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Em Sochi, hóquei canadense é mais uma vez favorito para a medalha de ouro

Por Lucas Hanashiro

Crédito: Petr David Josek, AP

Crédito: Petr David Josek, AP

As Olimpíadas de Inverno é um evento muito aguardado pelos fãs de hóquei no gelo. Não só pelos fãs, mas também pelos jogadores. É muito difícil termos em uma competição os melhores jogadores de hóquei no mundo reunidos, muito difícil. Durante as Olimpíadas, no entanto, temos uma rara demonstração de seleções nacionais disputando um torneio com força máxima, sem objeção das ligas mais importantes de hóquei no mundo.

Em 2014, a NHL cessará suas atividades por duas semanas completas para que os principais atletas da liga possam viajar e jogar em Sochi, na Rússia. Não haverá jogos, os general managers não poderão fazer trocas e os torcedores ficarão em casa assistindo e torcendo pelos seus países, ao invés de seus amados times.

Antes de tudo, informações sobre o torneio. Serão três grupos com quatro seleções em cada, o grupo A contendo a Rússia, Estados Unidos, Eslováquia e Eslovênia. O grupo B tem Canadá, Finlândia, Noruega e Áustria. O C tem Suécia, República Tcheca, Suíça e Lituânia. Da fase de grupos, os três melhores de cada grupo e o melhor segundo colocado automaticamente se classificam para as quartas de final, enquanto todos os outros oito time disputarão uma espécie de repescagem para continuarem no torneio. Ou seja, as três excelentes seleções do grupo A não necessariamente se eliminarão logo de começo.

A superfície do gelo, diferentemente de Vancouver em 2010, é maior e com padrões internacionais. O tamanho do rinque jogado na Rússia, Suécia e Finlândia é relativamente maior do que o da NHL, o que claramente impactará no estilo de hóquei apresentado pelos jogadores. Com mais espaço, os mais velozes e habilidosos terão a vantagem sobre os grandes e fortes. As circunstâncias claramente interferiram na escolha dos 25 jogadores que compõem cada uma das 12 seleções.

Liderado pelo capitão Sidney Crosby, o Canadá é o grande favorito para defender o ouro conquistado em casa há quatro anos. O time tem os melhores centers do torneio em Crosby, Toews, Getzlaf e Tavares além de estrelas como Nash, Perry e St Louis. Steven Stamkos, cortado de última hora, fará uma grande falta por ser o melhor sniper do país. Na defesa, Shea Weber servirá como um alternate captain, e liderará o time da blue line junto com Duncan Keith e Drew Doughty. No gol, o grande ponto de interrogação do time. Quem começará como titular? Roberto Luongo, que jogou a final em 2010? Carey Price, o goleiro do futuro para o time canadense? O técnico, Mike Babcock, já garantiu que começará um na primeira partida, contra a Noruega, e outro contra a Áustria. Quem for melhor, seguirá jogando pelo resto do torneio. Talvez esse time não seja tão forte quanto o de 2010, mas é igualmente capaz de conquistar a medalha de ouro.

Crédito: Donald Miralle

Crédito: Donald Miralle

Detentores da medalha de prata em Vancouver, os Estados Unidos chegam em Sochi subestimados. O ataque é sólido, com jogadores que estavam no time de 2010, como Zach Parise, Patrick Kane e Ryan Kesler. O que realmente fará falta no time é um center nº 1. Dos cinco centers canadenses, qualquer um deles estaria na primeira linha americana. Na defesa, não há grandes estrelas com a exceção de Ryan Suter. Nomes como Justin Faulk, John Carlson e Kevin Shattenkirk podem não chamar muito a atenção, o que não tira o a excelente habilidade defensiva que cada um deles possui. Jonathan Quick e Ryan Miller brigarão pela posição no gol americano, e a disputa promete ser boa. Não vejo nenhum dos dois como o titular claro. Dan Bylsma terá uma decisão difícil a fazer e provavelmente jogará quem estiver mais quente no momento.

