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Redzone: sem emoção, finais de Conferência entregam um bom duelo de Super Bowl

Brady Falcons

Crédito: Instagram/reprodução

Mais uma vez corneto ligeiramente meu título. Tudo bem, todo Super Bowl, no papel, antes de o jogo começar, parece interessante. Mas muitas vezes, a história para criar expectativa e “vender” o jogo não é das melhores. Por exemplo, Baltimore Ravens x San Francisco 49ers. Não tinha uma grande rivalidade e apesar de os dois times terem estrelas, especialmente na defesa (mas lembre-se que Ray Lewis já não era AQUELE Ray Lewis), Colin Kaepernick (mesmo no auge, apesar da juventude) e Joe Flacco não serão lembrados nem pelas mães deles como “maiores da história”.

Neste ano, o atrativo é claro: Tom Brady é um dos maiores da história e está construindo, tijolo a tijolo, seu argumento de MAIOR da história. E Matt Ryan, se não está nesse nível, pelo menos é o MVP da temporada 2016/17.

Tem várias coisas a se destacar nesse duelo. O ataque do Atlanta Falcons é o The Greatest Show on Turf 2.0. Odeio quando coordenadores ficam nos camarotes porque não conseguimos ver tantas expressões faciais capturadas pelas câmeras, mas eu imagino que o coordenador defensivo dos Packers, Dom Capers, devia estar em choque porque a locomotiva dos Falcões parecia algo tirado de Laranja Mecânica.

Ryan é como um armador de basquete que não gosta de fazer cestas, adoçando a vida de todo mundo com um passe. E ainda tem uma linha ofensiva muito sólida e dois running backs que correm bem e recebem passes sem problema algum. Como você impede esse ataque de arrasar? Joga 5/6 correndo atrás de Ryan, batalhando contra uma boa OL, e deixa marcação mano a mano em Julio Jones, Mohamed Sanu e companhia limitada? Ou não chega nem perto do QB e enche o campo de defensive backs, marcando até o pylon? Os Packers não fizeram nenhuma das duas coisas. Os Patriots acho que vão mais com a segunda.

E os Patriots fizeram a mesma brutalidade de sempre. Na semana passada, Dion Lewis parecia o melhor jogador da história do universo. Hoje ele nem apareceu. Bill Belichick adora fazer planos de jogo que fazem a estrela variar, com Tom Brady sendo o maestro fixo. Chris Hogan foi o Julio Jones branco, com exatamente as mesmas 180 jardas em nove recepções e 2 TDs do seu irmão de outra mãe (e pai) de Atlanta. Não estranhe se, no Super Bowl, ele tiver uma recepção para nove jardas e o roupeiro entrar duas vezes na end zone.

E essa defesa dos Patriots não pode ser subestimada. Devin McCourty e Malcolm Butler comandam um grupo de DBs que está entre os melhores da liga. Antonio Brown nunca chegou perto de ganhar ritmo e pode ser muito fácil credenciar a morte do ataque dos Steelers à lesão de Le'Veon Bell, mas DeAngelo Williams não é um prego e com o ataque dos Patriots dominando as ações, Bell não ficaria tanto em campo como ficou contra os Chiefs de qualquer forma.

Também vamos lembrar que a mente sádica de Billão parou o Buffalo Bills de Jim Kelly em um Super Bowl e, ao longo de todos estes anos, anulou ou diminuiu a produção dos mais diferentes ataques potentes e lendários, alguns deles liderados por Peyton Manning.

O New England Patriots causa um ódio próprio nos Estados Unidos inteiros, tirando os seis estados que compõem a Nova Inglaterra, por seu domínio extremo nos últimos anos e outros fatores (“Miss Simpatia Belichick”, Spygate, Deflategate). Mas até o mais raivoso fã vai lembrar para sempre desses 16 anos espetaculares, com sete classificações ao Super Bowl na conta e 11 finais de Conferência Americana, desafiando o princípio que a NFL mais defende que é o de equilíbrio entre as franquias.

E é curioso notar algo comparando as duas equipes do Super Bowl. Os Patriots são um apanhado de escolhas de rodadas baixas e até não-draftados: Brady (6ª), Julian Edelman (7ª), Chris Hogan (grande na noite de hoje, não foi draftado), Malcolm Butler (não draftado) e a lista continua. Devin McCourty e Dont'a Hightower foram draftados na 1ª rodada, mas no fim delas, 27 e 25, respectivamente, e são exceções.

Já os Falcons têm seus três principais jogadores, na minha humilde opinião, escolhidos lá em cima no draft. Matt Ryan foi o terceiro escolhido no geral em 2008. Julio Jones foi o sexto em 2011 – com o time trocando com os Browns para subir na lista, cedendo escolhas de 1ª, 2ª e 4ª rodadas no ano e 1ª e 4ª no seguinte – e mais Vic Beasley em oitavo em 2015.

Enfim, o Super Bowl LI pode ser definido assim: caso você odeie os Patriots, é o duelo do bem contra o mal. Da surpresa contra a convenção. Do time sem tanta tradição contra o bicho-papão do século XXI. Não é tão ataque x defesa como Seattle Seahawks x Denver Broncos, mas a defesa dos Patriots fará um excelente duelo contra o ataque sensacional dos Falcons. E a defesa dos Falcons, rápida, jovem e até subestimada por muitos de nós ao longo da temporada, sendo um excelente desafio a Brady. Não é rico x pobre, porque na NFL isso não se configura, mas é o duelo dos que aproveitam o Draft para escolher as estrelas contra o que encara o draft como uma caça ao tesouro que ninguém consegue detectar.

Todo Super Bowl promete ser um jogo bom, ok, eu desdigo o que disse no título. Mas Packers x Patriots, ultrapassando o espetacular Brady x Rodgers, poderia ser uma lavada pela completa desgraça que é a secundária dos cabeças de queijo.

Já Falcons x Patriots não parece ter um ponto fraco. Falarei mais sobre o jogo na prévia que será postada na sexta-feira anterior ao Super Bowl.

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