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Redzone: agradeçamos aos céus por Drew Brees e Cairo Santos

Drew Brees Saints

Crédito: Instagram/reprodução

Com o futebol brasileiro finalizado, eu vou ter um déficit de ouvir o nome Santos na televisão e com dezembro chegando, a NFL vai esquentar até o ponto de ebulição antes dos playoffs. Por isso, os dois nomes a quem dedico esta coluna importam tanto. Na verdade essas razões que falei agora são inventadas, mas você entendeu.

Meu ponto é que nós temos que homenagear por dois grandes homens da NFL nesta segunda-feira. Direcione o pedido para Deus, Alá, Jack Johnson, São Marcos, Charles Manson, enfim. O que importa é valorizar Drew Brees e Cairo Santos.

Drew Brees

Nós vimos Tom Brady e Peyton Manning em todos esses anos de NFL com espaço no Brasil e por isso é duro não começar uma lista de quarterbacks espetaculares e mitológicos tacando os nomes do camisa 12 e o ex-camisa 18, ainda mais porque tinha uma rivalidade entre eles, batendo cabeça na AFC quase todos os anos.

E assim pode escorrer pelo ralo a lembrança por Drew Brees. Ele não foi a primeira escolha do Draft como Manning ou o vencedor de Super Bowls que Brady é, mas Brees tem números que se aproximam do primeiro e um anel para poder lustrar quando se aposentar. E mais uma temporada sensacional  com 37 anos nas costas.

Antes do domingo começar, eu dou uma rodada pelos jogos para saber no que apostar  me informar. E Saints contra Rams entrou na minha cabeça como um desafio difícil para o camisa 9 e companhia, já que a defesa dos Rams é cascuda, com um tal de Aaron Donald para povoar seus pesadelos. No fim foram 49 pontos, 310 jardas, 4 TDs e nenhuma interceptação. O pesadelo se tornou um passeio pelo Hopi Hari sem possibilidade de despencamento.

Na temporada o aproveitamento de passes do maior ídolo não-músico da Louisiana é de 71,5%, com 3587 jardas, 30 TDs e oito interceptações. Ou seja, mais uma temporada que se continuar nesses moldes, será de 5000 jardas. Quando Brees começou a carreira em 2001, apenas Dan Marino tinha conseguido uma temporada de 5 mil jardas. Hoje, oito vezes essa marca foi alcançada, quatro vezes pelo camisa 9, que ainda bateu na trave mais duas vezes.

E usando Manning novamente, Brees não teve um Hall da Fama e um que logo estará lá (Marvin Harrison e Reggie Wayne) recebendo seus passes. Seu maior recebedor nos anos de Nova Orleans foi o não-draftado e subvalorizado Marques Colston. Mas até quem tem uma camisa 12 de Colston sabe que ele só irá para Canton quando Brees chamar para sua cerimônia.

Algumas Redzones atrás eu disse que os Saints tinham que trocar Brees para começar uma reconstrução de verdade. Claro que essa é uma atitude mais extrema que as do ISIS, mas com cinco vitórias e seis derrotas, o time não deve ir para os playoffs de novo, por mais que ainda existam chances. E assim, os últimos anos do quarterback estão indo embora sem o palco que ele merece. Mas indo ou ficando, o fã da NFL tem que lembrar de Brees no mesmo nível de adoração que Manning e Brady e Nova Orleans tem que construir uma estátua do tamanho do Superdome para ele.

Cairo Santos

Eu sei que não falo tanto de Cairo Santos como deveria, ainda mais porque compartilhamos a mesma língua e país de origem. Mas venhamos e convenhamos, ele é um kicker e os kickers sempre se ferram.

Só que nesta temporada, justamente pelos kickers só se ferrarem, é que devo falar de Cairo. Blair Walsh queimou seu nome. Stephen Gostkowski passou de polonês quase tão importante para os Patriots como Gronkowski para ameaça de perda de pontos a todo instante. Mike Nugent pode ser atacado por Vontaze Burfict no vestiário a qualquer momento. Roberto Aguayo veio do Draft… ok, você já entendeu.

Ou seja, há um inferno astral para (quase) todos os kickers da NFL. Mas Cairo não só manteve seu nível mas aumentou ele: só Justin Tucker acertou mais field goals que ele na temporada (27 a 25), o que é importantíssimo para os Chiefs, que tem um ataque nada explosivo mas que consegue jardas (devido a Alex Smith) e precisa de pontos de todos os lados que der. A porcentagem de Cairo em acertos de field goal entra no top 10 (7º) e nos extra points, que estão sendo destrutivos para a alma dos chutadores, ele errou um em 22 tentados. O citado Gostkowski, um dos melhores da liga, mas em péssima fase, errou 3, um deles ontem contra os Jets.

Ou seja, não há razão para ser menos críticos, um pouco áulicos e completamente dementes só porque ele é brasileiro. Cairo está em alta  enquanto a categoria está sendo discutida. E mesmo que Andy Reid quase tenha tido um infarto – não se pode chutar na trave na prorrogação quando seu treinador tem o peso de dois centers – Santos ainda mostrou que é clutch.

É difícil falar no impacto que ele pode ter para o esporte no Brasil, já que o esporte, apesar de crescer em interesse, segue sendo algo restrito e o jogo dos Chiefs não é algo que faz o país ir para a TV com curiosidade como os jogos de Guga em Roland Garros, por exemplo. Mas mesmo que uma pessoa decida chutar uma bola de futebol americano por causa dele, o efeito desejado já foi encontrado. Devemos agradecer Cairo.

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