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Troy Polamalu: Califórnia, Pittsburgh e Canton

(Crédito: Instagram/reprodução)

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Terminei a temporada esperando a notícia vir. Passaram os playoffs, que o Pittsburgh Steelers só viu pontinha, Combine, a reunião anual e nada. Pensava que a Maria Bethania da NFL tinha decidido que tinha mais um tempinho de futebol americano para jogar. No fim, a razão para a demora era porque Troy Polamalu tinha decidido pensar bem para não favrear. E os Steelers mostraram mais uma vez que são uma franquia diferente ao permitir todo esse tempo.

Antes de começar a falar de Polamalu quero destacar uma coisa. É curioso e bastante legal como a franquia da Pensilvânia está um pouco na contramão da NFL e principalmente dos ensinamentos do treinador modelo, Bill Belichick. Na mão do atual campeão, veterano intocável só existe Tom Brady. Logan Mankins, Vince Wilfork, Richard Seymour e muitos outros podem falar que em New England, quando a idade chega, é melhor você estar produzindo como sempre e com um salário ok, se não a troca é iminente. Não está errado – como se pode ver com a profusão de anéis, presenças em Super Bowl e finais da AFC – mas é um modo mais seco de ver a tal da vida.

Os Steelers não. Em 2014, vários anos removidos de seus auges, vimos Brett Keisel (36 anos) na linha defensiva e Ike Taylor (34 anos), junto com Troy Polamalu (33 anos) na secundária.  E todos eles de contrato com a tinta ainda fresca. Como se não bastasse, no meio da temporada, com lesões na posição de linebacker, trouxeram a última peça: James Harrison, já aposentado e com 36 primaveras nas costas. É prudente fazer isso? Não. Taylor foi mais queimado durante a temporada que os tanques em Santos. Mas é legal? Demais. Eu adoraria que um dos passes para TD de Tom Brady no Super Bowl fosse para Randy Moss, recém-saído da fila do INSS, ao invés de Danny Amendola.

Harrison, Taylor, Polamalu e Keisel estavam em Tampa Bay no 1º de fevereiro de 2009, quando os Steelers conquistaram seu sexto e último Super Bowl. A equipe honrava a tradição de Pittsburgh de ter defesas sólidas e tinha jogadores destacáveis em todas as áreas, ao ponto de você poder discutir hoje se depois dos Bears de 85, essa defesa foi a melhor. De 2007 a 2010 a unidade foi a 1ª, 1ª, 5ª e 2ª que cedeu menos jardas na liga.

E Polamalu era o showman. Para quem conhece futebol americano mais de passagem, citar safeties não é algo que requer muito tempo. Mas eu aposto que o natural da Califórnia, com traços e herança samoana e que jogou na USC para depois cruzar o país para jogar na equipe que o selecionou em 16º em 2003, será lembrado.

Quando Steve Nash se aposentou, há algumas semanas, disse que ele era um dos jogadores mais divertidos de se assistir. Polamalu era Nash em um campo de 100 jardas, mais as end zones, e pouco mais de 50 jardas de largura. Como Dick LeBeau disse, o camisa 43 era o atleta ideal para todo coordenador defensivo.

Você via ele na posição comum de safety, enterrado no fim da defesa e protegendo o time contra a big play. Mas ele parava corridas. E o melhor, ele ia até a linha de scrimmage e pulava como um louco por cima de duas linhas com homens de 120/130 quilos para pegar de surpresa um quarterback ou um pobre running back.

Dar um show em todos os esportes que envolvem defesa e ataque é geralmente um privilégio maior do segundo. Vemos baseball esperando o home run, futebol para ver gol, basquete para ver cesta e enterrada e futebol americano para ver touchdowns. Raramente jogadas de defesa e os responsáveis por elas são motivo para venda de ingresso e visualizações infinitas no Youtube, ou pelo menos não em tanta quantidade como um passe brilhante para TD ou uma recepção odelianabeckhianajuniana. Polamalu não.

E o mais engraçado era a combinação desse show com sua personalidade. Em uma liga com baladeiros, condenados judicialmente e declarações polêmicas, você raramente ouviria ou veria o camisa 43 na TV sem uniforme de jogo. A menos que ele junto com sua igreja tivessem feito mais alguma ação para melhorar o mundo. Na última offseason, sentindo que o fim já estava próximo, ele convidou Shamarko Thomas, seu provável substituto em 2015, para uma sessão de treinamentos na Califórnia. Segundo Thomas, a lição mais importante foi colocar a família e Deus à frente do futebol. É mais fácil ensinar isso que mostrar como ser Troy Polamalu. Mas não deixa de ser uma bela mensagem, muito pelo contrário.

Agora que a carreira acabou, legado e estilo de jogo sozinhos poderiam levar Polamalu para o Hall da Fama em Canton. 12,5 sacks, 35 interceptações -inclusive a de baixo, para derrotar os rivais Ravens na final da AFC -, oito Pro Bowls, eleito o melhor jogador defensivo de 2010, inúmeros sinais da cruz depois de todas as jogadas, dois anéis de Super Bowl, nenhuma acusação seguida de cadeia por promover luta de cachorros e o respeito até de quem foi carrasco também serão argumentos antes da nomeação inevitável.

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