NFL

Quinta Descida: qual a situação do técnico do seu time?

Chip Kelly

Chegamos na semana 13 da NFL, um momento da temporada em que já é possível entender e traçar os objetivos de cada time: de escolha top-10 no draft, passando por uma vaga chorada nos playoffs até disputa pelo título. Delimitadas as ambições, as equipes podem fazer um balanço entre as expectativas do início da temporada para a atual e tentar entender o que aconteceu de errado. Muitas vezes esse pensamento passa pelo técnico da equipe, que pode não ter feito o time render como o esperado. Nesse caso, a regra é clara, troca no posto de comandante da equipe. Pensando nisso, na coluna Quinta Descida dessa semana, analisamos a situação de todos os 32 técnicos da liga, e tentamos prever quem estará arrumando as malas na temida Black Monday, o dia após a última rodada da temporada regular.

O ASSENTO ESTÁ BEM QUENTE

Mike Pettine/Cleveland Browns – Pobre Browns, e pensar que eles poderiam agora ter Bill Belichick. Mike Pettine parece ter virado o fio em Ohio. Nos últimos dois anos montou ótimas defesas que não iam para frente por conta de um ataque inefetivo, sem um grande quarterback. Em 2015, os problemas no ataque continuaram enquanto a defesa regrediu demais. Os Browns ainda não encontraram o treinador que irá fazer com que a equipe volte aos seus tempos de glória.

Chuck Pagano/Indianapolis Colts – É Chuck, de favorito a vaga no Super Bowl para favorito a vaga na fila de desempregados. A coisa está feia em Indianápolis. Andrew Luck parece ter voltado a seu ano de calouro, chegada de veteranos que não adicionaram em nada a equipe e uma defesa que parece uma peneira. Sua sorte é disputar a AFC Sul, que mesmo com todos os problemas pode levá-lo aos playoffs, fase na qual, com Andrew Luck saudável, tudo pode acontecer.

Bill Belichick/New England Patriots – Tô brincando gente, só queria ver a reação de vocês.

Dan Campbell/Miami Dolphins – Dan Campbell não tem grande culpa pela pífia campanha dos golfinhos, mas está aqui por ser interino e não ter melhorado tanto o time. Capaz que não seja efetivado.

Chip Kelly/Philadelphia Eagles – ah, Chip Kelly, gosto de você. Gosto de sua ousadia, de sua maneira de pensar o jogo, de suas trocas e sua convicção em uma filosofia, porém parece que ainda não se tocou que a NFL é completamente diferente do college, e as diversas notícias de que você perdeu o controle do vestiário só corroboram isso. Às vezes grandes técnicos precisam falhar em sua primeira experiência na NFL para que voltem sabendo dos percalços do caminho.

DEPENDE DA BOA VONTADE DO FRONT OFFICE

Marvin Lewis/Cincinnati Bengals – O segundo técnico a mais tempo na mesma equipe da NFL mostra que na liga, é preciso apostar no processo. Andy Dalton parece estar se tornando aquilo que sempre se esperou dele enquanto a defesa mantém o mesmo nível (alto) dos último anos. Se tudo está indo bem, porque colocá-los aqui? Playoffs. Essa palavrinha vem sendo o calcanhar de Aquiles desse time que faz sempre ótimas temporadas regulares, mas não conseguem vencer na hora da onça beber água. Em caso de nova eliminação precoce, a paciência no processo pode se esgotar.

Jim Caldwell/Detroit Lions – Olha, gosto muito de Jim Caldwell, mas o retrocesso que os Lions tiveram nessa temporada foi inaceitável. Ok, Ndamukong Suh saiu, Matthew Stafford voltou a lançar mais interceptações do que passes para Calvin Johnson, mas para um time que quase ganhou um jogo de playoffs no ano passado (para mim o Lions foram vencedores morais daquela partida contra os Cowboys), lutar por uma escolha no top-10 do draft é problemático. É bom Caldwell ficar atento.

Sean Payton/New Orleans Saints – Olha, respeito muitíssimo o trabalho de Payton nos Saints, mas às vezes mudar de ares pode fazer bem para os dois lados. Só resta saber se a reconstrução que os Saints imaginam passa pela mudança de técnico ou não.

Mike McCoy/San Diego Chargers – Em sua primeira temporada chegou aos playoffs, na segunda, ficou MUITO perto, na atual tem uma campanha pífia mesmo com Philip Rivers gastando o braço. É bom ficar esperto.

Jeff Fisher/St. Louis Rams – O treinador só não está no grupo acima porque já provou ser uma dos melhores técnicos da NFL em seu tempo de Tennessee Titans. Mas com a troca desastrosa entre Nick Foles e Sam Bradford, junto com uma defesa que regrediu muito de ano para cá faz com que mais um temporada ruim mande Fisher de volta para sua casa na Califórnia.

DEPENDE DE SI MESMO

Tom Coughlin/New York Giants – Criei essa categoria para o bom velhinho da Big Apple, porque completando 70 anos em 2016, pode não aguentar mais as interceptações de Eli Manning, nem  a imbecilidades de Jason Pierre-Paul fora de campo. Questão de saúde cardíaca.

NADA MUITO BOM NEM NADA MUITO RUIM

John Harbaugh/Baltimore Ravens – O técnico ‘picolé de chuchu’ dos Ravens vem fazendo sua pior temporada na equipe, com um ataque ineficiente e uma defesa que perdeu o brio de outrora. Porém, um ano não apaga os brilhantes campanhas que Harbaugh fez no time, mas acende um luz amarela, mesmo que fraca, na cabeça do treinador.

