NFL

Redzone: nós superestimamos os quarterbacks (considerando só a semana 2)

Packers Rodgers Vikings quarterbacks

Crédito: Instagram/reprodução

O título desta Redzone é obviamente uma provocação, até os parênteses. Devia ter deixado sem, só para conseguir mais cliques. Na semana 2 da temporada 2016/17 da NFL, os quarterbacks foram os bichos mais superestimados da história do esporte. E isso obviamente resulta em muitos resultados bizarros, que quebram as pernas de apostadores, palpiteiros e jogadores de fantasy.

Vou logo para o tópico que importa que você deve estar curioso.

Nós superestimamos os quarterbacks

Sempre falo o contrário neste espaço: que por mais que reforçar as duas linhas (ofensiva e defensiva) seja vital para formar um elenco, só um quarterback bom te leva até lá. Nem precisa ser bom sempre, como Joe Flacco e Eli Manning já provaram, só ser ok na temporada regular e apelão em janeiro/comecinho de fevereiro.

Pois bem, na semana 2, tenho sete exemplos para falar e entrar em contradição. Vamos a eles.

– Aaron Rodgers

O Rodgers do meio da temporada passada e comecinho desta é um Rodgers de brilhos absurdos contrastando com campanhas relâmpago e passes estranhos. Não é culpa só dele: Eddie Lacy e próximos a ele mentiram para todo mundo ao dizer que ele era um homem diferente. Ele continua gordo. Ao ponto de meu pai, que desistiu de tentar entender o esporte, ver Mike Daniels (linha defensiva dos Packers) e dizer que ele era mais rápido e ágil que Lacy.

E a linha ofensiva, que proporcionou a Rodgers uma temporada de MVP e quase uma disputa de Super Bowl em 2014, também caiu de rendimento. Ontem foram cinco sacks. Os Packers não tem um TE top desde que Jermichael Finley quase morreu em campo, tem um running back gordo e mesmo Jordy Nelson seja muito bom, os outros recebedores são inconstantes. Ao ponto de ficar imaginando se foi certo abrir mão de James Jones pensando que Cobb voltaria a 2013/14 e o resto do elenco evoluiria nesta temporada.

Rodgers é monstro. Mas até ele nós superestimamos: um QB monstro não consegue ganhar jogos sozinho. Ainda mais contra a defesa dos Vikings.

– Tom Brady

Sim, eu sei que estou pisando em ovos. Mas me ouve. Na verdade, me lê. Brady não está no gramado e os Patriots estão 2-0. Brady não estava no gramado em 2008. E os Patriots conseguiram 11 vitórias e não foram para os playoffs por causa de um ano atípico.

Resumo da ópera: Bill Belichick é o Deus ali. Esse sim é insuperestimável. Ele é tudo isso. Ele é uma Brastemp. Ele é um Barcelona. A defesa segurou um ataque dos Cardinals que é Top de linha (Buccaneers que o diga) e só deixou os Dolphins pontuarem de verdade no super garbage time. E o ataque, mesmo sem Brady, MESMO SEM GRONK e com uma linha ofensiva sem gênios, continua uma máquina.

Com Brady, esse time é favorito para jogar em Houston no dia 5 de fevereiro. Mas o mais surpreendente é que mesmo sem ele, é capaz que Belichick fizesse esse time chegar pelo menos perto disso.

– Drew Brees

Pronto, agora estou citando a terceira vaca sagrada. A semana inteira fiquei pensando que Giants e Saints seria a reedição do duelo de 2015, quando o placar foi 51 a 48 para os nova-iorquinos. Pois bem, foi 16 a 13. A defesa dos Saints não permitiu um touchdown ofensivo. Mas Brees não conseguiu um passe para mais de 23 jardas e mesmo com três turnovers dos Giants, nada de vitória.

Os Saints têm um dos melhores quarterbacks do jogo. Mas estão destinados a mais um ano abaixo do medíocre.

– Andrew Luck

Você já deve ter notado que em todos os casos que estou abrindo, a culpa não é 100% do quarterback. O meu ponto é que algumas vezes nós acreditamos que eles bastam. Ou então chegam perto de bastar. E esta semana foi um tapa na cara. Andrew Luck novamente sofreu com sua linha ofensiva ruim e especialmente com o trabalho ridículo do general manager Ryan Grigson.

Grigson, que ganhou uma extensão nesta offseason depois de quase ser demitido, soma um caminhão de drafts péssimos e contratações horríveis na free agency. E mesmo com um talento que aparece uma vez em um período de 5-8 anos, esse time dos Colts já está 0-2 e vendo os Texans se apresentando para levar a AFC South novamente.

– Russell Wilson

Wilson já tinha ido mal no primeiro jogo, mas monstro que é conseguiu espremer mais uma vitória. Mas contra os Rams, o time não conseguiu evitar mais uma derrota para os carneiros, o que já se tornou um evento de todas as temporadas dos Seahawks: a derrota inexplicável para os sempre muito piores Rams, em um jogo bizarro.

