NFL

Running backs em 2019: mais desvalorizados que a Petrobras (Parte II)

O bom de ter um site há algum tempo é poder acessar os arquivos e se deleitar com sua falta de noção, suas previsões rasas e a falta de capacidade de criar parágrafos e deixar tijolos pelo caminho. Mas no caso do texto Running Backs em 2015: mais desvalorizados que a Petrobras, escrito por este que vos fala, até que mandei bem.

Palmas para mim.

Volto ao mesmo assunto, quatro anos depois, na esteira de Melvin Gordon retornando ao Los Angeles Chargers com o rabo entre as pernas. E se na época que escrevi o texto a Petrobras tinha ações quase dadas pela diretoria, a presidente era Dilma Rousseff e Donald Trump era apenas um empresário, uma das poucas coisas que não mudaram foi essa desvalorização da posição de RB. E o New England Patriots dominando todo mundo.

Mas calma que essa ação “RBS1 PN” teve idas e vindas.

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Parecia que podia mudar: Elliott, Fournette e Michel

O texto de 2015 era claro na sua ideia: running backs foram desvalorizados porque eles podiam ser substituídos sem grandes traumas por calouros de terceira, quarta, quinta rodada. Além disso, a queda dos jogadores da posição após os primeiros anos na liga era clara. Em vez de ter uma estrela, dava para dividir os toques entre vários jogadores e ter boas produções.

Esse bode com os RBs foi tamanho que de 2010 a 2015, só tivemos três running backs escolhidos entre os 10 primeiros do Draft.

C.J. Spiller conseguiu chegar em um Pro Bowl, mas não teve uma carreira incrível para alguém escolhido em 9° em 2010.

Trent Richardson foi uma das razões para a moral da posição de running back cair na lata do lixo

Mas, por fim, em 2015, começamos uma mudança. Na 10ª escolha foi selecionado Todd Gurley, ainda pelo St. Louis Rams.

E aí começou algo esquisito: tivemos Ezekiel Elliott na quarta posição em 2016, Leonard Fournette na quarta posição em 2017, mais Christian McCaffrey na 8ª posição e em 2018, Saquon Barkley só ficou abaixo de Baker Mayfield no Draft da NFL.

Uma das coisas mais esquisitas de tudo isso, na verdade foi Bill Belichick escolhendo um running back na primeira rodada em 2018, com Sony Michel. Na Era Belichick nos Patriots, só um RB tinha saído na primeira rodada: Laurence Maroney em 2006. E Maroney provavelmente fez Belichick jurar aos céus que nunca mais escolheria um running back em uma seleção tão alta.

Por tudo isso, meu post de 2015 ficou meio encostado, tristinho, descredenciado. Até ser elevado às alturas da moral e das previsões corretas e maravilhosas com os acontecimentos dos últimos meses.

A vingança dos anti-running backs

Saquon Barkley é incrível. Ezekiel Elliott é sensacional e mereceu a extensão de contrato que teve. Não coloco isso em questão.

Mas Todd Gurley é chave para toda a questão. Em junho de 2018, ele assinou uma extensão gigantesca, com US$ 45 milhões em garantias. Sete meses depois, estávamos nos perguntando porque Gurley não estava em campo nos momentos mais decisivos dos Rams na temporada. Hoje, um ano e três meses depois, fica claro que o Los Angeles Rams tem que poupar ele por causa dos joelhos, que supostamente estariam corroídos pela artrite.

Christian McCaffrey é realmente incrível, mas a mesma produção dele basicamente é replicada por Alvin Kamara. E aqui dá para traçar um paralelo interessante, mais além de estarmos falando de dois times da NFC South. Os Panthers usaram a 8ª escolha com o diabo loiro, abrindo mão de selecionar outro atleta. Os Saints pegaram Kamara com a 67ª escolha em 2017, na terceira rodada, e com a 11ª escolha que tinham direito foram de cornerback (Marshon Lattimore).

