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Roger Goodell afirma que NFL vai debater mudanças no replay durante a offseason

Roger Goodell, comissário da NFL

(Crédito: Twitter/reprodução)

O comissário Roger Goodell, da National Football League, concedeu nesta quarta-feira (30) sua tradicional coletiva da semana do Super Bowl para abordar diversos assuntos importantes. E, como era se de esperar, o tópico mais quente foi relacionado às possíveis mudanças de regras para replay.

Depois da enorme polêmica de erro de arbitragem na final da Conferência Nacional (NFC) entre New Orleans Saints e Los Angeles Rams, o mandatário afirmou que a liga vai debater mudanças que podem ajudar a evitar episódios do tipo no futuro.

Contudo, Goodell alertou que tais modificações podem não ser tão dramáticas quanto algumas pessoas podem esperar depois da não-marcação que prejudicou os Saints na briga pela vaga no Super Bowl LIII.

“Nós vamos olhar novamente para o replay instantâneo”, afirmou Goodell na coletiva. “Houve uma variedade de propostas ao longo dos últimos 15, 20 anos sobre se o replay deveria ser expandido. Ele não contempla as decisões de julgamento; essa foi uma marcação de julgamento. A outra complicação é que foi uma não-marcação”, prosseguiu.

O comissário seguiu em sua explicação.

“E nossos técnicos e clubes têm sido muito resistentes, e não houve apoio até agora, sobre ter um oficial de replay ou alguém em Nova York lançando a bandeira (de falta) quando não há marcação. Eles não votaram a favor disso no passado”, ressaltou.

Apesar do histórico de forte oposição neste tópico, Goodell garantiu que isso será colocado na pauta dos debates do comitê de competição nesta offseason e que a discussão sobre expandir o uso da tecnologia de replay para ajudar a corrigir erros de arbitragem dentro de campo vai continuar.

“Sempre que arbitragem faz parte de qualquer tipo de discussão pós-jogo, nunca é algo positivo para nós. Mas também sabemos que nossos árbitros são humanos, e que eles estão apitando um jogo que se move muito rapidamente e que eles têm que tomar decisões rápidas em circunstâncias difíceis e eles não vão conseguir acertar todas as vezes”, falou. “Nós temos trabalhado muito duro para trazer tecnologia para tentar garantir que possamos fazer o que for possível para resolver esses problemas. Mas a tecnologia não vai resolver todos esses problemas. O jogo não é apitado por robôs. Não vai ser. Mas temos que continuar seguindo nesse caminho”, pontuou.

O jornalista Adam Schefter, da ‘ESPN’ norte-americana, apurou nesta quarta que uma potencial solução é um plano que permita desafios limitados dos técnicos para chamadas de julgamento incorretas que também pode incluir uma penalidade ou perda de tempo no relógio de jogo caso o treinador esteja errado.

Em sua coletiva, Goodell não entrou em detalhes específicos de potenciais soluções, mas parecer querer deixar bem claro que esse será um dos tópicos mais importantes a serem debatidos pelos times nesta offseason.

“Meu papel é garantir que o comitê de competição compreenda que isso é crítico para que analisemos, para avaliar e tentar ver se há uma solução melhor do que o que temos hoje”, disse Goodell.

As palavras de Goodell certamente não confortam nem um pouco o New Orleans Saints e seus torcedores, que continuam a acreditar que tiveram a vaga no Super Bowl roubada quando os árbitros deixaram de marcar uma clara interferência no passe, além de uma pancada de capacete contra capacete, feita pelo cornerback Nickell Robey-Coleman, dos Rams, em cima do wide receiver Tommylee Lewis, dos Saints.

Goodell disse que conversou pessoalmente com Sean Payton, técnico dos Saints, bem como com Gayle Benson, dona do time da Louisiana, e confirmou que Al Riveron, chefe de arbitragem da NFL, ligou para Payton imediatamente após a partida decisiva para admitir o erro grave.

