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Ray Lewis dá show em discurso de entrada no Hall da Fama; veja resumo da cerimônia

Ray Lewis faz seu discurso de entrada no Hall da Fama do Futebol Americano Profissional (PFHOF)

(Crédito: Twitter/reprodução)

Mais oito lendas entraram oficialmente na noite deste sábado (4) para a galeria de imortais do futebol americano. A Classe de 2018 do Hall da Fama do Futebol Americano Profissional (PFHOF) foi introduzida em cerimônia realizada em Canton, Ohio, e os discursos foram muito emocionantes.

Ray Lewis, Randy Moss, Brian Dawkins, Brian Urlacher, Jerry Kramer, Robert Brazile e Bobby Beathard falaram sobre a emoção de entrar em um grupo tão seleto e agradeceram às muitas pessoas que lhes ajudaram em sua trajetória no esporte.

Terrell Owens, outro membro da Classe de 2018, organizou uma cerimônia separadamente de seus colegas e fez seu discurso mais cedo na Universidade de Chattanooga-Tennessee.

E para você que não acompanhou (e também para os que acompanharam o evento), o Quinto Quarto traz um resumo todo especial dos discursos dos sete gênios que foram eternizados na história deste esporte que tanto amamos. O discurso de Owens está hiperlinkado logo acima.

– Ray Lewis

Um dos principais nomes da Classe de 2018 do Hall da Fama, Ray Lewis fez jus ao seu estilo intenso da época de jogador e simplesmente não quis fazer o discurso na bancada, parado. Em vez disso, ele utilizou um microfone de rosto para conseguir proferir suas palavras se deslocando e sempre gesticulando.

E o ídolo do Baltimore Ravens deu um verdadeiro show, digno de seus 17 anos como linebacker na NFL.

Com um discurso daqueles que ficarão para sempre na história como um dos mais emblemáticos e também como um dos mais longos (durou 33 minutos e 17 segundos), Lewis mandou uma mensagem motivacional que vai além do futebol americano.

“Podemos deixar de ser lendas e construir um legado maior que o futebol americano, maior que os esportes. Eu quero que nós trabalhemos juntos para realmente assumir esses desafios para ver nossas metas naquilo que nos une”, falou Lewis. “Como podemos nos unir? A resposta é simples. A resposta é amor. Esperança, fé e amor e o maior é amor”, prosseguiu.

Duas vezes eleito o Jogador Defensivo do Ano da NFL, sete vezes All-Pro, e escolhido MVP do Super Bowl em 2000, Lewis até dançou no pódio ao lado de Jonathan Ogden, seu ex-companheiro de equipe, e mostrou mais uma vez por que é considerado um dos maiores líderes da história da NFL.

O ex-LB dos Ravens mandou uma mensagem para incentivar as pessoas a encontrar um significado e um propósito em suas vidas.

“Ouçam, nossa lápide tem um dia. Um dia quando você nasce e um dia quando você morre e eles têm um traço no meio. E esse traço define qual é o seu legado”, observou.

Ainda que sua carreira em campo tenha acabado, Ray Lewis garantiu que ainda tem trabalhado duro para fazer a diferença na vida dos outros.

“Eu fui um líder em campo então e sou um líder na comunidade agora. Eu me juntei a um novo time e meu objetivo é claro com esse time: levantar meus irmãos e irmãs, inspirar os líderes desta próxima geração. Lutar por amor, não por dinheiro, fama, sucesso, não por quantos seguidores eu tenho, mas lutar por amor”, afirmou. “Minha mãe uma vez me disse: ‘vença a corrida. Corra sua corrida, Ray. Não desista. Não fique sentado. Não se deite. Mas levante-se, vá em frente e eu irei com você’”, completou.

– Brian Dawkins

Um dos safeties mais lendários da NFL, Brian Dawkins mostrou toda sua intensidade também em seu discurso em Canton. Ele abriu seu pronunciamento com um sonoro “Aleluia!” e foi ovacionado pelos torcedores do Philadelphia Eagles presentes.

O defensor, que atuou por 16 anos na NFL, também fez um discurso memorável e emocionante, agradecendo familiares, amigos, companheiros de equipe e torcedores por lhe apoiarem. E Dawkins tocou profundamente nas dificuldades pessoais que o tornaram mais forte.

“Há um propósito em minha dor. Eu sofria de depressão. Eu passei por isso poderosamente durante meu ano de calouro. Eu sofria com pensamentos suicidas. E eu não estava sofrendo apenas com pensamentos suicidas, eu estava planejando a maneira como eu me mataria para minha esposa receber o dinheiro. Mas o que essa dor fez por mim, aumentou exponencialmente minha fé. Eu cresci aos trancos e barrancos por causa das coisas que eu passei…”, afirmou, de forma emocionante. “Então, para aqueles que estão passando por tudo agora, há esperança! Vocês têm esperança! Há algo do outro lado disso! Não fiquem onde vocês estão! Continuem andando. Continuem empurrando!”, falou.

Em seu discurso, Dawkins deu até espaço para seus “haters”, que ele acredita terem sido também os responsáveis por levá-lo até o Hall da Fama.

“Eles me deram ainda mais energia. Então, meus haters se tornaram meus elevadores. Eles me ajudaram, obrigado. Obrigado a todos que duvidaram de mim e me disseram o que eu não poderia fazer”, ressaltou.

– Randy Moss

Ex-wide receiver do Minnesota Vikings, New England Patriots e outros times, Randy Moss foi um dos jogadores mais talentosos de toda a história da NFL. E, na noite deste sábado, ele fez questão de agradecer aos torcedores, companheiros de equipe, treinadores e proprietários de time por terem tornado sua carreira na liga uma realidade.

