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Em noite emocionante, Tony Gonzalez e mais sete entram no Hall da Fama do Futebol Americano

Tony Gonzalez, lendário tight end da NFL, durante discurso de entrada no Hall da Fama

(Crédito: Twitter/reprodução)

A noite do último sábado (3) foi marcada pela emoção, com mais oito membros entrando no Hall da Fama do Futebol Americano Profissional (PFHOF) e sendo imortalizados na história do esporte mais popular dos Estados Unidos.

O tight end Tony Gonzalez, do Kansas City Chiefs; o cornerback Ty Law, do New England Patriots; o safety Ed Reed, do Baltimore Ravens; o cornerback Champ Bailey, do Denver Broncos; o center Kevin Mawae, do New York Jets; o proprietário Pat Bowlen, dos Broncos; o executivo Gil Brandt, do Dallas Cowboys; e o safety Johnny Robinson, dos Chiefs, formaram a importante Classe de 2019 do PFHOF.

Em resumo, o Tom Benson Stadium recebeu uma combinação de 55 seleções ao Pro Bowls, um dos proprietários de franquias mais bem-sucedidos e um dos executivos de elenco mais importantes da história da NFL.

E, para resumir um pouco do que foi a noite de celebração, o Quinto Quarto traz um resumo das lendas e de seus discursos, sempre marcados pela emoção e agradecimentos a todos que fizeram parte de trajetórias impactantes na bola oval.

– Tony Gonzalez

Tight end que jogou na liga por 17 temporadas, divididas entre Kansas City Chiefs e Atlanta Falcons, Gonzalez é considerado um dos melhores (se não o melhor) de sua posição e foi selecionado a 14 Pro Bowls. Ele fez 1.325 recepções na carreira, segunda maior marca para um TE na história, e liderou a liga em recepções (102) em 2004.

Gonzalez iniciou seu discurso brincando com a duração da cerimônia, já que ele subiu ao palco pouco mais de quatro horas depois do começo da celebração.

“Eu vejo que a multidão diminuiu um pouco. Eu só vou ficar aqui por uns 52 minutos”, disse, esbanjando seu bom humor.

O ex-TE então falou da importância de sua passagem pela Universidade da Califórnia, incluindo seu tempo como jogador de basquete, e confessou que estava “com medo” do contato quando começou a jogar futebol americano juvenil. Gonzalez também contou como um desentendimento com um valentão da escola e sua recusa de lutar o moldaram. E então ele decidiu: “eu nunca mais vou ter medo de novo”.

“Não se trata dos touchdowns, não se trata das recepções, não se trata da glória. A maior parte do aprendizado que você terá vem nos momentos ruins”, falou o lendário tight end, lendo suas anotações, escrito em papel com as palavras “PENSE GRANDE” impressas na parte de cima.

Gonzalez brincou que sua avó de 101 anos, que estava na plateia, deu a ele o melhor conselho: “quando você agarrar a bola, corra pra caramba”.

Por fim, o tight end também leu uma carta que escreveu aos seus filhos e deixou para eles na manhã do sábado, que incluía um trecho dizendo que a “comparação é o ladrão da alegria”, enquanto eles vivem suas próprias vidas e se preparam para suas próprias trajetórias.

“Veja a melhor versão de si mesmo”, frisou.

– Ty Law

Cornerback que passou por New England Patriots, New York Jets, Kansas City Chiefs e Denver Broncos, Law venceu três vezes o Super Bowl e teve algumas de suas melhores atuações em jogos de playoffs. Na pós-temporada, em 13 jogos no mata-mata, Law somou seis interceptações, incluindo três na caminhada dos Patriots na temporada 2003 até o título. Law finalizou sua carreira com 53 interceptações, incluindo 10 em 2005, melhor marca da liga naquele ano.

Foram 16 temporadas na NFL, com cinco seleções ao Pro Bowl e uma vaga no All-Decade Team dos anos 2000.

Byron Washington, amigo de longa data que apresentou Law na noite do sábado, afirmou “ele não era arrogante, ele era confiante”.

Selecionado pelos Pats na primeira rodada do draft de 1995, Law afirmou: “eles me deram uma chance e eu ia dar a eles tudo o que eu tinha. E assim eu fiz”.

Então, o ex-cornerback agradeceu ao técnico Bill Belichick e rasgou elogios ao head coach dos Patriots.

“Coach Bill Belichick. O GOAT (melhor de todos os tempos). Obrigado por acreditar em mim. Obrigado por não tentar mudar quem eu era. Não é engano, não é coincidência que você é o melhor treinador que este esporte já viu. Eu amo você, Bill. Aprecio você”, observou.

