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Draft e free agency remodelam a NHL – Parte 2

Crédito: Divulgação

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Detroit Red Wings

Apesar de Detroit ser considerada a “Hockey Town”, com muita tradição e Stanley Cups em sua história, a offseason parece dizer o contrário sobre a agora falida cidade norte americana. Com problemas econômicos e de segurança, os Red Wings tiveram problemas para assinar free agents quando o mercado se abriu. Estavam no páreo pelos defensores Matt Niskanen, Christian Ehrhoff, Brooks Orpik, Anton Stralman…mas não conseguiram convencer nenhum deles a assinar um contrato. A única contratação foi Kevin Porter, junto com a renovação de Kyle Quincey, que era o plano B caso nenhum dos defensores free agents aceitassem defender os Red Wings. No draft, selecionaram Dylan Larkin com a 15ª escolha geral, jovem habilidoso e com bom potencial, mas que está a alguns anos de jogar na NHL. O bom para Detroit é que, no ataque, eles estão garantidos por muitos anos. Ainda tem que assinar Tomas Tatar e Danny DeKeyser, ambos RFA.

Draft: Mediano

Offseason: Péssimo

► Confira a primeira parte da análise, na Power Play da semana passada

Edmonton Oilers

Com mais uma temporada decepcionante na bagagem, os Oilers entraram na offseason com bastante espaço no salary cap para melhorarem seu roster e com a 3ª escolha geral do draft. Com a escolha, selecionaram o alemão Leon Draisaitl, ótimo center que tem tamanho e a capacidade de fazer os jogadores ao seu redor melhores. Pode ocupar o espaço na 2ª linha deixado por Sam Gagner em uma troca que resultou na vinda de Teddy Purcell para Edmonton. Além de Draisaitl, nenhuma outra escolha salta aos olhos. No dia 1º, assinaram Benoit Pouliot e Mark Fayne para contratos bastante caros e longos para jogadores de seus calibres. Jeff Petry renovou por um ano, Luke Gazdik por dois. Os Oilers tinham o dinheiro para gastar nos jogadores certos e se tornarem concorrentes na próxima temporada, mas escolheram os jogadores errados na hora de distribuírem os dólares. Ainda tem que assinar Justin Schultz, defensor importantíssimo para o sistema dos Oils, e Philip Larsen, ambos RFA.

Draft: Bom

Offseason: Ruim

Florida Panthers

Os Panthers são uma franquia senão engraçada, no mínimo curiosa. Capaz de ser o centro das atenções tanto no draft quanto no dia 1º, a equipe, comandada por Dale Tallon, parece não se decidir quanto a uma renovação por completo ou brigar por uma vaga nos playoffs. Detentores da 1ª escolha geral do draft, estavam dispostos a trocar a escolha até o último segundo antes de subirem no palco de Philadelphia, quando selecionaram o defensor Aaron Ekblad. Ekblad jogará na NHL na próxima temporada, é um monstro para um garoto de apenas 18 anos, e será um futuro candidato ao troféu Norris. Com a segunda escolha da 2ª rodada, selecionaram o center Jayce Hawryluk, que tem excelentes mãos e muito talento ofensivo. Na offseason, como descrito carinhosamente como o “Catadão dos Panthers” nesta mesma coluna há duas semanas, assinaram os todos medianos Dave Bolland, Jussi Jokinen, Willie Mitchell, Shawn Thornton, Derek MacKenzie e Al Montoya para contratos bastante caros, apenas para adicionar corpos ao roster e atingir o mínimo da folha salarial. Recentemente renovaram com Erik Gudbranson, 3ª escolha geral do draft de 2010, que ainda não chegou nem perto de provar ser digno de uma escolha tão alta assim. Ainda tem que assinar Brandon Pirri, Jimmy Hayes e Dmitry Kulikov.

Draft: Ótimo

Offseason: Ruim

Los Angeles Kings

Os atuais campeões da Stanley Cup fizeram a lição de casa na offseason, mantendo o time que venceu o título recentemente e draftando muitíssimo bem, apesar das escolhas tardias que são consequência da campanha vitoriosa nos playoffs. Marian Gaborik, adquirido na trade deadline da última temporada, renovou com o time por um excelente preço: $4.875M por temporada. O problema é o termo de sete anos, já que o eslovaco tem 32 anos e terá 39 quando seu contrato terminar. Porém, teria ganhado muito mais dinheiro de outros times na free agency. Os Kings assinaram Adam Cracknell e David Van Der Gulik como depth. No draft, selecionaram o ótimo sueco Adrian Kempe na 29ª posição geral, que será um bom center que joga em ambas as zonas no futuro. Em uma troca envolvendo os Canucks, LA mandou Linden Vey, center que não tinha o espaço necessário nos Kings para desenvolver seu jogo, pela 50ª escolha geral, que usaram para selecionar o defensor Roland McKeown, cotado para ir na 1ª rodada, com potencial para ser um defensor capaz de anular os melhores jogadores ofensivos do adversário. Na 6ª e 7ª rodadas, selecionaram Matt Mistele e Spencer Watson, dois prospects que caíram muito no draft, mas que, por serem escolhas tão tardias, tem capacidade de um dia surpreender pelo bom potencial que têm. Ainda tem que assinar Dwight King, que é um RFA.

