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Redzone: Raio-X do Atlanta Falcons (Super Bowl LI)

Matt Ryan Atlanta Falcons

Crédito: Instagram/reprodução

Estamos continuando com nossa sequência de posts especiais na semana do Super Bowl (veja a explicação aqui). E se na última segunda-feira (30) foi o dia do Raio-X do New England Patriots, nesta terça (31) é dia do Raio-X do Atlanta Falcons.

Antes de a temporada começar, ninguém na imprensa previu o time como candidato ao Super Bowl. E nós não nos diferenciamos também. Eu escrevi na prévia que o time sofreria com a tabela e terminaria até abaixo de 50%, com 7-9. Caso você queira argumentos para me destruir, 2

Mas o que importa é que eles chegaram. E só outro time na história do Atlanta Falcons pode dizer o mesmo. E o da temporada 1998/99 não pode dizer que tem um anel por causa de John Elway e seus Broncos.

Ataque do Atlanta Falcons

Jardas por jogo: 2ª da NFL (415,8 jardas)
Total de pontos: 1º da NFL (540 pontos)
Jardas terrestres por jogo: 5ª da NFL (120,5 jardas)
Jardas aéreas por jogo: 3º da NFL (295,3 jardas)

*Os números são da temporada regular

O Atlanta Falcons chega ao Super Bowl LI como um dos melhores ataques da história da liga. “Ah, mas o Denver Broncos foi o mesmo no Super Bowl XLVIII, fez apenas oito pontos e levou 43 dos Seahawks”. É verdade, mas aquela defesa dos Seahawks era simplesmente assustadora e o fato de jogar em um estádio coberto, em Nova York, no meio do inverno, também pesou. Além da performance horrorosa de todos os Broncos.

Os Falcons vão jogar em um dome, assim como sua casa em Atlanta, e isso importa muito. E o fato de ser o primeiro Super Bowl em quase 20 anos da franquia pode fazer os torcedores do time se empolgarem mais e marcarem maior presença em comparação ao dos Patriots, que tratam a grande final como um fã de música que mora em São Paulo trata o Lollapalooza: é legal ir, mas se você perder logo tem outro.

Mas como o que importa é o campo e nós começamos no ataque, vamos aos dados. Eu sempre gosto de olhar para os números que Las Vegas cria porque eles são baseados não só em ciência e desempenho passado, mas também na expectativa do público. O que vou citar abaixo são as linhas que as casas de apostas colocam e você pode apostar que vai acontecer mais ou menos. Por exemplo:

Julio Jones – 94,5 jardas e 6,5 recepções

Mohamed Sanu – 48,5 jardas e 4,5 recepções

Taylor Gabriel – 50,5 jardas e 3,5 recepções

Austin Hooper – 24,5 jardas

Devonta Freeman – 3,5 recepções

Ou seja, se Jones tiver uma partida de 100 jardas em oito recepções, se você apostou no over de jardas (94,5) e recepções (6,5) você ganha as duas. Ambos são números altos por motivos óbvios: só na final de conferência contra o Green Bay Packers foram nove recepções para 180 jardas.

O problema é que Bill Belichick sempre parece conseguir anular pelo menos um grande alvo/rival do ataque e Jones pode ser vigiado de perto por Malcolm Butler. Isso não vai representar uma recepção para 9 jardas no jogo, mas pode tirar o potencial de big play.

Kyle Shanahan se mostrou um coordenador ofensivo brilhante com o trabalho que fez na temporada e em seu maior desafio na carreira ele vai ter que explorar novas fronteiras para bater os Patriots. O bom é que seu elenco possibilita isso: Devonta Freeman e Tevin Coleman poderiam chegar a 2.000 jardas juntos no jogo terrestre se esse time fosse montado para correr com a bola. Pode ser uma alternativa.