Wilson tem vários problemas: uma linha ofensiva ruim, um tornozelo já baleado e um jogo corrido que simplesmente não funciona. Nem dá para dizer que é a falta de Marshawn Lynch, porque no ano passado ele já estava meia-bomba e em 2016 ele não seria o diferencial que já foi. 67 jardas totais pelo chão é deprimente. Só que Wilson com o braço e suas pernas também não está conseguindo fazer o time pontuar. E isso é o que mais preocupa.

Mudança de 180 graus agora

– Trevor Siemian

O Denver Broncos deste ano é um experimento que eu faria no Madden. John Elway, com uma mente maddeníaca, viu a defesa e uma dose de sorte e sobrenatural soprando a favor levar o Super Bowl 50 para o Colorado. Então, como ele sabia que Peyton Manning ia se aposentar e depois de Brock Osweiler vazar, ele tacou o fod%&: “vou meter um QB de sétima rodada, que nem o professor da universidade se lembra dele, e vamos ver se minha defesa repete o negócio.”

Pois bem, ela está repetindo. E Siemian, mesmo com três interceptações e um touchdown em dois jogos, consegue fazer alguns arremessos pontuais e conta com C.J. Anderson conseguindo todas as jardas possíveis. Sem QB, os Broncos venceram Panthers e Colts. O experimento está dando certo.

– Sam Bradford

Ele não virou gênio. Ele nem conseguiu entender todo o playbook dos Vikings ainda. Mas ele chegou em uma excelente situação. Adrian Peterson, mesmo se ele voltasse a campo lesionado, no último quarto, faria os 11 caras da defesa olharem para ele. A linha ofensiva dos Vikings ainda não está afinada, deixando Peterson exposto e o QB apanhando, mas deve melhorar nas próximas semanas.

E o melhor: Stefon Diggs é um recebedor número um, sem dúvida nenhuma.

Nós superestimamos os quarterbacks: Bradford pode ser bom mesmo não sendo bom, só porque ele tem companheiros ótimos e uma defesa espetacular. Aliás, o time está 2-0 com dois QBs titulares diferentes. E não é Joe Montana e John Elway. É Shaun Christopher Hill e Samuel Jacob Bradford.

Nós superestimamos os quarterbacks: sempre abrimos por eles, sempre destacamos eles, sempre falamos que um time sem QB não chega a lugar algum.

Pois bem, tudo isso pode ser verdade. Mas na semana 2 da temporada 2016/17, os bons quarterbacks foram ofuscados. Temos que falar mais dos outros jogadores.

Lista de outros jogadores sensacionais e você não pensou tanto

Não vou falar de J.J. Watt, que recuperou fumble, deu dois sacks e foi o trator de sempre para os Texans. Ok, já falei. Vou falar de outros jogadores que podem passar batido mas estão crescendo ou que merecem sua atenção

– Ryan Shazier: o linebacker dos Steelers deu 11 tackles ontem e foi o maior nome de um time com Antonio Brown e Ben Roethlisberger. A defesa dos Steelers pode ser sido subestimada na offseason: ela foi bem nos dois jogos iniciais.

– Will Fuller: o calouro dos Texans é o complemento perfeito para DeAndre Hopkins. Mesmo Brock Osweiler continuando com sua empreitada “não sei se sou um QB 5,5 ou 7,5”, ele tem dois wide receivers sensacionais e o novato é um velocista ameaça de big play eterna.

– Victor Cruz e Sterling Shepard: Shepard somou 117 jardas em um dia que os Giants não foram bem no ataque. E Cruz, uma semana depois de fazer o TD da vitória, fez uma recepção milagrosa para dar a vitória para o time de Nova Iorque. Ou seja, Eli Manning tem esses dois wide receivers e um tal de Odell Beckham Jr. Jesus.

Eu sei que você tem mais ideias para este tópico. Mande ela nos comentários, página do Facebook, email ([email protected]) ou qualquer outro jeito que você julgar conveniente.

Penso rápido

Em uma NFL que cada vez mais tem que lidar/se preocupar com lesões na cabeça, quando vão proibir os imbecis dos jogadores e treinadores de comemorar dando tapas no capacete ou literalmente dando cabeçadas uns nos outros?

Quando Gus Bradley vai ser demitido? Levar 34 a 0 até o fim do terceiro quarto de um dos piores times da AFC, sem um de seus melhores jogadores (Keenan Allen), depois do elenco ser pensado e formado como manda a cartilha, é digno de demissão no avião.

Bradley mais Rex Ryan e Jay Gruden brigam pau a pau agora. Coloco Gruden porque apesar de ter ido aos playoffs na temporada passada, a paciência em Washington ainda é pequena.

Comments
To Top