O Denver Broncos fez ainda melhor, em um dos seus únicos acertos nos últimos anos. Com a quinta escolha em 2018 a equipe selecionou Bradley Chubb, já que ter um pass rusher de elite nesta liga é um parto, muito difícil. Sem nem usar uma escolha de Draft, completamente do nada, veio Phillip Lindsay, com 1037 jardas em apenas 192 carregadas. Ele foi o nono em jardas totais em 2018, mas teve menos carregadas que todos os que ficaram acima, tanto que bateu essa galera em jardas por carregada, com 5,4.

Os golpes finais

Le'Veon Bell teve 1.793 jardas em sua temporada final em Michigan State e mesmo assim foi selecionado no meio para o fim da segunda rodada do Draft de 2013. Ele foi bem na primeira temporada, incrível na segunda, perdeu boa parte da terceira por lesão e destruiu na quarta e na quinta. Por isso pensava que viria um contrato inacreditável, nível o que Gurley recebeu um ano depois.

O que os Steelers ofereceram não estava dentro de suas expectativas e o que aconteceu você já sabe. No fim, seu mercado não se materializou, mesmo que ele tenha recebido um contrato vistoso do New York Jets. Em Nova York ele vai sentir na pele que um running back sozinho não faz verão. E até já surgiu o papo que o treinador, Adam Gase, não queria um RB caro.

Mas o mais duro para Bell é que na temporada que ele ficou de fora dos Steelers, James Conner, uma escolha de fim de terceira rodada, entregou por volta de 80% do que ele entregaria. Recebendo 750 mil dólares. Em sua última temporada nos Steelers, Bell recebeu 12,1 milhões de dólares. Nesta atual, pelos Jets, ele receberá um total de 14,9 milhões.

Dito tudo isso, chego em Melvin Gordon.

Ele viu o que Ezekiel Elliott fez e forçou sua mão. Só que tem tantas diferenças entre os dois casos que basicamente a única semelhança é que eles são running backs escolhidos na primeira rodada.

Gordon está em uma equipe com diversas peças de elite, inclusive um quarterback veterano e um wide receiver em Keenan Allen que é top 10 ou até top 5 na liga.

Ezekiel Elliott, mesmo que a linha ofensiva seja boa e Dak Prescott comece a arregaçar as mangas, sempre foi o cara no ataque dos Cowboys.

Jerry Jones é fanático por futebol americano, altamente envolvido com o time e doente para ganhar mais um título. Ele está aberto de peito e alma e isso pode ser usado em uma mesa de negociações. Jones sempre pagou bem para todo mundo.

Já a direção dos Chargers sempre foi mais blasé e até dura em negociações. Só ver como Eric Weddle saiu da franquia e até como J2.

Essas são diferenças enormes. E Gordon devia ter notado que Ezekiel Elliott não era a regra, era a exceção. A regra é Bell. E agora, com todo mundo vendo como Gurley foi pago pelo que fez em seus primeiros anos e não pelo que faz agora, todos vão ficar com pé atrás em pagar running backs e até em escolher eles no topo da primeira rodada.

Só se o talento for realmente inegável e mesmo assim… só olhar o caso Fournette.

Conclusão

Os running backs voltaram ao topo da primeira rodada nos últimos anos, continuam tendo impacto e alguns deles ganham boas extensões.

Mas acho que o exemplo de Gurley, todo o furdúncio do caso Le'Veon Bell – e como ele não é capaz de carregar um time – e ainda alguns running backs escolhidos lá em cima e que são decepcionantes – Fournette, Rashaad Penny etc – são muito relevantes.

O fato de termos Phillip Lindsay não draftado e causando, um Dalvin Cook e um Alvin Kamara poderem ser encontrados na segunda e terceira rodada e um James Conner ser um bom fac-símile de RB de elite dizem muita coisa. Dá para achar running backs mais facilmente que pass rushers, cornerbacks ou quarterbacks. Por isso a preferência deve ser deles para receber os maiores contratos e as escolhas de Draft mais altas.

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