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Redzone: Patriots me traindo, Rams na lona e Browns no Super Bowl

(Crédito: Twitter/reprodução)

A free agency da NFL não me decepcionou. Teve bons contratos, acordos claramente horríveis (falarei disso abaixo) e uma coisa muito curiosa acontecendo: a NFL está caminhando em direção à NBA em algumas coisas. Que coisas? Fica aí que só estou fazendo suspense.

Caso você não esteja bem informado sobre a movimentação que está rolando na NFL, veja nosso lindo e maravilhoso listão.

Cleveland Browns dando uma de Philadelphia 76ers

A troca que levou Brock Osweiler para o Cleveland Browns, é tirada de um manual de trocas da NBA, uma prática que nunca tinha sido usada na NFL.

Basicamente, todo o mundo, inclusive a mãe de Brock, sabiam que os Texans tinham cometido um erro ao assinar o QB pelo valor que assinaram. E tudo que os Texans queriam era se livrar desse erro. Então a franquia despachou o QB em um Cometa para Cleveland com um presente em mãos: uma escolha de segunda rodada e outra de sexta, ganhando uma escolha de quarta rodada em troca.

Então, basicamente, os Browns vão pagar por uma escolha de segunda rodada – as outras duas praticamente se equivalem – os US$ 16 milhões do salário de Osweiler. O time de Cleveland sabe que não vai disputar o título este ano e com a troca ganha mais uma escolha alta no draft e financeiramente ainda está bem, porque tinha muito espaço no teto salarial. Já Houston abre espaço no teto e se livra de um erro em forma de ser humano.

Browns e Texans saem vencedores na mesma troca. E a NFL vai começar a usar esse recurso da NBA, pode ter certeza.

Browns no Super Bowl cinquenta e algo

Pela primeira vez que sou um ser humano pensante, os Browns parecem ter um futuro, uma luz no fim do túnel. Com 100 milhões de dólares para queimar, o time começou a montar a sério seu elenco para os próximos anos. E como muitos times fizeram na história, estão reforçando suas duas linhas.

A linha ofensiva ganhou Kevin Zeitler (guard), J.C. Tretter (center) e ainda a renovação de Joel Bitonio (guard). Além, é claro, do eterno queridinho desta coluna, o left tackle/DEUS Joe Thomas. Assim, o time usa a mesma estratégia do Dallas Cowboys, Oakland Raiders e Tennessee Titans nos últimos anos: dinheiro e escolhas de Draft nos gordinhos da proteção ao quarterback.

Sobre a linha defensiva e pressão no quarterback, o defensive end Myles Garrett deve estar vindo por ai, ainda mais depois de seu combine impressionante.

Os Browns estão fazendo tudo certo. E nas três grandes ligas americanas estamos vendo toda hora times que estavam na lona há alguns anos, passando por reestruturações brutais e virando o jogo, escolhendo bem no Draft e trazendo peças cirúrgicas na free agency. Chicago Cubs – Krys Bryant e cia- , Golden State Warriors – Stephen Curry e Klay Thompson -, Denver Broncos – Von Miller e cia – e um pouco antes dos Browns no Super Bowl, veremos o Philadelphia 76ers (Joel Embiid e cia) nas finais da NBA. Só o New England Patriots que é a pentelha exceção à regra.

Falta um quarterback? Falta. Mas mesmo com Garrett e todos esses free agents, os Browns não devem ter uma campanha acima da média em 2017/18. E ai vem outro Draft com belas e altas escolhas e mais as picks por causa da troca com o Philadelphia Eagles antes do Draft de 2016. O futuro quarterback pode estar no Draft de 2018. Ou então Jimmy Garoppolo. Ou então até Deshaun Watson, campeão nacional por Clemson, já neste Draft.

Os Browns têm escolhas, espaço no teto salarial e um treinador que gosta de desenvolver talentos. É o pior melhor time para se estar.

E o pior pior time na NFL hoje?

