Redzone

Redzone: não fique surpreso se os Patriots trocarem Rob Gronkowski

Rob Gronkowski, tight end do New England Patriots

(Crédito: Instagram/reprodução)

Para esclarecer logo de cara, nesta primeira Redzone da depressão na longa offseason, eu não desejo que o New England Patriots troque Rob Gronkowski. Por mim, os ídolos só vestem um uniforme em suas carreiras. Mas depois que o torcedor dos Pats e guru do Quinto Quarto, Bill Simmons, comentou por cima essa possibilidade, baseado só em instinto e não em informação privilegiada, eu fiquei pensando.

E é completamente plausível que Bill Belichick trabalhe os telefones para saber pelo menos o valor de seu tight end.

Há um milhão de razões para isso. Ok, há quatro. Que eu consigo pensar. Vamos a elas.

Os Patriots ganharam o Super Bowl sem Gronkowski

Todo mundo sabe que Gronk é o melhor tight end da NFL. O principal alvo de Tom Brady junto com Julian Edelman. Carismático, vende camisas e ingressos.

Mas também há outra coisa inegável. Desde que ele foi mais uma vez para a mesa de cirurgia, no dia 1 de dezembro, os Patriots ganharam dos Rams no dia 4. Dos Ravens no 12. Dos Broncos. Jets. Dolphins. Nos playoffs bateram os Texans, arrasaram os Steelers e por mais que no Super Bowl tenham passado um sufoco danado e o camisa 87 tenha feito falta, veio o anel.

8-0 sem ele. Obviamente não é porque ele não estava que os Patriots ganharam. Mas eles ganharem mesmo assim deve fazer Belichick pensar “e se eu trocar ele por boas escolhas de Draft e reforçar mais ainda o elenco?” Por que…

Escolhas no Draft valem ouro e jovens>veteranos

Jovens > veteranos não é algo que inventei, mas sim uma regra básica para qualquer time que queira ser campeão na NFL. Com o teto salarial, você não pode ter contratos altos de jogadores que não rendem. E enquanto um free agent ou um veterano (aqui considero veterano alguém que está em seu segundo contrato) custam muito dinheiro, um calouro vem com um contrato de quatro anos, com a possibilidade de cinco, com valor pré-fixado.

Sabe quanto Malcolm Butler custou para os Patriots nesta temporada? Ridículos US$ 510 mil dólares. E em 2017/19? Pífios US$ 650 mil dólares. Só em 2018/19 ele será um free agent. E restrito ainda. Sabe quanto custou Darrelle Revis em seu ano de Patriots? US$ 12 milhões. Sabe quanto Revis custou para os Jets em 2016/17, não jogando nem metade do que Butler jogou? US$ 17 milhões. Os Jets claramente sobrevalorizaram o camisa 24 e pagaram um valor alto também porque o cornerback tinha conquistado o Super Bowl XLIX.

O salário de Rob Gronkowski está longe de ser um mastodonte: ele custou US$ 6,6 milhões para a folha salarial dos Pats, incluindo bônus, em 2016/17. Mas nos dois últimos anos de seu acordo esse valor sobe para US$ 11 milhões (2018) e US$ 12 milhões (2019).

Mas novamente, dinheiro na folha salarial não é o grande problema e sim…

Lesões, lesões e os verões da loucura

Todo mundo sabe que Rob Gronkowski é o senhor festa dos Estados Unidos. Estamos falando de um cara que organizou um cruzeiro, que não esconde que gosta de uma birita e que vive a vida como se não houvesse amanhã. Isso é errado? Claro que não. Mas é claro que está longe de como o modelo Tom Brady, monge franciscano do futebol americano, vive a vida. E Bill Belichick com certeza não deve separar o calção de banho para subir a bordo do cruzeiro de seu tight end.

O que quero dizer com tudo isso? Gronk é o modelo de jogador que não vai jogar até os 40. Não por causa apenas das festas e o desgaste das noites, mas também pelo seu histórico assustador de lesões para um jogador de 27 anos (28 em maio). São nove cirurgias oficiais, três nas costas (um pesadelo para qualquer atleta de alto rendimento), antebraço (4) mais joelho e tornozelo, uma vez cada.