Law ainda teve tempo para mandar um recado para os atuais jogadores de New England.

“A velha guarda/nova guarda se levantem. É a hora. Eu não estou aqui sozinho. Estou neste palco, não por motivos de estatísticas. Estou aqui porque fiz parte de algo especial. Nós criamos uma cultura. Uma fraternidade no altruísmo que exibimos quando ganhamos três títulos de Super Bowl. Vamos manter isso real. Nós começamos isso!”, exclamou. “Eles até disseram que criamos um nome. Chamam isso de Patriot Way. Mas sabemos onde começou, caras. Juntos, estamos no Pro Football Hall of Fame”, completou.

– Champ Bailey

Cornerback que passou por Washington Redskins e Denver Broncos, Bailey foi 12 vezes selecionado ao Pro Bowl, três vezes foi para o primeiro time All-Pro e foi selecionado para o All-Decade Team dos anos 2000, após finalizar a carreira com 52 interceptações.

Visivelmente emocionado, Bailey segurou o choro antes de brincar: “OK, vou tirar meus óculos de sol para que vocês possam ver minha alegria e porque minha esposa pediu. Eu quero começar agradecendo a Deus pelo Broncos Country”.

“A melhor coisa para minha carreira aconteceu em 2004. Eu fui trocado com o Denver Broncos”, observou.

Bailey explicou que sua mãe lhe deu o apelido de ‘Champ’, derivado de “Champion’, e falou: “obrigado, mãe, por toda essa pressão”.

Bailey, cujo primeiro nome é Roland, agradeceu seu pai, seus irmãos, seus filhos, sua família e uma série de amigos e companheiros de equipe.

O ex-defensive back também fez questão de agradecer ao falecido Pat Bowlen, também membro da Classe de 2019, a quem se referiu como Mr. B.

“Ele sempre será meu companheiro de equipe”, afirmou, antes de expressar seu carinho pelos torcedores dos Broncos e garantir que sempre considerará Denver como sua casa.

– Ed Reed

Safety selecionado nove vezes ao Pro Bowl e líder da liga em interceptações em três oportunidades, Reed passou a maior parte de sua carreira no Baltimore Ravens, mas também vestiu as camisas de New York Jets e Houston Texans. Um dos melhores de sua posição, ele terminou a carreira como líder de todos os tempos em jardas de retorno após interceptações, com 1.590, e teve sete temporadas nas quais teve mais de 100 jardas de retornos de interceptação, quatro com mais de 150 e duas com mais de 200.

Ed subiu ao palco depois de ser apresentado por Edward Reed Sr., seu pai, e recitou a ‘Athlete’s Prayer’ na abertura de seu discurso. O ex-safety disse que lia o poema antes de cada jogo.

Reed agradeceu aos fãs e aos membros do Hall da Fama enquanto recapitulava sua carreira no futebol americano. Então, o lendário ‘caçador de bolas’ gritou para a multidão: “não há um lugar como Baltimore, nenhum lugar como Baltimore”.

O defensive back ainda fez uma observação em relação ao futebol americano, exaltando a coletividade do esporte: “não há GOAT (melhor de todos os tempos) neste esporte, porque nenhum de nós pode fazer isso sem nossos companheiros de equipe. Vocês terão que me desculpar, eu escrevi isso sentado ali naquela cadeira”.

Emocionado, Reed reservou alguns momentos para falar sobre doenças mentais, bem como sobre as vítimas de recentes tiroteios em massa.

“América, qual é o nosso padrão? É isso que precisamos fazer, ajudar uns aos outros, erguer uns aos outros”, pediu.

Além de sua família, companheiros de equipe e treinadores, Reed fez agradecimentos às várias pessoas que participaram de sua trajetória, incluindo preparadores físicos, pessoal de equipamento e até mesmo “meus dois barbeiros”.

Ele ainda arranjou tempo para brincar com o fato de ter somado 30 interceptações combinadas contra Cleveland Browns e Cincinnati Bengals, rivais de divisão dos Ravens: “não é minha culpa que vocês todos continuem trocando de quarterbacks”.

– Kevin Mawae

Center de NY Jets, Seattle Seahawks e Tennessee Titans, Mawae era um atleta diferenciado. Bill Parcells, técnico que é membro do Hall da Fama, uma vez disse que Mawae era diferente de qualquer outro jogador em sua posição. Em sua carreira, o center bloqueou para cinco running backs, incluindo o Hall of Famer Curtis Martin, que juntos somaram 13 temporadas de 1.000 ou mais jardas terrestres.

