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Quinta Descida: tentando entender a troca de Graham

Crédito: Reprodução

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Ah, a NFL, essa coisa maluca, demente e incrível que amamos. Quando achávamos que o período entre o Super Bowl e o início da temporada regular seria um grande tédio, general managers, técnicos e jogadores conseguiram fazer com que a abertura do mercado de agentes livres da liga se tornasse tão divertido quanto um domingo a tarde recheado de partidas.

Ok, nem tanto. Mas que foi divertido, foi, e muito.

Agora nos resta fazer jogos de imaginação para ver como vai ser Russel Wilson lançando para Jimmy Graham, o que os Eagles irão fazer com Sam Bradford, ou se a defesa dos Lions irá manter o mesmo nível com Haloti Ngata. Ainda tem muito tempo para pensar, ou para reclamar.

Reclamar? Sim, isso é o que não falta principalmente entre torcedores dos Saints, provavelmente os mais “prejudicados” nessa loucura que foi o início da free agency. Não é fácil perder seu melhor recebedor, e discutivelmente o segundo melhor tight end da liga. Porém nem tudo está perdido, e a troca não foi completamente ruim para os Saints. Vamos tentar entender.

Pra começar, vamos falar do lado que “se deu bem”: o Seattle Seahawks enviou para Nova Orleans uma escolha de primeira rodada (número 31 no geral) e o center Max Unger. A escolha de primeira rodada do time é a penúltima da primeira rodada, quase de segunda, o jogador que eles iriam pegar nesse ponto do draft dificilmente seria um titular logo de cara, seria preciso muita sorte para tanto. Já perder Max Unger é uma perda considerável para a equipe. O center está no time desde 2009, quase sempre como titular. Chegou a ser um All-Pro em 2012 e foi duas vezes ao Pro-Bowl. É uma perda considerável para a equipe, mas a de se lembrar mas no ano passado o time perdeu o titularíssimo Breno Giacomini, e mesmo assim a linha ofensiva continuou atuando no mesmo nível. Em suma, a única coisa ruim dessa troca, foi o peso de Graham no salary cap da equipe, mas isso é algo que iremos falar mais tarde, e mesmo assim, é um ônus aceitável quando se recebe um tight end top-2 da liga, e um pesadelo para defesas adversárias, que lutam durante toda a partida para encontrar a marcação ideial contra esse alvo enorme, rápido e atlético.

No caso dos Saints, é mais difícil enxergar as “vantagens” que o time teve nessa transação, porém é para isso que estamos aqui. Antes, vamos falar do que o time recebeu. Unger é bom center, e chega para reforçar a linha ofensiva dos Saints que ano passado foi a segunda melhor abrindo espaço para seus corredores, e a 12ª melhor defendendo o quarterback. As duas melhores linha ofensivas defendendo quarterback foram New England e Denver, times que tem lançadores com características parecidas as de Brees, e só funcionam bem quando tem tempo para orquestrar as jogadas. Melhorar esse setor com Unger, pode fazer com que a produção do ataque se mantenha mesmo sem Graham. A escolha de primeira rodada vinda dos Seahawks pode servir como moeda de troca. O Saints terão duas escolhas na primeira rodada deste draft, e podem sugerir um troca para subir na tabela. Existe uma série de times que precisam refazer seus elencos, e que estariam dispostos a receber escolhas ao invés de pegar um grande jogador vindo do college. Jaguars e Raiders poderiam estar interessados em tal troca. Subindo na tabela, o time pode até sonhar em tentar pegar Vic Beasley ou Dante Fowler Jr. para tentar recompor seu corpo de linebackers. É uma proposta ousada, mas necessária para a atual situação da equipe.

Agora que vem o ponto nevrálgico da discussão, Jimmy Graham. Que o tight end é um verdadeiro monstro, todos sabem, mas na NFL, não adianta pensar somente em talento e no agora, é preciso um planejamento a longo prazo. O jogador tinha assinado com os Saints em 2014 um mega contrato de US$40 milhões por quatro anos com a equipe. Junto com ele, o time de New Orleans renovou e assinou com uma série de jogador, como Cameron Jordan e Jairus Byrd. Parecia que tudo iria correr bem para a equipe de Sean Payton, até que a temporada começou, Jairus Byrd se machucou, Graham jogou com uma série de lesões, a defesa não repetiu as mesmas atuações de 2013, e a maionese desandou. E pior, ficou com o salary cap completamente prejudicado. Alguma coisa precisava ser feita, e Graham, o segundo jogador que mais iria pesar na folha salarial do time, com recebimentos que chegariam a aproximadamente US$18 milhões, teve de ser sacrificado. Apesar de perder seu melhor recebedor, Brees sempre foi um quarterback que produziu sem grandes alvos. É bom lembrar que em 2009, ano em que os Saints foram campeões do Super Bowl, o tight end principal da equipe era Jeremy Shockey, TE médio. Naquele ano, sete jogadores dos Saints receberam para mais de 300 jardas, incluindo David Thomas (quem?). Brees não precisa de grandes jogadores em sua volta para colocar grandes números, ele precisa apenas de WR's, TE's médios que entendam o sistema e de tempo para lançar. Trabalhando com tempo, Brees consegue ser tão bom quanto Peyton Manning e Tom Brady.

Já com o salary cap aliviado, os Saints podem se focar em reforçar a defesa, que já começou a se reconstruir com a chegada de Brandon Browner. Nem tudo está perdido torcedores dos Saints. Na NFL, às vezes o óbvio não é tão claro assim.

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