Draft: Ótimo

Offseason: Bom

Minnesota Wild

Se aproximando cada vez mais das finais de conferência e, consequentemente, das Stanley Cup Finals, os Wild continuam mostrando aos outros times da liga como atrair ótimos free agents para sua cidade. Depois de Zach Parise e Ryan Sutter, foi a vez de Thomas Vanek assinar com o time por 3 anos, $6.5M por temporada. Excelente negócio, termo e dinheiro para um jogador capaz de marcar 30 gols, 70 pontos em uma temporada, e que poderia ter ido para outro lugar por mais grana. Eles perderam Matt Moulson e Clayton Stoner, mas os substituíram com Vanek e Stu Bickel. No draft, com apenas duas escolhas nas três primeiras rodadas, os Wild não tiveram um desempenho tão bom quanto na free agency. Com a 18ª escolha geral, selecionaram o gigante Alex Tuch, que tem potencial para ser um bom power forward. Mas nesta posição eles já têm Charlie Coyle, deixando de cuidar de um setor que precisa de atenção, o de goleiros, para adicionar um jogador que só fará corpo em um elenco já cheio. Mas pensando nesta próxima temporada, Minny só tem a melhorar com um top 6 no ataque bastante forte e definido. Ainda tem que assinar Nino Niederreiter, Justin Fontaine e Darcy Kuemper, todos RFA.

Draft: Ruim

Offseason: Ótimo

Montreal Canadiens

O assunto mais importante dos Habs nesta pós temporada ainda não foi resolvido: renovar o contrato do vencedor do Norris de 2013, PK Subban. Um restricted free agente, Subban aceitou um contrato de dois anos a dois anos atrás para provar, nestas duas temporadas, que é merecedor de um contrato longo, valendo mais de $7 milhões por temporada. E chegou a hora de Montreal pagar o canadense. O esperado é que Subban receba um contrato parecido com o de Kris Letang, dos Penguins, com 8 anos, média de $7.25M por temporada. Com o cap subindo, Subban pode exigir até mais de $7.25M, chegando a $8M. A aposta é em um meio termo de $7.75M por temporada. Eis o motivo dos Habs não ter renovado com Vanek, ou ido atrás de um free agent como Stastny. Eles precisam do dinheiro para renovar com Subban. Conservadores, renovaram Mike Weaver, que foi excelente para eles na última temporada, e contrataram Tom Gilbert para o lugar de Josh Gorges, trocado para Buffalo por uma escolha de 2ª rodada. No draft, não fizeram barulho e selecionaram dentro de suas limitações. Na 26ª posição geral, escolheram o bom left winger Nikita Scherbak, que é um projeto e levará alguns bons três anos para jogar na NHL. Além de PK, ainda tem que assinar Lars Eller, que é um RFA.

Draft: Mediano

Offseason: Mediano

Nashville Predators

Com Shea Weber, Roman Josi, Seth Jones e Pekka Rinne na defesa, os Predators estão definidos no setor por muitas temporadas. O claro problema do time é o ataque. E o setor foi reforçado no dia do draft, principalmente. Mandando Patric Hornqvist e Nick Spaling para Pittsburgh, Nashville conseguiu a sua estrela no ataque em James Neal. A troca foi boa para ambos os times, mas pensando no que Neal pode produzir para os Preds, isto é, mais de 30 gols em uma temporada, a cidade do country se saiu melhor na troca. Mas mesmo com Neal, o setor ofensivo dos Preds não assusta. Mike Fisher rompeu o seu tendão de aquiles e deve perder os dois primeiros meses da temporada. Mesmo com Olli Jokinen, que dá corpo para a posição de centers, ainda faltam nomes de peso. A esperança fica nos jovens Filip Forsberg e Calle Jarnkrok. Mas a ajuda está a caminho. Com a 11ª seleção geral, Nashville selecionou o talentoso Kevin Fiala, suíço que tem boas chances de já jogar na NHL na próxima temporada, e capaz de se tornar um top 6 winger no futuro. Na 2ª e 3ª rodadas, selecionaram os wingers Vladislav Kamenev e Justin Kirkland e o defensor Jack Dougherty, boas escolhas pelas suas respectivas posições. Ainda tem que assinar Ryan Ellis, que é um RFA.

