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Raio-X Jared Goff: um quase anônimo que ainda precisa provar a que veio

Jared Goff, quarterback do Los Angeles Rams

(Crédito: Twitter/reprodução)

Jared Goff tem apenas 24 anos de idade e está prestes a disputar o primeiro Super Bowl de sua carreira, mesmo estando apenas em sua terceira temporada na National Football League. Um bom sinal para um jovem quarterback, certo? Absolutamente sim.

Mas ainda há muitas coisas para se tomar cuidado.

O Super Bowl LIII, que será realizado neste domingo (3), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, colocará frente a frente o maior quarterback a já pisar em um gramado da National Football League (haters, sosseguem!) e outro signal caller que mal saiu das ‘fraldas’ em termos de carreira profissional no futebol americano. Quando Goff tinha sete anos de idade, Brady já estava em seu primeiro Super Bowl, sempre é válido lembrar.

Sobre Brady, eu nem vou me dar ao trabalho de falar muito, já que meu amigo André Garda já preparou o Raio-X do ídolo do New England Patriots. Estou aqui para falar de Goff, o presente e o futuro do Los Angeles Rams.

Goff está vindo da melhor temporada de sua breve carreira. O quarterback selecionado com a primeira escolha geral do draft de 2016 foi titular em todos os jogos de seu time pela primeira vez desde que entrou na NFL e não deixou quase nada a desejar nos 16 jogos iniciais.

Números fantásticos na temporada regular

Mostrando um forte braço e um bom domínio do ataque dos Rams, Jared Goff conseguiu colocar ótimos números em seu quadro de estatísticas. Ele terminou em quarto na liga em jardas aéreas (4.688), em quarto em jardas de passe por tentativa (8,4) e ficou empatado na sexta colocação em touchdowns aéreos (32). Ele sofreu 12 interceptações, número longe de ser ótimo, mas nada absurdo.

Dos 16 jogos dos Rams, em dez deles o camisa 16 teve passer rating superior a 100. Goff ficou no top 10 em basicamente todas as estatísticas mais importantes, exceto em porcentagem de passes completados (os 64,9% o deixaram na 20ª posição).

Enfim, excelentes números.

Mas agora vamos a uma breve análise. Tudo para mostrar que Goff sofreu em algumas partidas mais apertadas.

Sim, ele teve um rating perfeito de 158.3 contra o Minnesota Vikings no final de setembro, jogo em que ele acertou 26 passes de 33 para 465 jardas e cinco touchdowns, sem sofrer uma interceptação sequer na vitória por 38 a 31 naquele Thursday Night Football.

Quatro dias antes, Goff também brilhou na vitória por 35 a 23 sobre o Los Angeles Chargers, acertando 29 lançamentos de 36 para 354 jardas, três touchdowns e uma interceptação, o que o deixou com rating de 123.8.

Mas o signal caller também teve bons passer ratings contra times fracos como Arizona Cardinals e San Francisco 49ers, nas duas semanas finais, com 118.1 e 121.6, respectivamente.

E despencou de desempenho em alguns jogos.

Vamos voltar ao dia 14 de outubro, na vitória apertada por 23 a 20 sobre o Denver Broncos. Na ocasião, o camisa 16 acertou apenas metade de seus 28 passes para 201 jardas e uma interceptação. Rating de 58.8.

Bora piorar ainda mais?

Dia 9 de dezembro contra a forte defesa do Chicago Bears, Goff acertou apenas 20 passes de 44 (pífios 45,5% de aproveitamento) para 180 jardas e quatro interceptações. Rating horripilante de 19.1 na derrota por 15 a 6.

No domingo seguinte, dia 16, mais uma apresentação bem ruim do QB dos Rams, com 35 passes certos de 53 para 339 jardas e uma interceptação no revés por 30 a 23 para os Philadelphia Eagles. Rating de 75.9.

Separei esses dados para mostrar que Goff ainda sofre em alguns jogos e é salvo em outros tantos pelo forte ataque terrestre liderado por Todd Gurley e pela parruda defesa.

No Super Bowl LIII isso pode complicar. E, se depender dos números dele nos playoffs até agora, já é bom o torcedor californiano acender as velas.

Uma queda considerável nos playoffs

Na rodada de divisão dos playoffs da Conferência Nacional (NFC), quando os Rams bateram o Dallas Cowboys por 30 a 22, Goff escapou de umas boas.

Primeiro, ele deve agradecer ao forte jogo terrestre dos Rams, com Gurley e C.J. Anderson, já que isso ocultou seu desempenho mediano (sendo bondoso).

As 273 jardas corridas produzidas pelo backfield de L.A. colocaram um pano sobre os números de Goff, que saiu de campo com 15 passes certos de 28 para 186 jardas, sem touchdowns e sem interceptações.

Sem INTs porque ele escapou por sorte de ter seu passe agarrado pelo cornerback Chidobe Awuzie, dos Cowboys, no final do segundo quarto. Enquanto tentava colocar seu time em field goal range, Goff fez o típico passe de QB inexperiente.

Não podemos deixar de notar também um lance no começo do segundo quarto em que Goff poderia facilmente ter conectado com Brandin Cooks na end zone para TD, mas sua indecisão o fez errar o lançamento.

Enfim, os Rams venceram.

Na semana seguinte, na vitória por 26 a 23 sobre o New Orleans Saints, na final da NFC, mais uma apresentação longe do ideal. Foram 25 passes certos de 40 para 297 jardas, um touchdown e uma interceptação.

Ainda assim, Goff deve pelo menos ser elogiado nesta partida por ter comandado o ataque com 1min41s restantes no último quarto, e colocar a equipe em zona de field goal, aproveitando do erro da arbitragem contra os Saints segundos antes.

O field goal de Greg Zuerlein empatou o jogo em 23 a 23 e, na prorrogação, após uma interceptação sofrida por Drew Brees, Goff apenas precisou posicionar Zuerlein para o field goal de 57 jardas que deu a vitória e a classificação.

Jared Goff ainda precisa provar a que veio

Jared Goff ainda é um anônimo para muita gente, que começou a ser conhecido de fato em 2018. E foi com excelentes atuações que ele conseguiu isso.

Entretanto, o quarterback originário da Universidade da Califórnia ainda tem aspectos bem ‘crus’ em seu jogo, como um trabalho de pés falho em alguns momentos, o que o faz errar alguns lançamentos que deveriam ser mais fáceis, demora para soltar a bola e algumas decisões precipitadas sob pressão.

Goff é sim um QB de bom braço e que demonstra ter todas as qualidades de um franchise quarterback. Mas ele ainda tem muito e evoluir e o próprio head coach Sean McVay deve saber disso.

Se fizer o arroz com feijão no Super Bowl e for um pouco ousado em alguns momentos, Goff tem chances de ser um campeão precoce como foi o quarterback que estará na outra sideline.

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