Agora, os donos da casa. Diante de tantas controvérsias envolvendo a organização do torneio e falta de segurança, o que a Rússia menos quer é repetir a campanha pífia nas olimpíadas passadas, quando foi eliminado pelos canadenses por 7-3 nas quartas de final. A pressão será enorme no time liderado pelo capitão Pavel Datsyuk, junto do artilheiro da NHL, Alex Ovechkin e do duas vezes MVP da liga, Evgeny Malkin. Além dos três, Ilya Kovalchuk terá um papel importante no time. Ele que deixou a NHL no último verão e foi jogar na KHL, liga russa de hóquei, e é considerado quase que um rei russo pela decisão ousada que tomou. O problema do ataque russo é que nas 3ª e 4ª linhas a qualidade dos jogadores cai bruscamente. Entre os defensores, a maioria dos minutos do time será consumida por Andrei Markov, Slava Voynov e a dupla dos Blue Jackets, Nikita Nikitin e Fedor Tyutin. O grupo é sólido, porém longe de ser estupendo. O vencedor do último troféu Vezina, Sergei Bobrovsky, terá que brigar bastante pela posição de titular no gol com Semyon Varlamov, que vem fazendo uma excelente temporada com o Colorado Avalanche. A princípio, quem sai jogando é Bobrovsky. A Rússia vai ter usar o fator casa ao seu favor se quiser ser um dos quatro melhores times do torneio, já que a competição é dura desde a fase de grupos para eles.

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Assim como os americanos, quanto menos atenção na Suécia, melhor. Os suecos chegam como ampla favorita para vencer o grupo C, com um dos times mais completos do torneio. Com quatro linhas muito boas no ataque, um fator que ajudará, e muito, o time, é a química entre os jogadores. Uma das prováveis linhas será formada por Nyquist – Zetterberg – Alfredsson, todos jogadores dos Red Wings. Henrik Sedin e Johan Franzen foram cortados por lesões, sendo baixas importantes, mas não cruciais. Além disso, a Suécia tem, discutivelmente, a melhor defesa do torneio. Erik Karlsson, vencedor do troféu Norris da temporada retrasada, ainda é um dos melhores da liga. Todos os defensores sabem jogar muito bem na sua própria zona, assim como ajudam bastante o ataque. No gol, Henrik Lundqvist é o dono indiscutível da posição. O agora goleiro mais bem pago da NHL começou a temporada devagar, mas no mês de janeiro recuperou a forma que o deu o troféu Vezina em 2012. Jonas Gustavsson, fazendo uma baita temporada em Detroit, será o reserva.

Vencedores da medalha de bronze em 2010, a Finlândia não impressiona tanto quanto antes. Contando com veteranos como Teemu Selanne, o time também dependerá bastante de seus jovens talentos, como Mikael Granlund e Aleksander Barkov para produzirem pontos. O ponto negativo da equipe está evidenciado na defesa. Sami Salo, Kimmo Timonen, Olli Maatta e Sami Vatanen jogam na NHL, porém os dois primeiros são veteranos com mobilidade limitada e os dois últimos são rookies inexperientes. Os outros quatro defensores jogam na Europa, o que não transmite muito confiança. Ao contrário da defesa, o grupo de goleiros finlandeses é o melhor das Olimpíadas. Tuukka Rask, Antti Niemi e Kari Lehtonen são três excelentes goleiros em ótima forma, isso porque o também excelente Pekka Rinne não está no grupo por lesão. Qualquer um dos três que começar no gol fará um bom trabalho para os finlandeses, que ainda terá problemas na zona defensiva pelo baixo nível dos defensores.

Eslováquia, República Tcheca e Suíça entram como underdogs, um nível abaixo das seleções descritas acima. Os eslovacos, quarto colocados em Vancouver, terão mais uma vez a liderança de Zdeno Chara e terá problemas no seu grupo, enfrentando logo de cara EUA e Rússia, o que pode acarretar em uma posição complicada na repescagem. Os tchecos e suíços brigarão pela segunda posição do grupo C, o que provavelmente será decidido no confronto direto. A República Tcheca tem um número surpreendente de jogadores da NHL, porém sem muitas estrelas para se esbanjarem. A Suíça tenta continuar a surpreender no cenário internacional após conquistarem a medalha de prata no Ice Hockey World Championships, quando perderam para os suecos.

O hóquei nas Olimpíadas vai além de ser uma mera competição. Para os jogadores, é uma oportunidade única de defender o seu país enfrentando outras seleções com força máxima, com o título verídico de melhores do mundo na linha. Para os torcedores que tem no hóquei o seu esporte favorito, a chance de ver sua seleção disputando com unhas e dentes uma medalha de ouro que seria motivo de orgulho para uma nação. Difícil comparar, mas a competição no nível olímpico chega a ser até maior do que na NHL. A pressão, também. A NHL para nesta sexta feira, e Sochi 2014 começa já na terça. São duas semanas que só aparecem de quatro em quatro anos, então se prepare, fanático por hóquei!

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