Draft: Bom

Offseason: Bom

New Jersey Devils

Ainda se recuperando da perda de Ilya Kovalchuk para a KHL, os Devils tentam recuperar a forma de 2012 que os levou às finais da Stanley Cup. Mas diferentemente daquela época, hoje eles não tem nenhuma estrela no elenco, após a partida do então capitão Zach Parise para Minnesota. Para tentar compensar a falta de gols, os Devils assinaram Mike Cammarelli e Martin Havlat nesta pós temporada. Cammarelli ganhou um contrato de cinco anos que o paga $5M por temporada, enquanto Havlat se comprometeu por apenas um ano, $1.5M. Ambos ajudarão bastante a equipe, mas não devem ser vistos como os salvadores da pátria. O movimento mais importante, no entanto, foi a renovação de Cory Schneider. O goleiro será um Devil pelos próximos sete anos, isso claro, barrando uma eventual troca. O futuro hall da fama Martin Brodeur deixou New Jersey após passar sua carreira inteira com a franquia em busca de um time que possa, pela última vez, dar ao goleiro uma chance de vencer outra Stanley Cup. Schneider merece, finalmente, ter o cargo de titular na liga, após passar temporadas sendo o reserva de Luongo e dividindo o gol com Brodeur na passada. O dinheiro é de $6M por temporada, preço justíssimo e padrão para um starter na NHL. No draft, por conta de uma penalidade recebida pelo contrato de Ilya Kovalchuk assinado em 2010, os Devils tinham de abrir mão de sua escolha de primeira rodada em 2011, 2012, 2013 ou 2014. Eles utilizaram suas respectivas escolhas em todos os anos anteriores, e abriram mão da deste ano, podendo selecionar na última posição geral da primeira rodada, com a qual escolheram o center John Quenneville. A partir da segunda rodada, New Jersey teve as escolhas nas posições que deveria, sem chamar muita atenção.

Draft: Ruim

Offseason: Mediano

New York Islanders

Na troca que trouxe Thomas Vanek para New York, os Islanders cederam uma escolha de 1ª rodada, ou de 2014 ou de 2015. Confiante de que teriam um time competitivo após fazerem uma aparição nos playoffs de 2013, os Isles tiveram uma temporada abaixo do esperado, terminando com a quinta pior campanha da NHL, e consequentemente, com a 5ª escolha geral do draft. Ao invés de mandarem esta escolha para Buffalo, New York a usou e enviou sua de 1ª rodada do ano que vem para os Sabres. Ou seja, se os Islanders tiverem a pior campanha da liga e a primeira seleção geral de um draft que tem Connor McDavid, ela pertencerá para Buffalo. Os Islanders estão fazendo de tudo para terem uma boa temporada, e foram agressivos no mercado. Reuniram os russos Nikolai Kulemin e Mikhail Grabovski, que tiveram ótimos números em Toronto jogando na mesma linha, ambos por quatro anos. Kulemin ganhará pouco mais de $4M por temporada, Grabovski $5M. Outras contratações notáveis foram a de Chad Johnson, Cory Conacher e Jack Skille. Nenhuma estrela, mas jogadores que compõem bem o elenco. No draft, com a 5ª escolha geral, selecionaram o winger Michael Dal Colle, que pode ser um companheiro para John Tavares ou Ryan Strome no futuro. Ainda na primeira rodada, com a 28ª escolha geral, selecionaram Joshua Ho-Sang, um dos jogadores mais habilidosos do draft, mas que tem sérios problemas de disciplina, o que diminuiu muito o interesse de outros times. Uma escolha bastante arriscada quando outros sólidos prospects estavam disponíveis. Notável que na terceira e quarta rodadas, os Isles selecionaram dois goleiros, posição que eles não têm bons prospects. Fato é que, se New York não for bem na próxima temporada, eles serão, oficialmente, a maior piada da NHL.

Draft: Bom

Offseason: Bom

New York Rangers

Após uma campanha fantástica nos playoffs, quando eliminaram os Flyers, Penguins e Habs até as finais da Stanley Cup, o objetivo dos Rangers na pós temporada era manter o grupo que foi tão bem na pós temporada. E eles quase conseguiram. Rescindiram o contrato de Brad Richards e perderam Brian Boyle, Benoit Pouliot e Anton Stralman para a free agency, contratando os veteranos Dan Boyle e Tanner Glass para substituirem Stralman e Boyle. Não o Dan. O Brian. Pouliot foi para os Oilers por um dinheiro exagerado, o que tornou a renovação do jogador inviável; Richards não poderia ser reassinado pelo buy out, e sua vaga será ocupada por Derick Brassard. O ataque precisa de ajuda, a defesa e a situação no gol estão muito bem resolvidas. No draft, a primeira seleção dos Rangers foi feita apenas na 59ª posição geral, já que sua escolha de primeira rodada foi trocada para Tamba Bay na transição que mandou Martin St Louis para a Big Apple. Com diversas escolhas nas últimas rodadas, o draft para os Rangers foi um a ser ignorado na história do time. A aposta fica em jovens como Danny Kristo e Oscar Lindberg, prospects que já estão com os Rangers há alguns anos.

Draft: Ruim

Offseason: Mediano

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