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Redzone: Super Bowl entrega tudo que prometia e Brady vira imortal

Teve tudo o que um grande jogo precisa: duas equipes que serão lembradas daqui muito anos, futuros membros do Hall da Fama, uma roleta-russa no placar, personagens improváveis e lances históricos (e para quem curte, briga no fim). Mesmo com o ocorrido ainda quente na cabeça e com o coração na boca, consigo dizer tranquilamente que foi um dos melhores Super Bowls na história. Ou o melhor? Vamos lembrar algumas coisas.

O que você lembra do Super Bowl entre Giants e Patriots I e Steelers x Cardinals, pra ficar nos mais recentes? Campanhas vitoriosas no fim. Neste também tem.

David Tyree e sua recepção com o capacete? Jermaine Kearse e sua recepção no chão.

Kevin Dyson parando a uma jarda da end zone? Interceptação na linha do gol de Malcolm Butler.

Ou seja, todos os lances míticos dos Super Bowls que mais carinhosamente lembramos aconteceram em suas próprias versões nesse jogo maluco.

Primeiro um comentário aleatório

Quando Deus permitiu que Jermaine Kearse pegasse uma bola pipocada para um avanço de uma infinidade de jardas, ele avisou para os sábios em Israel: “agora chega, já ajudei esse time a virar um jogo que ficou na cara que teve interferência divina. E caras, foi contra a equipe que eu já tinha agido contra, metendo Tyree e Manningham neles. Agora não dá mais.”

Logo depois aconteceu a interceptação.

Tom Brady imortal

Na metade final do terceiro quarto o cenário para os torcedores dos Patriots era horroroso. O jogo começou com os Seahawks mornos no ataque: Lynch produzia, mas não era o suficiente para manter o ataque em campo. O passe inexistia porque Doug Baldwin foi para a Ilha Revis e sumiu, Jermaine Kearse não apareceu, bem marcado por Brandon Browner, e Luke Willson parecia ter ficado no vestiário. Mas essa situação virou 180º por causa de Chris Matthews e Ricardo Lockette, que deitaram e rolaram sobre os cornerbacks menos talentosos. No caso, Kyle Arrington e Logan Ryan.

O posicionamento mudou. Brandon Browner começou a marcar Matthews em alguns snaps, Lynch continuava produzindo e Russell Wilson começou a punir com o braço, ao ponto que Baldwin deixou Revis catando cavaco na end zone e Browner estava sendo batido. Mas um cara estava segurando bem as pontas: Malcom Butler estava bem na sombra de Kearse.

E no ataque, a estratégia que deu certo o jogo inteiro, de passes curtos explorando os matchups contra os linebackers, parecia ter arrefecido. Para os que gostam de destacar linguagem corporal, a cara de Tom Brady e a alegria dos jogadores dos Seahawks indicava que o título estava decidido.

Mas nos três Super Bowls que ele venceu, todos com uma vantagem de parcos três pontos, ele liderou a equipe para a vitória. Não há quarterback melhor para esse momento e mais uma vez ele entregou, com a estratégia que ele usou por boa parte da noite. Brady incorporou seu melhor Alex Smith e usou e abusou de rotas curtas, cruzando o campo e explorando confrontos favoráveis: Byron Maxwell e Richard Sherman foram evitados. K.J. Wright não foi suficiente para conter Rob Gronkowski e o coitado do Tharold Simon, que entrou no lugar de Jeremy Lane, foi alvo de bullying. Danny Amendola, Shane Vereen e Julian Edelman fizeram da área entre a linha defensiva e os linebackers um playground.

Seu último quarto foi perfeito, com 13 passes certos em 15 e dois touchdowns contra a melhor defesa da história, ou segunda, se você realmente aprecia o Chicago Bears de 85. Seu erro mais clamoroso, a primeira interceptação na redzone, foi esquecido e apagado com os passes para Amendola e Edelman para TD.

Brady chegou naquele ponto que qualquer crítica, mesmo até as mais pertinentes, pareçam erradas de qualquer jeito. Não tem como criticá-lo. Ele está nesse patamar.

Que p¨*$ você estava pensando, Darrell Bevell?

Nunca joguei futebol americano. Todo meu conhecimento vem de assistir jogos, ler alguns livros e uma tonelada de artigos nesta tal de internet e algumas doses de Madden. Do alto dessa nuvem, digo: a chamada de Bevell é uma das mais inexplicáveis que já vi.

Só nesse jogo cansei de ver Marshawn Lynch ganhar jardas onde não tinha jardas. Ele tinha acabado de ganhar quatro jardas na região mais difícil possível, já que a defesa está toda concentrada em pouco espaço. Você está na linha de um, segunda descida, seu quarterback não é Tom Brady e seu recebedor não é Randy Moss. E o principal: seu running back não é Trent Richardson. Era óbvio que a bola tinha que ir para Lynch. Não foi. Formação shotgun e o recebedor foi o cornerback adversário, Malcolm Butler, o herói improvável, que antecipou a rota de forma brilhante. Foi literalmente uma chamada que custou um título.

Belichick & Popovich

Os dois são tão parecidos que deveriam ser sócios em um restaurante sérvio onde os clientes são mal-tratados, os funcionários tem uma pressão incrível e aguentam bronca atrás de bronca e mesmo assim ganham três estrelas no guia da Michelin.

É inacreditável o trabalho que os dois fazem há 15 anos. Com uma peça-fundamental (Tim Duncan e Brady) e jogadores que vem e vão e jogam 120% na mão deles, os dois treinadores ganham consistentemente por mais de uma década em ligas que tem teto salarial e uma política clara de equilíbrio, onde os piores podem ser os melhores em poucos anos, e vice-versa. Por sete anos Popovich bateu na trave para ganhar seu quinto título. Por dez Belichick penou para ganhar seu quarto. Em oito meses os dois foram coroados mais uma vez.

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