NFL

Rams aproveitam péssima metade final dos Raiders e vencem Jon Gruden em sua reestreia

Todd Gurley Rams

O Los Angeles Rams foi perdendo por três pontos para o intervalo – 13 a 10 – mas soube fazer todos os ajustes e simplesmente dominou o Oakland Raiders em seu Coliseum na segunda metade da partida, vencendo por 33 a 13 na reestreia de Jon Gruden como treinador na NFL.

Algumas vezes o futebol americano é previsível. Depois de um primeiro tempo cheio de atitude e com muito barulho no Black Hole e no estádio inteiro no geral, os Raiders empacaram completamente. Derek Carr foi conservador demais em seus passes e, quando resolveu soltar o braço, cometeu dois erros crassos, um deles retornado para touchdown.

O Los Angeles Rams soube aproveitar e foi o único time de sua divisão, a NFC West, a vencer. Os Niners perderam para os Vikings, os Seahawks foram derrotados pelos Broncos e os Cardinals foram atropelados pelos Redskins.

Já na AFC West os Raiders vão ter que correr atrás. Além de ter um time inferior que o Kansas City Chiefs, a equipe já sai atrás dos Broncos. O Los Angeles Chargers, que também tem bastante talento em seu elenco, foi derrotado por Kansas City na estreia.

Aliás, mais um detalhe curioso: os novos treinadores perderam os sete jogos que disputaram na semana 1 da NFL. Começo nada bom para quem acabou de assumir seu time.

Mas por que você disse que o futebol americano é previsível algumas vezes?

Eu cheguei para o jogo do Monday Night Football com três “coisas” que queria muito ver. A primeira era a falta que Khalil Mack faria e o que o Oakland Raiders poderia apresentar para compensar a saída do sensacional pass rusher.

A segunda coisa era ver como o ataque dos Rams desempenharia em sua segunda temporada sob o comando de Sean McVay. A adição de Brandin Cooks importaria muito? Os outros times entenderiam McVay após uma temporada dele mostrando suas cartas? Como Todd Gurley jogaria após um 2017 de quase-MVP?

E por fim, claro, Jon Gruden. Depois de quase 10 anos sem treinar uma equipe, ele voltou para onde trabalhou na virada dos anos 90 para os 2000 com sucesso, um contrato absurdo de US$ 100 milhões, várias movimentações estranhas e polêmicas e em uma NFL completamente diferente.

Começando pelo último, os Raiders pegaram a bola na 1ª campanha e deixaram Marshawn Lynch trabalhar em todos os tipos de corrida. Quando teve tempo, Derek Carr não olhou tanto para seus wide receivers, ficando focado em Jared Cook. E isso se manifestou a noite inteira, com o tight end tendo um jogo incrível de nove recepções e 181 jardas.

Gruden declarou que gostaria de trazer alguns conceitos da NFL de 20 anos atrás para os gramados de 2018. E o touchdown de Lynch foi uma mostra de uma fisicalidade anos 50: o running back foi parado na linha de 4, mas com sua força e a ajuda dos jogadores de linha o bolo foi empurrado até a end zone. Touchdown logo na primeira campanha.

Então, por enquanto, a questão Gruden estava bastante interessante.

Indo para a segunda “coisa”, o ataque dos Rams engrenou na segunda campanha, com um passe longo de Jared Goff para Robert Woods e uma bela corrida de Todd Gurley, que achou a faixa na lateral e correu até a end zone para empatar o jogo. Goff e companhia conseguiram fazer algumas big plays no primeiro tempo, ajudados também por faltas dos defensores dos Raiders.

Dois lances impediram que o placar fosse maior no intervalo: Carr cometeu seu primeiro erro, sendo interceptado na end zone. E Greg Zuerlein errou um field goal de 46 jardas, claramente derrapando seu pé de apoio na terra do gramado do Coliseum.

Sim, terra, porque os Raiders dividem o estádio com os Athletics e o infield permanece mesmo em jogos de futebol americano.

Tenho que notar que o field goal foi mais longo porque uma pressão de Bruce Irvin gerou um sack e fumble. O ataque recuperou a bola, mas Zuerlein errou o field goal.

Com 13 a 10 no placar no descanso, a torcida dos Raiders estava confiante. Mas o segundo tempo foi simplesmente brutal.

Os Rams tiveram a bola na primeira posse, avançaram 60 jardas e Goff começou a achar seus recebedores com mais facilidade. O resultado foi apenas um field goal, empatando a partida.

Mas a tônica do jogo mudou e isso ficou evidente na metade final: a linha ofensiva simplesmente começou a dominar a defensiva, dando tempo para Goff  (18/33, 233 jardas e 2 TDs) achar Cooper Kupp – 5 recepções, 52 jardas e 1 TD – e Brandin Cooks, 5 recepções, 87 jardas, com frequência. O pass rush sem Mack foi inexistente com pressões normais, tendo que apelar para blitzes para ter sucesso.

E, claro, todo esse domínio da OL gerou espaços também para Todd Gurley operar: foram 20 carregadas para 108 jardas e um touchdown.

Já com Derek Carr foi justamente o contrário. Amari Cooper foi péssimo, com apenas uma recepção para 9 jardas. Jordy Nelson teve três recepções. Dá para explicar isso com a marcação sufocante de Aqib Talib e Marcus Peters, ambos estreando pelos Rams.

Carr então abusou de passes rápidos e curtos para running backs – Jalen Richard teve nove recepções dessa forma – com medo da pressão exercida por Aaron Donald, Ndamukong Suh e Michael Brockers. E com razão. No meio do último quarto, os Raiders tinham apenas um passe certo para 5 jardas no segundo tempo. E 0 pontos no placar.

E isso só piorou quando Carr (29/40, 303 jardas, 3 INTs) deu um passe horroroso, um pato morto interceptado por Cory Littleton e no fim do jogo mandou outro nas mãos de Peters, que correu até a end zone para dar números finais ao jogo e fazer o Black Hole se esvaziar.

Então quais são as respostas para as “coisas” que falei?

Khalil Mack já fez muita falta. Os Raiders conseguiram apenas um sack e até tiveram duas jogadas importantes de pressão no QB, mas isso é muito pouco. No segundo tempo, especialmente, Goff teve tempo para achar seus recebedores e Gurley sobrou nas corridas.

Sabe no que Mack é genial? Pressionando o QB e parando a corrida.

O ataque de Sean McVay não pegou no tranco imediatamente, mas isso é normal. Com uma linha ofensiva que segue dominante, o normal é que o ataque até possa demorar um pouquinho para engrenar, mas quando a OL se estabelece, Goff vai achar Kupp, Cooks e Woods e Gurley terá espaço para fazer o que quiser.

Vale notar que a equipe mal saiu de sua formação com três WRs, um tight end e um running back – 40 de 43 snaps ofensivos até o decorrer do último quarto -, mas fez todo tipo de jogada com essa formação, desde passes longos, screens, jet sweeps e corridas de todo gênero. Isso é o que McVay traz: um cardápio variado, mesmo que os ingredientes não mudem.

E, por fim, as chamadas de Gruden não chamaram tanta a atenção, tanto pelo sentido positivo como negativo. O problema maior foi a qualidade dos jogadores. Derek Carr queria se livrar logo da bola para não sentir o peso de Donald e Suh, mas isso prejudicou a equipe em diversos momentos.

Cooper e Nelson também não souberam se livrar da excelente secundária rival. E quando Carr precisou soltar o braço para avançar de verdade com seu ataque e vencer a partida, ele foi atroz. Gruden vai ter trabalho.

Comments
To Top