NFL

Aos 29 anos, Taysom Hill tem uma decisão importante a tomar

Taysom Hill, quarterback do New Orleans Saints

Taysom Hill está saindo da melhor temporada de sua carreira. Está a semanas de se tornar um free agent restrito.

E uma decisão importante precisa ser tomada pelo canivete suíço… ops… atleta.

Primeiramente, gostaria de abrir esta análise com uma declaração feita pelo próprio quarterback do New Orleans Saints ao jornalista Rob Maaddi, da ‘Associated Press’:

“Eu definitivamente me vejo como um franchise quarterback. Penso que, conforme você olha para as outras perguntas: ‘é em Nova Orleans? É em outro lugar?’. Quando você entra na free agency, esse é o momento em que você começa a descobrir como as pessoas te veem. Nós não estivemos na free agency bastante o suficiente para realmente saber como esses caras me veem e vamos apenas lidar com isso da maneira que vier”, afirmou. “(…) Então eu quero ir embora? O fato da questão é não, não quero. Mas, ao olhar para a free agency, você precisa encontrar a oportunidade certa para você. Você tem que encontrar a situação para cuidar da sua família. Sabe, eu quero jogar como quarterback nesta liga e, se New Orleans não me vê desta maneira, então eu tenho que sair”, completou Hill.

Dois pontos que julgo importantes desta declaração acima (que é apenas parte de uma longa entrevista em que Hill expressa seu carinho pelos Saints e quão divertida foi sua passagem):

  1. Vamos ficar atentos ao trecho “oportunidade certa”;
  2. E também à seguinte declaração “eu definitivamente me vejo como um franchise quarterback”.

Bem, eu li essa entrevista de Hill logo depois que minha amiga, Silvia Federicci, uma parceirona do Quinto Quarto, me mandou o link. E, assim, começou um breve debate no grupo do WhatsApp de nossa equipe.

Surgiu então o questionamento: será que alguma franquia da National Football League veria Hill como ‘o cara para colocar a bola na mão e liderar uma campanha nos dois minutos finais para garantir a vitória’?

(OK, eu deveria simplesmente ter escrito franchise QB, mas quis ser o diferentão).

Hill tem sido para os Saints o ‘faz tudo’. Pau para toda obra mesmo. Na temporada regular de 2019, por exemplo, ele participou de todos os 16 jogos e acertou três passes de seis para 55 jardas, correu 27 vezes para 156 jardas e um TD (ótima média de 5,8 jardas por carregada), e fez 19 recepções para 234 jardas e seis TDs.

Drew Brees fez a festa quando Hill esteve em campo e o time também se deu bem quando ele entrou no lugar de Brees.

O camisa 7 ainda teve uma atuação muito boa na derrota para o Minnesota Vikings por 26 a 20, na rodada de wild card dos playoffs da Conferência Nacional (NFC), acertou seu único passe no jogo para um ganho de 50 jardas, correu quatro vezes para 50 jardas totais e fez duas recepções para 25 jardas e um TD.

É inegável o talento que Hill tem. Mas, na minha visão, ele simplesmente não é um franchise QB. Óbvio que ele tem as ferramentas para ser um jogador muito bem-sucedido na NFL, mas ser o quarterback número 1 de um time é algo que exige muito mais do que ser talentoso.

Não vou entrar no mérito de que Hill tem 1,88m, estatura considerada regular no máximo para um QB. OK, eu já estou preparado para você vir me rebater com o próprio Brees (1,83m) e Russell Wilson (1,80m). Mas, calma lá: esses dois são verdadeiros quarterbacks de outro planeta.

Hill não é.

Ele não teve tempo significativo de jogo como QB, mas não é difícil perceber que o queridinho da torcida dos Saints não é o protótipo de um QB1. Fazer isso seria até limitar o talento dele.

O problema é que Hill parece estar negando isso.

O próprio Sean Payton, head coach dos Saints, já insistiu mais de uma vez que vê Hill como um QB e até o comparou a Steve Young, um Hall of Famer.

Mas Taysom Hill talvez não esteja enxergando que ele é muito melhor do que apenas um quarterback.

Atualmente com 29 anos de idade, Hill entrou tardiamente na NFL, apenas em 2017. Ele não foi draftado e, posteriormente, assinou com o Green Bay Packers. Mas durou apenas três jogos de temporada e menos de quatro meses em Wisconsin.

Os Saints viram o potencial nele e o pegaram no dia seguinte à dispensa.

Logo ele foi se estabelecendo como o ‘canivete suíço humano’, como a imprensa de Nova Orleans gosta de caracterizá-lo.

Jogador destemido, ele ganha jardas da maneira que desejar e encara os defensores sem medo. Apesar de ser razoavelmente grande, ele é dotado de uma velocidade e agilidade incríveis. Joga no ataque, passando pelos special teams e até faz o almoço do elenco se precisar.

E sabe o que eu defendo? Que ele aceite que é um atleta multifacetado e faça uma transição para uma posição perfeita para ele.

Qual é o setor ofensivo no qual os Saints estão mais ‘pobres’ atualmente? Wide receiver, você deve ter pensado.

Que tal Hill como wide receiver número 3? Complementando um grupo liderado pelo monstruoso Michael Thomas, WR número 1, 2, 3 e 273 dos Saints atualmente.

Quer um exemplo de outra vez em que isso deu certo, ainda que de maneira um pouco distinta?

Julian Edelman.

Ele foi quarterback em Kent State, mas foi migrado para a posição de wide receiver quando Bill Belichick o selecionou na sétima rodada do draft de 2009. O resultado no New England Patriots todos conhecem.

Tudo bem que o caso de Edelman é ainda pior, já que ele tem 1,78m e dificilmente seria um QB bom em nível profissional. E a migração foi perfeita.

Hill precisa aceitar que essa mudança seria positiva para ele. Aos 29 anos, ele tem uma decisão difícil a tomar.

Querer ser um franchise QB na NFL pode ser o primeiro passo para levar sua carreira na liga por água abaixo…

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