“Nós compreendemos a frustração dos torcedores, e certamente queremos abordar isso. É uma jogada que deveria ser marcada, e vamos fazer de tudo daqui para frente para melhorar”, assegurou o comissário

Confira outros tópicos abordados por Roger Goodell em sua coletiva ‘State of the League’:

– Onde os Raiders vão jogar em 2019

Com os Raiders em meio a uma disputa em relação ao contrato de arrendamento em Oakland e com o novo estádio em Las Vegas programado para estar finalizado apenas em 2020, o time precisa encontrar uma localidade para mandar seus jogos na temporada 2019.

Goodell disse que é uma infelicidade o fato de a cidade de Oakland ter entrado com um processo judicial contra a franquia e observou que a liga precisa de uma resolução logo para poder bolar a tabela da próxima temporada.

O comissário disse que acredita que Mark Davis, proprietário dos Raiders, está determinado a encontrar uma solução para manter seu time na Bay Area por mais um ano.

– Oportunidades para treinadores de grupos minoritários

Depois de uma temporada em que cinco head coaches de grupos minoritários foram demitidos e apenas um foi contratado, Goodell disse que a liga precisa encontrar uma maneira de criar mais oportunidades para candidatos minoritários chegarem às posições de treinador de quarterbacks e coordenador ofensivo. Essas são as principais maneiras para esses treinadores subirem nos rankings para cargos de head coach.

O chefe da NFL mencionou uma futura “QB Summit”, a ser realizada no Morehouse College, em Atlanta, cujo objetivo seria treinar e orientar potenciais candidatos às vagas de head coach.

– Casos específicos de punições a jogadores

Goodell disse ter havido um “tremendo progresso” na investigação de incidentes extracampo envolvendo Kareem Hunt, ex-running back do Kansas City Chiefs e atualmente um free agent, e que qualquer time que contratá-lo saberia que o atleta seria colocado na lista de isenção do comissário até que uma decisão final sobre a punição seja anunciada.

O comissário também observou que a liga continua a investigar as acusações contra Reuben Foster, linebacker do Washington Redskins. E Goodell não descartou a possibilidade de o wide receiver Josh Gordon, do New England Patriots, ser reintegrado após sua mais recente suspensão relacionada às drogas, ainda que o foco principal seja a saúde do jogador.

“Isso vai bem além do futebol americano. Isso é para a vida dele”, falou Goodell.

– Relacionamento da NFL com o México

Depois do incidente do jogo entre Los Angeles Rams e Kansas City Chiefs, marcado inicialmente para a Cidade do México na temporada 2018, ter sido transferido devido às péssimas condições do gramado do Estádio Azteca, muito foi especulado sobre um possível estremecimento na relação entre a liga e o México. Mas Goodell fez questão de afastar tais conversas.

“Deixem-me começar dizendo que tivemos um tremendo relacionamento com as autoridades do México, as pessoas, os torcedores e estamos muito orgulhosos por isso. Ficamos todos um pouco decepcionados quando não pudemos jogar lá este ano, mas acredito que todos nós fizemos a coisa certa. Como vocês sabem, eu fui ao México e me reuni com o futuro presidente, que agora é o presidente, e acredito que estabelecemos um relacionamento muito bom, nossos parceiros da Televisa estão todos muito ansiosos para retornarmos na próxima temporada, assim como nós, e eu acredito que vamos continuar esse relacionamento e acredito que vamos continuar a fazer o futebol americano crescer no México. Acho que vamos ser ótimos para o México, porque eu acho que isso adiciona ao nosso palco. Acho que é ótimo para o país e para mostrar todas as virtudes e valores que o México tem. Mas também acho ótimo para a NFL e para nossos torcedores, de forma mais importante”, afirmou.

– Colin Kaepernick

Em relação ao tópico sempre levantado de Colin Kaepernick, ex-quarterback do San Francisco 49ers, não ter sido contratado por nenhum time nos últimos dois anos e ao processo movido pelo atleta contra a liga, alegando conluio, Goodell fez o mesmo discurso do passado.

O comissário disse que é responsabilidade dos times de determinar quem eles contratam e não contratam e que o escritório da liga não tem mais nada a ver com isso.

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