NHL

Los Angeles Kings e New York Rangers vão começar a batalha pela Stanley Cup

Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

Há oito meses, uma nova temporada se iniciava na National Hockey League. Adotando um novo formato de conferências e divisões, o ano seria interessante pela experimentação feita, com um calendário enxuto pela participação dos melhores atletas nas Olímpiadas de Inverno de Sochi, em fevereiro. Tudo isso já ficou para trás. Só o que restam são, no máximo, sete jogos para decidir, enfim, quem será o mais novo campeão da Stanley Cup.

 

Los Angeles Kings e New York Rangers venceram suas respectivas conferências com louvor e méritos. Ambos merecem estar disputando as finais. Ambos começaram a temporada jogando mal, mas conseguiram se reerguer nos momentos decisivos. Ambos fizeram aquisições pontuais na trade deadline, que foram fundamentais para o sucesso que vêm tendo na pós temporada.

 

Comecemos por Los Angeles. Afinal, era evidente ao final da temporada regular que, para chegar às finais, o caminho mais difícil seria pelo oeste. Seis dos oito times que foram para os playoffs tiveram 100 pontos ou mais. A divisão do Pacífico foi considerada por muitos a mais difícil. E LA teve que bater os melhores, principalmente de sua divisão, para chegar onde estão.

 

Liderados por Anze Kopitar, candidato ao Selke Trophy, que premia o melhor forward defensivo, os Kings contaram com uma produção de quatro linhas bastante físicas, mas que ao mesmo tempo misturava experiência com prospects talentosos, como Tyler Toffoli e Tanner Pearson. A adição de Marian Gaborik na trade deadline ajudou a compensar a área que LA mais carecia: produção ofensiva. A defesa, com Drew Doughty e Jonathan Quick, faria o trabalho, mas o ataque por vezes deixava a desejar. Gaborik veio para o time imediatamente ocupando a left wing de Kopitar, e a química foi imediata.

 

Os Kings adoram quebrar recordes. Na primeira rodada, contra o San Jose Sharks, eles se tornaram o quarto time da história dos esportes norte americanos a virar uma série em que perdiam por 3-0.  Na segunda e terceira rodadas, passaram pelos excelentes times do Anaheim Ducks e Chicago Blackhawks, na reedição da final de conferência da temporada passada. LA se tornou também o primeiro time da história da NHL a vencer três séries em jogos sete, todos eles fora de casa. Quick foi inconstante, mas fechou o negócio quando precisava. Kopitar, Gaborik e Carter foram decisivos, somando 66 pontos nos playoffs em 21 jogos. Drew Doughty, uma verdadeira estrela, sendo o melhor jogador dos Kings, com uma boa margem. Afinal, é muito difícil parar Joe Thornton e Patrick Marleau, Ryan Getzlaf e Corey Perry, e Jonathan Toews e Patrick Kane em uma campanha de playoffs só.

 

Não que New York teve um caminho fácil. Pelo contrário. Os Rangers começaram a temporada de forma lastimável, perdendo seis dos primeiro oito jogos da temporada. A contratação de Alain Vigneault chegou a ser contestada, apenas para que os críticos engolissem as próprias palavras no final da temporada. O time não teve nenhum jogador com mais de 60 pontos, mas as peças se encaixaram bem o suficiente para que o time trabalhasse bem a frente de Henrik Lundqvist, verdadeira estrela da equipe.  Os Rangers terminaram a temporada com 96, números bons o suficiente para garantir a segunda colocação na divisão Metropolitana.

 

Os Rangers quase imitaram os Kings. Venceram a primeira série em sete jogos, contra o talentoso, mas confuso time do Philadelphia Flyers.  Na segunda rodada, os ainda mais talentosos Pittsburgh Penguins foram derrotados também em sete partidas. Sidney Crosby terminou os playoffs com apenas nove pontos em 13 jogos, com um mísero gol marcado. Méritos para New York por anular o melhor jogador do mundo. Na terceira rodada, o que seria um fantástico duelo de goleiros entre Henrik Lundqvist e Carey Price se tornou uma mera dominância dos Rangers, ao verem Price se machucar ainda na primeira partida da série. Vencendo a série em seis jogos, New York desbancou quem esteve em seu caminho. Se eles eram os melhores times ou não, isso não importa. Eles venceram o leste jogando um excelente hockey.

 

Se a primeira impressão ao vermos que os Kings jogaram 21 jogos até então é de que LA chega exausto para as finais, os Rangers jogaram apenas uma partida a menos. O fator cansaço estará presente, principalmente pela distância entre as duas cidades. O voo direto dura cerca de seis horas, atravessando os Estados Unidos de leste a oeste.

 

Os Kings são favoritos. Eles são melhores no ataque, com cinco jogadores com mais de 13 pontos nos playoffs. Os Rangers não tem nenhum que produziu mais de 13. A disputa entre os centers também é bastante desigual: um lado tem Kopitar, Carter, Richards e Stoll, outro Stepan, Richards, Brassard e Moore. Sim, o grupo de NY é bom. O de LA é excelente. Fora que o estilo dos Kings, físico, imponente, dificultará bastante as coisas para os Rangers. Por outro lado, New York passou por Boston, time igualmente físico e imponente.

 

Entre os defensores, os Kings também tem um grupo mais sólido. Drew Doughty vem tendo um ano de Norris e playoffs de Conn Smythe. Ryan McDonagh, no mais alto nível, também competiria pelo Norris, mas só recuperou sua excelente forma nas finais de conferência contra Montreal. Se os Rangers conseguiram lidar com PK Subban e Kris Letang, eles lidarão com um monstro totalmente em Drew Doughty.

 

A briga entre goleiros será interessante. Sem sombra de dúvidas que Henrik Lundqvist é o melhor da liga, está em outro nível. Jonathan Quick era o melhor da liga a duas temporadas atrás, estava em outro nível, mas vem tendo uma campanha de playoffs bastante inconstante. Este é o único quesito que os Rangers levam vantagem. Lundqvist será excelente, isto é um fato. E Quick? Não tenho tanta certeza. Que ele pode ser, pode.

 

O nível de hockey disputado nesta temporada foi acima do esperado. Apesar de termos apenas Crosby com mais 100 pontos na temporada regular, a produção ofensiva não decepcionou, e a defensiva superou expectativas. Essa deve ser a toada da final. Dois times defensivos, mas com um talento ofensivo que pode despertar a qualquer momento. A aposta é em Los Angeles, mas seria um feito e tanto se os Rangers vencessem uma Stanley Cup 20 anos depois de sua última conquista.

Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Popular

To Top