Ele agradeceu especificamente aos Vikings por terem apostado nele.

“Eu quero agradecer a todos os verdadeiros torcedores do Minnesota Vikings por serem capazes de ficar comigo nos altos e baixos, estradas esburacadas – isso é para nós”, declarou Moss, que previu um título de Super Bowl em breve para os Vikings.

Moss também agradeceu ao Oakland Raiders, ao Tennessee Titans e ao San Francisco 49ers pela fé que demonstraram nele.

O lendário wideout fez questão de agradecer também especialmente Robert Kraft, dono dos Patriots, e o técnico Bill Belichick, dos Pats, que estava assistindo em pé dos bastidores.

“Eu quero agradecer a você por ter sido um amigo quando nem sempre se tratava de futebol americano. Você me mostrou o quanto eu amava o esporte. Você me desafiou todos os dias a ir lá e ser ótimo. Você me desafiou a ser grande. E sinto muito por não temos o trazido (título) para casa”, falou Moss para Belichick. “Todos esses prêmios individuais não significam nada para mim. Futebol americano é um esporte coletivo. (…) Para todos os meus companheiros de equipe, treinadores, gerentes de equipamento que estão presentes hoje, quero agradecer a todos porque todos são necessários. É preciso todos os 11 de nós”, finalizou.

– Jerry Kramer

Um dos maiores nomes da história do Green Bay Packers, o ex-guard Jerry Kramer foi selecionado pela franquia de Wisconsin no draft de 1958 e teve uma trajetória brilhante na NFL.

Em seu discurso em Canton, Kramer fez uma reflexão sobre as lições de vida que ele aprendeu jogando futebol americano e atuando em algumas das lendas dos Packers comandados pelo icônico Vince Lombardi.

Logo no começo de sua carreira, ele recebeu um recado claro de Lombardi: “nós vamos trabalhar mais do você trabalhou na sua vida. Há apenas três coisas na sua vida: seu deus, sua família e o Green Bay Packers”.

Kramer teve que enfrentar muitas rejeições antes de entrar no Hall da Fama, sendo eleito finalista em 11 oportunidades antes de finalmente entrar. Ele foi All-NFL em cinco oportunidades e foi membro do time da década de 1960 da NFL.

As lições que ele aprendeu no esporte moldaram o homem que ele é, como ele mesmo fez questão de ressaltar.

“Muita coisa na vida é uma questão de escolha. Para resumir tudo: depois de o jogo acabar, as luzes do estádio serem apagadas, o estacionamento esvaziar, você está de volta no silêncio do seu quarto, o anel de campeão está na cômoda. A única coisa que resta neste momento é que você leve a vida de qualidade e excelência e torne todo este mundo um lugar um pouco melhor porque você esteve nele”, falou. “Você pode se você quiser. Você pode, se você quiser”, finalizou.

– Brian Urlacher

Lenda do Chicago Bears, Brian Urlacher foi mais um linebacker monstruoso a entrar no Hall da Fama neste ano e ele agradeceu seus companheiros de equipe, famílias e amigos pelo papel fundamental que tiveram em sua carreira. E Urlacher expressou sobre como ele deseja que as pessoas lembrem de sua carreira.

“Esse é o meu momento de legado. Como jogador, eu só quero ser lembrado como um bom companheiro de equipe, é isso. Eu quero ser lembrado como um cara que faria qualquer coisa por seus companheiros de equipe e sempre iria além de você”, expressou. “Eu sinto que joguei da maneira. Eu me diverti quando estava lá. Eu respeitava os adversários assim como os colegas de equipe e treinadores. Eu posso ser uma das pessoas mais competitivas que você já conheceu. Eu quero ganhar todos os snaps, todos os jogos, mesmo que não fosse possível (…) não era realmente sobre a conquista, tratava-se do desafio. Todos os momentos, todos os treinos, todos os jogos, em todos os lugares: eu adoro competir. A competição está no meu DNA”, completou.

– Robert Brazile

Mais de 30 anos depois de se aposentar, Robert Brazile finalmente entrou no Hall da Fama e ele demonstrou em seu discurso toda a intensidade demonstrada em sua carreira, que o levou a ser cinco vezes selecionado para o All-Pro.

“Quando eles bateram na minha porta, todos os meus sonhos se tornaram realidade. E, depois de todos esses anos, eu estou em casa!”, afirmou, de forma empolgada, o ex-linebacker.

Brazile agradeceu sua família e todos os jogadores e treinadores que tornaram sua jornada até Canton uma realidade. Brazile é membro do time da década de 1970 da NFL.

– Bobby Beathard

Ex-executivo da NFL, Bobby Beathard foi um finalista como Contribuidor e agora está no Hall da Fama devido ao seu excepcional trabalho ao longo de quatro décadas divididas entre Chiefs, Falcons, Dolphins, Redskins e Chargers.

Beathard é mais conhecido por seu trabalho nos Redskins, onde ele se tornou general manager em 1978.

O executivo ficou conhecido por trocar muitas de suas escolhas de primeira rodada de draft e o time dos Redskins que faturou o título do Super Bowl XVII tinha 27 jogadores contratados na free agency. Beathard liderou Washington a dois títulos de Super Bowl.

Ao longo de sua carreira, seus times foram a sete Super Bowls e venceram quatro.

O discurso de Beathard foi gravado anteriormente e exibido na noite deste sábado. Nele, o ex-GM lembrou de quando aceitou o trabalho nos Redskins do então proprietário Jack Kent Cooke e como foi a “melhor decisão” que ele tomou.

Ele também agradeceu ao ex-técnico Joe Gibbs, também membro do Hall da Fama, por “levá-los a três Super Bowls”.

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