NFL

Seahawks fazem o inevitável ao dispensar Kam Chancellor e Doug Baldwin

Kam Chancellor e Doug Baldwin, jogadores do Seattle Seahawks

Se você leu o livro “Liderança”, de Alex Ferguson, sabe que o que os Seahawks fizeram nesta quinta-feira era necessário. O Sir que dominou a Inglaterra por 26 anos destaca ao longo da narrativa a necessidade de reformulação e eventualmente abrir mão de jogadores que foram importantes e tem renome na história da equipe.

Foi exatamente isso que o time de Seattle fez. Em um movimento de certa forma protocolar, o time anunciou a dispensa do wide receiver Doug Baldwin e do defensive back Kam Chancellor por não passarem nos exames médicos.

Assim a Legion of Boom está oficialmente encerrada. E apenas alguns poucos jogadores do time campeão de 2013 restam no elenco: são eles Bobby Wagner, Russell Wilson e K.J. Wright.

Com a lesão no pescoço que o tirou da temporada de 2018, Chancellor já havia extraoficialmente pendurado as chuteiras, algo que agora deve se tornar oficial.

Por sua vez, Doug Baldwin vem sofrendo com diversos problemas de saúde que necessitaram diversas cirurgias (a maioria na offseason e a mais recente de uma hérnia). Ele também vinha especulando a aposentadoria.

A obviedade da decisão, citada lá no começo, se dá pelo salary cap.

Os dois obviamente marcaram uma era e as palavras do general manager John Schneider simbolizam isso. O executivo os descreve como “dois dos mais icônicos jogadores da história da franquia” e ainda os chamada de “lendários”.

Baldwin saiu de não draftado para o principal alvos de Russell Wilson. O wide receiver é o terceiro em recepções (493), terceiro em jardas recebidas (6.593) e segundos em touchdowns (49) na história do Seattle Seahawks.

Além disso, ele ficou, de acordo com o ‘Pro Football Focus‘, no top 10 dos recebedores em seis das suas oito temporadas que disputou justamente em uma equipe que terminou na segunda metade da lista dos ataques aéreos em quatro dos cinco anos antes de sua chegada.

Junta-se a isso o fato de ele ter sido apenas um dos quatro wide receivers com mais de 500 snaps a ter nota de 70 ou mais em cada temporada que jogou, ainda segundo o ‘PFF’.

O site também indica que, entre os recebedores com mais de 2.000 snaps na carreira, apenas Jordy Nelson (118) faz seu quarterback ter um pass rating quando é alvo superior que o de Baldwin (114,5).

Mais uma pitadinha é o grade de Russell Wilson em 2019. Com o wideout em campo, ele ficou com 90. Nos três jogos em que ele não participou a nota ficou em 63,7.

Por sua vez, Chancellor deixa os gramados com 606 tackles, dois sacks, 44 passes desviados, 12 interceptações e nove fumbles.

Com a imponência física de linebacker, o safety era um dos líderes da defesa. Richard Sherman explica um pouco de como ele afetava quem estava a sua volta.

“Somos um banco de cachorros selvagens até o leão chegar. Ele traz uma força ameaçadora. Um bando de cachorros selvagens é ameaçador, mas um leão correndo com um bando de cachorros selvagens… isso significa algo”, disse o cornerback em 2015.

Soma-se a isso que com o esquema cover 3, o defensive back podia se tornar um quarto linebacker, usando sua velocidade de safety em um corpo de LB com habilidade de cobertura.

Chancellor ainda se destacava por ser muito instintivo, sempre estando no lugar certo e na hora certa, sendo um monstro nos tackles e protagonizando cenas épicas, como quando antecipou o snap e pulou sobre a linha ofensiva nos playoffs contra o Carolina Panthers.

A jogada para impedir o field goal não valeu. A interceptação e retorno de 90 jardas para TD pode ter certeza que valeu sim.

A importância dos dois e dessa geração também é mostrada no ano a ano da equipe comandada por Pete Carroll.

No primeiro ano do defensive back em Seattle, em 2010, a franquia do noroeste americano foi aos playoffs mesmo com campanha de 7-9. Baldwin chegou no ano seguinte e o desempenho foi o mesmo, mas em vaga na pós-temporada.

A partir daí, The 12s nunca viram uma temporada com campanha negativa, o primeiro Super Bowl chegou em 2013 e o único ano em que a equipe não foi aos playoffs foi em 2017 (9-7, ficando com um triunfo a menos que o primeiro time do Wild Card).

Mesmo com a tristeza da despedida e o fim, de certa forma, melancólico para Baldwin e Chancellor, a NFL é uma liga de rotatividade e de elencos que mudam. A nova equipe está sendo montada em torno de Russell Wilson e as coisas devem seguir boas em Seattle.

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