NFL

Raio-X de Tom Brady: ele já é o maior, agora ele quer dar uma volta nos retardatários

Tom Brady, quarterback do Tampa Bay Buccaneers

Neste último domingo (31), nós postamos uma arte no Instagram do Quinto Quarto que mostra um verdadeiro absurdo. Se separarmos a carreira de Tom Brady em três fases e compararmos cada uma das fases a quarterbacks que respeitamos e estão no Hall da Fama, dá para discutir quem é melhor.

Desde que ele virou um jogo que estava 28 a 3 contra no terceiro quarto e ganhou seu quinto anel, há poucas pessoas com dúvidas de que ele é o maior de todos os tempos. Ainda tinha ‘causões’ que falavam “QB de sistema” ou citavam Bill Belichick para insinuar que o treinador genial tinha que ser considerado quase como um argumento contrário a Tom Brady ser o maior de todos os tempos. Besteiras, claro. Dois mil e vinte e este começo de 2021 provaram isso.

Voltando a comparações, vários quarterbacks históricos tiveram anos finais em franquias que não foram as de seus auges. Joe Montana jogou pelo Kansas City Chiefs (e bem). Brett Favre quase chegou no Super Bowl com o Minnesota Vikings. Rex Grossman jogou por Washington. Johnny Unitas, Joe Namath… Os resultados foram díspares.

Quem realmente conseguiu ter bons anos fora do time que o draftou foi Peyton Manning. Depois de sair do Indianapolis Colts, que tinha razão em ficar com dúvidas sobre sua recuperação, Manning jogou demais no Denver Broncos e, em seu último ano, conseguiu mais um anel. Conseguir chegar em um time diferente, outra cidade, estádio, centro de treinamento, forma de ver e se relacionar com o futebol americano, clima, companheiros, treinadores e superar tudo isso para vencer novamente é um feito.

Tom Brady está a um jogo de conseguir até isso. Logo em seu primeiro ano. Em uma franquia que não chegava nos playoffs há uma década e a um Super Bowl em 20.

Não me entenda mal, acho que os Chiefs vão vencer (ops, spoiler do podcast de sexta), mas ter batido New Orleans Saints e Green Bay Packers fora de casa para chegar na decisão já é algo incrível.

Começo de altos e baixos

Brady não era conhecido pelo braço de ferro, apesar de ter sua cota de passes maravilhosos para TDs de 50 ou mais jardas. Não à toa seus grandes parceiros de anos foram Wes Welker, Julian Edelman e Rob Gronkowski. Não vimos tantos jogos com Randy Moss quanto merecíamos, infelizmente.

Por isso chegar no sistema de Bruce Arians, que um passe de 40 jardas é quase uma corrida com o running back pelo meio, exige adaptação. Matérias mais “maldosas” disseram que houve alguns atritos. Arians é conhecido por não esconder o que sente e não teve medo de chegar em coletivas e dar umas pontadas.

No primeiro jogo, era até esperada a dificuldade, já que o time pegaria os Saints, um time formado e cascudo. Três vitórias seguidas após a estreia, com um jogo de 369 jardas e cinco passes para TD serviram para acalmar os ânimos, mas a derrota para o Chicago Bears novamente fez um sinal amarelo piscar. Nada comparado à semana 9, quando o time foi humilhado em horário nobre pelos Saints, com três interceptações de Brady, três sacks sofridos (podia ser muito mais) e uma derrota por 38 a 3.

Duas derrotas seguidas para LA Rams e Chiefs fecharam um novembro pouco inspirado e com muitas dúvidas. Mas, nos jogos finais, as coisas se acertaram: quatro vitórias obrigatórias contra Vikings, Atlanta Falcons, Detroit Lions e Falcons (de novo), com 12 TDs, uma interceptação e mais de 1.300 jardas. Mike Evans foi o seu principal recebedor, Chris Godwin perdeu quatro jogos, mas foi uma boa arma. Rob Gronkowski usou a temporada regular para voltar ao ritmo. E o jogo terrestre com Ronald Jones foi competente.

Assentamento de Tom Brady e brilho nos playoffs (mas com poréns)

Os Bucs chegaram aos playoffs com dúvidas. O time foi o wild card – algo que Brady nunca tinha passado – mas pegou Washington, o pior campeão de divisão. Brady fez sua parte com 381 jardas, dois TDs e sem interceptação. Contra os Saints a defesa brilhou e o camisa 12, com apenas 199 jardas, não precisou ser brilhante.

Foi contra os Packers que Tom Brady deixou o jogo picolé de chuchu, com um bom primeiro tempo e alguns passes excelentes, especialmente para Scotty Miller fazer um TD basicamente no último lance antes do intervalo. Entretanto, a vantagem aberta ficou em perigo por seu péssimo segundo tempo, com três interceptações.

Quem está 100% ao lado de Tom Brady tem que admitir que é esquisito ver ele sendo interceptado com maior frequência. Mas é preciso ser justo e afirmar que Arians tem um plano de jogo que incita a assumir riscos e algumas interceptações são basicamente punts com o braço que podem dar certo e gerar um TD.

Com tantas armas, será interessante ver se no Super Bowl o QB assume um papel mais parecido ao seu em New England. Rotas curtas, passes rápidos, explorando mismatches e queimando blitzes ao se livrar rapidamente da bola. Já sabemos que ele não tem as pernas para se livrar de um sack e ele é o primeiro a notar quando o bafo no cangote está forte e a bola precisa sair da sua mão. O raio-X de Tom Brady pode ser resumido como “ele é veterano, sabe como ganhar e gostou de assumir alguns riscos”. Será suficiente para vencer Patrick Mahomes e os Chiefs?

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