Los Angeles Rams na lona

O primeiro ano do Los Angeles Rams de volta à cidade californiana foi deprimente. O time não importa no cenário esportivo da cidade, tem alguns jogadores muito bons (pobre Aaron Donald) mas buracos gigantes no elenco, um quarterback número 1 que teve um primeiro ano horroroso e a quinta escolha do Draft de 2017 é automaticamente do Tennessee Titans porque o time pagou caro por esse mesmo quarterback número 1.

O que pode deixar tudo pior? Pagar US$ 15 milhões garantidos e um contrato de US$ 39 milhões para Robert Woods, um wide receiver que na sua melhor temporada teve 699 jardas em 65 recepções. A única explicação para a contratação dele é que o time quer um ex-jogador da USC (University of Southern California) para vender camisas. Se for assim, pede para o O.J. Simpson dar uma força no marketing também.

Os Rams ainda têm espaço no teto (US$ 16 milhões), mas muitos contratos péssimos – Tavon Austin, o Percy Harvin piorado, tem um impacto de US$ 14 milhões na folha em 2017 – um quarterback que parece inseguro (Goff), um mercado consumidor nada empolgado com o time, um estádio de 2,6 bilhões que precisa ser enchido e possíveis estrelas perdendo tempo, saúde e a paciência (Donald e Todd Gurley).

Os Rams têm a pior situação da NFL hoje.

Brandin Cooks Saints

Crédito: Instagram/reprodução

New England Patriots me traindo

Há um ano eu fiz uma coluna falando que os melhores times não apareciam na free agency. Pois bem, os Patriots, atuais campeões, apareceram para a free agency e com tudo. A franquia de Bill Belichick estava impressionantemente entre o top 10 dos times com mais espaço no teto salarial. Isso porque quem aceita jogar e, Foxborough topa um corte no salário quase imediato, com Tom Brady sendo o carro-chefe dessa atitude.

Assim, o time foi às compras e até abriu mão de escolhas no Draft. Os Pats perderam Martellus Bennett, mas ele nunca foi o Aaron Hernandez sem sangue nas mãos que faria uma dupla imbatível com Rob Gronkowski. Agora, com Dwayne Allen, o time ganha um tight end bloqueador e que pode aproveitar as mãos de veludo de Tom Brady. É só ele ficar em campo.

O raciocínio para trazer Bradin Cooks é simples: Julian Edelman tem 31 anos. Danny Amendola não é craque. Chris Hogan pode ser um atleta de primeira, mas não é top da liga. E com Cooks esticando o campo com sua velocidade absurda, todos eles vão se beneficiar dos espaços abertos. O novo wide receiver é um presente de Belichick para o fim de carreira de Brady, um “vamos ganhar mais um ou dois antes de você ir curtir a Gigi e família”.

Já a contratação de Stephon Gilmore é mais enigmática. Ele foi bem no Buffalo Bills, mas nunca foi consistente o suficiente para ser colocado entre os melhores cornerbacks da liga. E Malcolm Butler é superior. Só que Butler pelo visto está dificultando as negociações por um novo contrato e é um restricted free agent.

Trazer Gilmore serve tanto como substituto para Butler como técnica de negociação: “Malcolm, eu sei que você protagonizou um dos maiores momentos da história do esporte e foi o CB número um de um time campeão. Mas temos X para te pagar e é melhor isso que ganhar 2X no 5-11 Chicago Bears”.

Com mais Kony Ealy, a volta de Alan Branch e a chegada de Lawrence Guy de Baltimore, os Patriots atacam uma necessidade evidente da temporada regular passada: a pressão no QB adversário. E com tudo isso, o time é um dos ganhadores da free agency até o momento e ainda mais favorito para estar no Super Bowl LII.

Os Patriots mudaram um pouco sua estratégia e também se aproximaram dos times da NBA, que têm menos nojinho da free agency que a galera da National Football League.

 

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