E a retirada de big play pode prejudicar Taylor Gabriel, que tem grande velocidade, mas este mesmo pode ser uma ameaça em rotas cruzando o campo na frente dos linebackers. E com Freeman e Coleman sendo ameaças também correndo rotas e mais o bom Austin Hooper como um alvo gigante no meio campo, Matt Ryan pode ter uma zona de conforto.

Você já deve estar quase Marcelo Tas de saber que Matt Ryan será o MVP da temporada 2016/17, mas uma coisa que deveria ser mais dita é que sua linha ofensiva tem bos jogadores e deu espaço para ele poder jogar, mas não impede ele de levar pancadas e tem seus momentos de desconcentração.  Foram 104 hits nele na temporada regular, sexta pior marca e 37 sacks, 14 a mais que os três quarterbacks dos Patriots sofreram no ano.

Ou seja, o camisa 2 vai agradecer por uma estratégia de jogo que beneficia os passes curtos e não faça ele ter que ficar esperando a rota de Julio Jones se desenvolver, até porque Malcolm Butler, Logan Ryan, Devin McCourty e cia limitada são ossos duros de roer.

A versatilidade do ataque dos Falcons é algo que impressiona. Bill Belichick adora tirar um ponto grande do ataque rival, mas aqui a hidra ainda teria (mais de) seis cabeças. Fazer os Patriots sangrarem de cinco jardas em cinco jardas pode ser bastante interessante.

Defesa do Atlanta Falcons

Jardas cedidas por jogo: 25ª da NFL (371,2 jardas)
Total de pontos cedidos: 27ª da NFL (406 pontos)
Jardas terrestres cedidas por jogo: 17ª da NFL (104,5 jardas)
Jardas aéreas cedidas por jogo: 28ª da NFL (266,7 jardas)

Sim, os números acima não empolgam absolutamente ninguém. E sim, a defesa pode ser a pior inimiga do ataque dos Falcons, permitindo que o New England Patriots e Tom Brady montem uma colônia de férias no gramado do NRG Stadium para escapar do frio de Foxborough.

Mas você não pode cair no engano de subestimar essa defesa baseado nos números acima. A unidade é composta por muitos jogadores em seu primeiro ou segundo anos e isso significa que é necessário tempo para se adaptar ao ritmo, velocidade e dificuldades com a complexidade da NFL.

O time sofreu 21 pontos de Aaron Rodgers, 20 de Russell Wilson e quem viu o jogo sabe que o relaxamento por esses jogos terem sido decididos muito antes do apito final fez com que esses números tenham chegado a isso. A velocidade dos Falcons é uma tremenda vantagem, seja para chegar no quarterback, com Vic Beasley liderando a NFL em sacks com 15,5, ou para cobrir zonas e recebedores rápidos na marcação individual. E, com Beasley ganhando atenção, jogadores como o mais do que veterano Dwight Freeney ganham espaço para fazer um spin e também apressar o QB rival.

Para completar, há ainda Deion Jones, excelente linebacker que liderou a liga em passes desviados entre jogadores de sua posição, com mais três interceptações na conta, e o safety Keanu Neal, draftado na primeira rodada pela franquia em 2016 e que forçou cinco fumbles por causa de seu violento tackle.

De'Vondre Campbell, Ricardo Allen e mais outros nomes povoam a defesa, que de fato, como unidade, não é um espetáculo, mas é capaz de forçar turnovers e alterar o momentum de uma partida.

Só que não adianta ser só um iludido: a ausência de Desmond Trufant é gigante. Ainda mais com um Julian Edelman e suas rotas intrincadas do outro lado.

Conclusão

Os Falcons são os que mais querem que este jogo vire um domínio dos ataques, porque com Matt Ryan, Julio Jones e mais diversas armas, seu poderio ofensivo é superior a qualquer time da NFL neste momento. E assim, uma big play da defesa pode dar a vitória ao time.

O problema principal é impedir que Tom Brady domine o relógio e Matt Ryan seja filmado na linha lateral com suas orelhas enormes segurando um boné na sua cabeça mais do que em campo dominando a linha de scrimmage.

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