheiro que merecem, é agora.

PK Subban é um caso diferente. Vencedor do Norris em 2013, o canadense é um defensor com características ofensivas. Uma pergunta que faço: último minuto de um jogo sete de Stanley Cup, seu time tem a liderança e você tem que escolher um defensor para jogar. Você escolhe Chara, Weber ou Subban?

O preço por Subban é alto, mas teremos que nos acostumar com o valor. A partir de agora, um defensor top ganhará mais que $9M. Se Weber fosse free agent hoje, pode apostar que ele pediria $10 milhões. Em 2015, Marc Staal e Mike Green serão free agents. Em 2016, é a vez de Brent Seabrook, Dan Hamhuis e Keith Yandle. Cada um deve ganhar contratos de $6M, $7M por temporada.

Henrik Lundqvist, o último caso a ser analisado, é um animal diferente dos outros. Mesmo sem ganhar o Vezina constantemente, Lundqvist é o melhor goleiro da NHL. $8.5M por um goleiro é bastante grana, mas pelo melhor, não. Assim como os forwards e defensemen, os salários dos goalies inflacionará, mas não há nenhum peixe grande que será free agent nos próximos anos. Carey Price será só em 2018, mas até lá é impossível prever em quantos dólares o cap estará estipulado.

Todos esses jogadores milionários são franchise players, que o general manager constrói o time ao redor. Será mais difícil de controlar a situação com tantos milhões concentrados em poucas peças, mas é assim que times vencem a Stanley Cup: controlando a folha salarial com maestria. Veremos se os Blackhawks, Canadiens e Rangers conseguem vencer campeonatos com esses investimentos em suas respectivas peças.

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