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Rishard Matthews: vou me ajoelhar no hino até Donald Trump se desculpar

Rishard Matthews, wide receiver do Tennessee Titans

(Crédito: Instagram/reprodução)

O wide receiver Rishard Matthews, do Tennessee Titans, foi um dos vários jogadores da National Football League que se sentiram pessoalmente atacado pelo presidente Donald Trump, após os comentários feitos pelo chefe de Estado no final da semana passada. Assim como muitos, o atleta foi atingido sobretudo pelo trecho em que Trump fala “filha da p***” e o receiver dos Titans pretende usar sua plataforma para seguir com os protestos.

“Eu pretendo me ajoelhar até o presidente pedir desculpas pelos comentários que ele fez, porque senti que foram comentários muito desrespeitosos que ele fez”, declarou o camisa 18 dos Titans em entrevista ao programa NFL Live, da ‘ESPN’ norte-americana, nesta terça-feira (26). “A liga é formada por, eu acho, (…) mais de 70 por cento de afro-americanos, então as pessoas que estariam se ajoelhando por essa causa seriam afro-americanos. Para ser honesto, ele estava se referindo a muitos de nós, e sinto que ele estava chamando eu mesmo de um filho da p*** e isso não é OK e é muito desrespeitoso. Então eu pretendo me ajoelhar até o presidente pedir desculpas”, prosseguiu.

Atualmente sem time, o quarterback Colin Kaepernick, então no San Francisco 49ers, foi o responsável por começar a se ajoelhar durante a execução do hino dos Estados Unidos antes dos jogos da temporada passada. O gesto foi uma maneira encontrada pelo atleta para protestar contra desigualdades raciais e sociais, e ele acabou motivando outros jogadores a fazer o mesmo.

Falando em um comício político na última sexta (22), no Alabama, Trump usou palavras duras para se referir aos jogadores que fazem protestos durante o hino americano e falou: “vocês não amariam ver um desses proprietários da NFL, quando alguém desrespeita nossa bandeira, dizer: ‘tire esse filho de uma p*** do campo agora. Fora. Ele está demitido! Está demitido!”.

Na Casa Branca, nesta terça, Trump foi questionado sobre seus polêmicos comentários.

“Eu não estava preocupado com a NFL, eu estava com vergonha do que está acontecendo. Porque, para mim, esse é um momento muito importante. Eu não acho que você pode desrespeitar nosso país, nossa bandeira, nosso hino nacional”, afirmou.

O pai de Rishard Matthews serviu ao Exército dos Estados Unidos por 23 anos e o irmão de Matthews foi um Marine que morreu no Afeganistão. Desta forma, o wide receiver se sentiu em meio a um conflito ao pensar em utilizar o hino como um veículo de protesto, mas ele afirmou na noite do último domingo que sua postura mudou depois que ele percebeu que sua mensagem era mais importante do que o método.

“Estou cansado de ouvir: ‘atenha-se aos esportes’. Trata-se do que está certo e errado neste mundo. Se você vê algo errado e não diz nada, isso está errado. Como minorias, o que você quer que aconteça antes de dizer algo? Eles tentaram fazer um protesto silencioso e olhe o que aconteceu. É seu direito ficar em pé ou se sentar. Você tem esse direito, essa liberdade de expressão, e você não está permitindo que isso aconteça. Nós não somos bonecas de pano. Somos pessoas como você”, falou no último domingo.

Para Matthews, os jogadores podem ser favoráveis aos militares do país mesmo que usem o hino para protestar contra problemas sociais.

Antes do jogo de domingo contra o Seattle Seahawks, os dois times decidiram permanecer no vestiário durante a execução do hino dos Estados Unidos.

Kaepernick iniciou os protestos em 2016, mas o movimento ganhou intensidade neste domingo, após os comentários de Trump. E Matthews espera que não seja algo de apenas uma semana na NFL.

“Seguindo adiante, não quero que isso seja um espetáculo publicitário. Não quero tirar o que é o protesto por completo, que é opressão, brutalidade policial e desigualdade neste país. Eu estou totalmente do lado do meu irmão Kap, e planejo continuar a fazer isso”, completou o wide receiver dos Titans.

Matthews levantou o punho direito, gesto que é reconhecido como símbolo de solidariedade contra a injustiça racial, depois de sua recepção de 55 jardas para touchdown contra os Seahawks.

Antes do jogo, o wideout usou chuteiras com as frases “we are one” (“somos um”, em tradução livre) e “we all bleed the same” (“nós todos sangramos o mesmo”).

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