São 29 jogos perdidos em uma carreira profissional de sete temporadas, ou seja, mais de 4 jogos perdidos por temporada. E ele é um tight end, uma posição que exige brutalmente do corpo: caso você não esteja bloqueando verdadeiras montanhas de músculos, você está correndo rotas e sendo marcado e derrubado por jogadores pesados, sejam linebackers ou safeties.

E a principal razão para eu achar que uma troca não é nada improvável…

Belichick já fez isso antes

Muitas e muitas vezes. Como um cão que fareja a morte, Belichick fareja quantos jogos você tem no tanque. No momento que os Pats abriram mão de Revis, ele nunca mais foi o mesmo. E você nem precisa estar acabado para a NFL para ser negociado: é só o seu valor no mercado ser superior à contribuição que você pode dar ao time. Wes Welker teve bons momentos em Denver, mas Julian Edelman pedia espaço e era muito mais barato. Hoje sabemos quem tomou a decisão certa.

Randy Moss foi trocado no meio da temporada 2010/11 e o time ganhou uma escolha de terceira rodada por um wide receiver que já não era mais o mesmo.

O DE Richard Seymour era figurinha carimbada no Pro Bowl, três vezes All-Pro e três vezes campeão do Super Bowl pelos Patriots. Entrou no ano de contrato (2009/10), ele foi trocado para o Oakland Raiders por uma escolha de primeira rodada. Ele ainda jogou bem, mas uma escolha de primeira rodada vale ouro. Sabe quem o time de Foxborough selecionou com ela? O cara que protegeu o lado cego de Tom Brady nos dois últimos Super Bowls conquistados: Nate Solder.

E podemos citar mais um milhão de casos de jogadores que Belichick trocou no momento certo, ou aproveitou o valor alto para ganhar uma boa recompensa ou se livrou de ter que oferecer um contrato caro para poder reforçar outras deficiências. O último caso foi Jamie Collins.

Para mim, Gronkowski é o primeiro exemplo dos que citei acima. Ele ainda tem gasolina no tanque, mas tudo indica que pode não ser muita, seu valor ainda é muito alto no mercado e há times que precisam de um jogador carismático.

Gronk em LA? Ou em Nova York?

Los Angeles Rams e Los Angeles Chargers precisam conquistar o público blasé de Los Angeles. Quer algo melhor que um tight end hiper-carismático? Antonio Gates estava nas últimas há dois anos e mesmo ainda rendendo um pouco, a sucessão estaria mais do que garantida com Gronk. Vale lembrar que os Chargers têm jogadores muito talentosos. Para ficar em três: o defensive end Joey Bosa, o running back Melvin Gordon e o wide receiver Keenan Allen. E mais um quarterback que está longe de ser um zero à esquerda em Philip Rivers.

Os Rams têm menos talento, mas a mesma necessidade de causar impacto no público. Ainda mais com um estádio de US$ 2,6 bilhões que está sendo construído e que vai precisar desesperadamente de pessoas comendo, bebendo e torcendo para valer a pena. O time hipotecou o futuro com a troca para subir no Draft e selecionar Jared Goff, mas ainda pode fazer mais uma loucura para conseguir Gronk.

E se é para continuarmos em mercados grandes, os Giants podem querer o TE. E Chicago? E San Francisco? Enfim, são poucos os times que não precisam de um tight end e podem achar que Rob Gronkowski tem sim corpo suficiente para continuar na NFL. E é ai que Bill Belichick pode arrancar até uma escolha de primeira rodada por ele.

Para concluir

Eu quero isso? Claro que não. Tom Brady quer isso? Muito provavelmente não. E Gronk? Quer deixar de receber passes de um dos melhores, se não o melhor, QB de todos os tempos? É claro que não. Mas Bill Belichick não tem coração, alma ou um sorriso humano para exibir. Não fique surpreso se você abrir o Quinto Quarto e descobrir que Rob Gronkowski não é mais um jogador do New England Patriots.

Popular

Copyright © 2015-2021 - https://www.quintoquartobr.com/

+18 Jogue com responsabilidade


Copyright QuintoQuartoBR

To Top