Quem apresentou Mawae foi sua esposa Tracy, que mencionou a morte do irmão mais velho do center, John, em um acidente de carro dois anos depois que a carreira do offensive lineman começou. Tracy relembrou cada passagem do marido na NFL e afirmou: “Kevin foi leal a cada time em que esteve, leal a seus companheiros de equipe, leal à sua família”.

Mawae se disse orgulhoso por ser o primeiro havaiano a entrar no Hall e congratulou diversos offensive linemen entre os imortais do esporte, entre eles Dwight Stephenson e Anthony Muñoz.

Ele agradeceu a todos seus ex-head coaches, treinadores de linha ofensiva e outras pessoas que o influenciaram durante sua carreira. E, surpreendentemente, ele ainda agradeceu a Bill Belichick, técnico dos Patriots, um dos maiores rivais dos Jets.

“Eu nunca me senti mais desafiado mentalmente em um jogo do que quando enfrentei seus times. Passei a amar o quebra-cabeça que era desvendar suas defesas. Eu ainda odeio os Patriots”, falou. “Parabéns para você e todos os seus sucessos e obrigado por me tornar um jogador melhor”, pontuou.

Por fim, Mawae disse: “hoje, estou na porta da imortalidade no futebol americano. Eu bato nesta porta e digo a todos vocês: ‘estou em casa!’”.

– Pat Bowlen

Bowlen, que morreu em junho depois de uma longa batalha contra o Mal de Alzheimer, foi o único proprietário na história da NFL cujo time somou 300 vitórias nos primeiros 30 anos de seu comando. Ele também foi um porta-voz importante na NFL durante sua passagem por vários comitês da liga.

Durante seu tempo à frente da organização do Colorado, os Broncos tiveram o mesmo número de aparições no Super Bowl quanto o de temporadas com mais derrotas do que vitórias: sete. Feito emblemático.

Steve Antonopulos, preparador dos Broncos conhecido como ‘Grego’ por todos do time, incluindo Bowlen, foi o apresentador do falecido executivo e disse que Bowlen era “futebol americano em primeiro lugar, negócios em segundo”.

Os filhos de Bowlen apareceram em um vídeo passado para a plateia quando Antonopulos disse: “Sr. B, esse é para você”.

Então, os seis filhos de Bowlen subiram ao palco quando seu busto de bronze foi revelado, e cada um deles abraçou e beijou o busto.

– Gil Brandt

Atualmente com 86 anos de idade, Gil Brandt iniciou sua carreira no futebol americano com o Los Angeles Rams em 1955, e ele continua ligado ao esporte atualmente como comentarista. Em sua trajetória de 28 anos no Dallas Cowboys, o executivo conseguiu ajudar o time a ter 20 temporadas consecutivas com mais vitórias do que derrotas, a vencer 13 títulos de divisão e dois Super Bowls.

Jerry Jones, proprietário dos Cowboys que chegou a demitir Brandt, o chamou de “um homem único em uma vida”.

E, Brandt, em seu discurso, disse: “a linha de vida de qualquer organização é os jogadores”.

Durante sua fala, Brandt fez um retrospecto de uma carreira verdadeiramente revolucionária, na qual desenvolveu sistemas inovadores de scouting e de gerenciamento de jogadores, tendo sido também um dos primeiros defensores da análise computadorizada para avaliar talentos.

Além disso, ele esteve na vanguarda de executivos que observaram jogadores independentemente da cor de pele deles.

Um dos scouts mais respeitados em toda a história do futebol americano, Brandt segue firme e forte.

“Minha vida tem sido uma jornada incrível, tudo inspirado pelo futebol americano profissional”, completou.

– Johnny Robinson

Sete vezes selecionado ao Pro Bowl, bem como seis vezes ao primeiro time All-Pro, Johnny Robinson foi um defensor que iniciou sua carreira no ataque, correndo para 458 jardas como calouro e tendo duas temporadas de 600 jardas recebidas no início da existência da AFL.

Ele liderou a AFL em interceptações em 1966, com 10, e então liderou a NFL em interceptações em 1970, também com 10. Isso foi no ano da fusão da AFL com a NFL, quando ele tinha 32 anos de idade.

Apresentado pelo seu enteado, Bob Thompson, Robinson foi elogiado por sua resistência e por sua capacidade de fazer jogadas.

“Eu nunca sonhei que me tornaria um jogador profissional de futebol americano… para minha surpresa, fui selecionado como o nº 3 (no draft)”, falou Robinson, atualmente com 80 anos.

Johnny Robinson relembrou o conselho de seu pai sobre ganhar e perder, sobre trabalhar mais duro e “respeitar sempre sua mãe”.

Então, no fechamento de seu discurso, ele falou: “Deus me deu a habilidade para jogar o futebol americano e eu joguei com todo o meu coração”.

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