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Caminho dos Rams até o Super Bowl LIII: explosão, queda, polêmica e Sean McVay

Los Angeles Rams

Este é o primeiro texto especial do Quinto Quarto na preparação para o Super Bowl LIII, nosso oitavo desde que começamos o programa na Rádio Gazeta AM 890 e nosso sétimo com site no ar e ocupando espaço nesta nave louca chamada internet. E as próximas linhas vão tratar sobre o Los Angeles Rams e seu caminho até o grande jogo do dia 3 de fevereiro de 2019, que será realizado em Atlanta.

Este é o quarto Super Bowl da franquia que começou em 1936 como Cleveland Rams, tornou-se Los Angeles Rams em 1946, perdeu o Super Bowl XIV (1979) para o Pittsburgh Steelers e mudou-se em 1994 para St. Louis. No Missouri o time viu Kurt Warner cair do céu – na verdade de um supermercado de Iowa, onde ele foi estoquista – para ganhar seu primeiro troféu em 1999 e perder para o New England Patriots em 2001.

Caso você seja um pouco chato, vale afirmar que os Rams venceram o campeonato da NFL em 1945 quando ainda estavam em Cleveland – 15 a 14 contra os Redskins – e tiveram o bi já em LA em 1951 (24 a 17 contra os Browns).

Podemos chegar em 2019, seu chato?

A trajetória dos Rams até o Super Bowl LIII

Depois da era Jeff Fischer ter terminado com 90% dos fãs deprimidos, Sean McVay chegou com seus 31 anos de idade já causando. Ele montou um ataque dinâmico, moderno e que usava Todd Gurley como cavalo de carga e Jared Goff ficando confortável com alguns passes fáceis programados e recebedores bons de rota, como Robert Woods. Aaron Donald na defesa já era um monstro e ainda ganhou o veterano Wade Phillips como mentor.

Porém, na primeira temporada, a equipe acabou parando no Atlanta Falcons em um jogo meio maluco no wild card round. Não houve crise porque o time era reconhecidamente jovem e talentoso, mas também um pouco verde para momentos tão pesados.

Para 2019, a franquia foi às compras para aproveitar que Goff e Gurley estão nos contratos de calouro, liberando espaço no teto para contratações. O time pegou Aqib Talib na free agency, aproveitou que Marcus Peters encheu o saco de todos em Kansas City para reforçar a secundária e trouxe Ndamukong Suh para criar um par de dar medo com Donald na DL. Para o ataque, a chegada de Brandin Cooks foi uma melhora em relação a Sammy Watkins. A linha de Las Vegas para os Rams era de 10 vitórias e nós palpitamos que teria 11.

A equipe começou com oito vitórias em oito jogos. Bota nessa conta um 34 a 0 contra os Cardinals, vitórias contra Chargers e Vikings, equipes respeitadas no momento e um triunfo contra o Seattle Seahawks em Seattle. O MVP até aquele momento era Todd Gurley, que já tinha 15 TDs e projetava mais de 2300 jardas de scrimmage. Aaron Donald estava animalesco na defesa, destruindo pockets e com 10 sacks em meia temporada mesmo jogando no meio da linha. Porém, a defesa de Wade Philips permitia pontos, cedendo 31 pontos duas vezes e 27 uma vez nessa sequência.

E isso ficou de ceder pontos claro no maior desafio até aquele momento. Na semana 9 a equipe viajou até Nova Orleans para pegar os Saints em um duelo que já era vital para saber quem seria o melhor da Conferência Nacional na temporada regular, tendo mando de campo nos playoffs. O placar de 45 a 35 foi preocupante, mas mais ainda as 68 jardas de Gurley e a defesa permitindo que Drew Brees fizesse o que queria – 346 jardas, 4 passes para TD – e Alvin Kamara não parasse de entrar na end zone: 3 touchdowns, dois corridos e um recebendo.

Não era o fim do mundo. Uma vitória contra o Seattle Seahawks levou o time a 9-1 antes de um duelo contra o Kansas City Chiefs que prometia. O jogo era para ser na Cidade do México, mas acabou sendo em LA por causa do pasto que estava o estádio Azteca. Sorte dos californianos que viram um tiroteio de 105 pontos que teve os Rams como vitoriosos e 500 textos sobre como a liga seria só ataques a partir dali. Eu só não fiz um porque fui vagabundo. Sean McVay estava na crista da onda.

Mas algo digno de negativo saiu daquele jogo para os Rams: Todd Gurley teve apenas 55 jardas corridas e dos cinco touchdowns do time, nenhum deles foi do running back, algo inimaginável nas semanas anteriores. Depois do bye, o time bateu os Lions com excelente jogo do RB, mas uma derrota feia para os Bears com Goff lançando quatro interceptações e o ataque conseguindo míseras 214 jardas ligou um alerta.

O jogo seguinte era um duelo contra o Philadelphia Eagles em casa. E Nick Foles tratou de estragar a campanha para ter o mando de campo em todos os jogos da NFC dos Rams, abrindo 30 a 13 no placar em jogo que Goff foi interceptado duas vezes, uma delas uma pick six. O jogo foi um balde de água fria até para a percepção pública, que deixou a equipe de L.A. abaixo dos Saints e até dos Bears, com sua temida defesa. A equipe terminou com duas vitórias contra Cardinals e 49ers, duas equipes fracas, para ficar com 13-3 e a segunda melhor campanha da NFC.

Playoffs dos Rams

Pelo menos veio um bye para descansar o time e quem sabe recuperar Todd Gurley, que já tinha sobre si uma boataria imensa sobre estar baleado ou não. Quando o Dallas Cowboys chegou para jogar no Coliseu, os Rams eram favoritos, mas precisavam provar que estavam prontos para a pós-temporada. A resposta foi uma partida retrô, completamente dominante pelo chão – 273 jardas terrestres – e C.J. Anderson (123 jardas e 2 TDs), contratado no fim da temporada regular, sendo ainda melhor que Gurley, que foi bem com 115 jardas e 1 TD. O jogo que todos esperavam na final da NFC veio: Saints x Rams.

Não preciso aqui revisitar a ridícula não-marcação de pass interference de Nickell Robey-Coleman em Tommylee Lewis. Como os Rams passaram, é interessante destacar como a equipe conseguiu com Talib e Marcus Peters completamente limitar Michael Thomas. E como o time passou de perder por 13 a 0 e nem conseguir se comunicar em campo para ligar o ataque no fim do primeiro tempo, com Goff fazendo audible pessoalmente na orelha do recebedor e tendo sucesso.

Os Rams tiveram seus méritos e Greg Zuerlein, com quatro field goals certos, inclusive um clutch no fim do tempo regulamentar e o da vitória de 57 jardas, classificaram a franquia para seu quarto Super Bowl na história, buscando o segundo anel na era moderna da NFL.

O que Sean McVay tem preparado para os Patriots? Todd Gurley vai aparacer mais vezes que no jogo contra os Saints, quando teve míseras quatro carregadas (uma para TD pelo menos). Aaron Donald vai conseguir chegar em Tom Brady? Continue acompanhando os textos especiais do Quinto Quarto e o podcast que vai amarrar todo este conteúdo da semana do Super Bowl LIII.

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