John Fox/Chicago Bears – Sejamos francos, é um trabalho que não fede nem cheira. Os Bears são um time fraco em reconstrução, começaram muito mal e de repente Jay Cutler acordou para a vida e conseguiu uma vitória aqui e ali, mas bem… é o Jay Cutler e nunca sabemos o que ele poderá aprontar. Já a defesa vem melhorando, mas carece de material humano. Um bom draft pode colocar John Fox na categoria abaixo.

Bill O’Brien/Houston Texans – Eis um técnico que poderia estar na categoria acima, mas o coloco aqui por estar apenas em seu segundo ano na equipe, nunca ter tido um quarterback para chamar de seu, e disputar a fraca AFC Sul, que maquia resultados e faz com que o time chegue a brigar por playoffs. Porém a escolha de Jadeveon Clowney (que ainda não é um bust, mas começa a preocupar) e o fato da equipe não ter mostrado evolução nenhuma em seu segundo ano no comando da equipe faz com que mais um ano nesse “vai não vai” o torne um candidato a ficar desempregado.

Andy Reid/Kansas City Chiefs – Andy Reid é assim, quando não tem um baita time, vai fazer uma campanha boa que pode levar o time aos playoffs. É o que acontece em 2015 sem a presença de Jamaal Charles durante quase meia temporada.

Jim Tomsula/San Francisco 49ers – A mudança de técnico de linha defensiva para técnico principal foi grande, e perder Colin Kaepernick (por ineficiência dele próprio) dificultou ainda mais seu trabalho, que ainda tem muito respaldo da diretoria.

Lovie Smith/Tampa Bay Buccaneers e Mike Mulerkey/Tennessee Titans – Dois técnicos em situações iguais: times que estão sendo montados em volta de seus quarterbacks novatos que vem mostrando muitas qualidades, mas ainda errando como rookies.

Jay Gruden/Washington Redskins – Tem a sorte de disputar a fraca NFC Leste, o que lhe dá a chance de disputar uma vaga nos playoffs. Por esse motivo está a salvo (por enquanto) no cargo.

DE ‘BOAS’

Bruce Arians/Arizona Cardinals – Arians vem se firmando como um dos ótimos técnicos da NFL, e com um quarterback saudável, está mostrando realmente do que seu time é capaz com uma das melhores defesas da liga e um ataque explosivo, muito beneficiado por um rejuvenescimento na carreira de Carson Palmer.

Rex Ryan/Buffalo Bills – Você pode não gostar de Rex Ryan, achá-lo fanfarrão, canastrão, mas é inegável que ele é um dos melhores técnicos da liga, e a mudança dos Bills de 2014 para o atual mostra isso. Melhorou uma defesa que já era bom, e encontrou um bom quarterback, que junto com o novo running back da equipe, LeSean McCoy, renovaram o ataque de Buffalo que vinha morto desde que Jim Kelly saiu da equipe. O trabalho de todo técnico é a longo prazo, mas em menos de um temporada Ryan vem mostrando muita evolução.

Ron Rivera/Carolina Panthers – Os Panthers estão invictos tendo Ted Ginn Jr. como wide receiver principal. Caso encerrado.

Jason Garrett/Dallas Cowboys – Nesse caso, não levo muito em conta o que vem sendo mostrado em campo, mas sim quem está no front office. Jerry Jones (dono, GM e sultão dos Cowboys) é desses que levam lealdade muito a sério, e que quando tem convicção em algo, teima em continuar acreditando. Garrett goza dessa relação com Jones, então só mais uma duas temporadas pífias com Tony Romo inteiro para que ele saia do Texas.

Gary Kubiak/Denver Broncos – Kubiak teve a sabedoria de não mexer na forte defesa dos tempos de John Fox, e fazer os ajustes necessários no ataque durante a temporada, tanto que mesmo sem Peyton Manning, Brock Osweiler vem dando conta do recado. O time tem material humano ótimo, só Kubiak sendo muito ruim (algo que não é) para estragar um time como os Broncos.

Mike McCarthy/Green Bay Packers – McCarthy é desses que só sairiam dos Packers se tivesse umas três temporadas com recorde negativo, mas Aaron Rodgers está na equipe e isso não vai acontecer nunca.

Gus Bradley/Jacksonville Jaguars – Grate surpresa na lista. Na equipe desde 2013, Bradley mostra que com bons drafts e uma filosofia clara, é possível mudar uma equipe. Blake Bortles mostra a cada jogo que é o franchise quarterback do time, enquanto T.J. Yeldon se calcifica no posto de RB número 1 do time.

Mike Zimmer/Minnesota Vikings – Quietinhos, os Vikings chegaram ao topo da NFC Norte. Grandes méritos para Zimmer, que fez com que a raiva acumulada em Adrian Peterson se voltasse contra os adversários, e não contra o próprio time.

Todd Bowles/New York Jets – Vem fazendo boa campanha tendo Ryan Fitzpatrick como quarterback titular e uma defesa carniceira. Em seu primeiro de head coach na vida. Nada mal.

Jack Del Rio/Oakland Raiders – O técnico tem seu trio de ataque para pelo menos cinco anos, e uma defesa que só tende a melhorar. Os Raiders não parecem tão bem desde 2002.

Mike Tomlin/Pittsburgh Steelers – Os Steelers tiveram somente dois técnicos desde a saída de Chuck Noll. Tomlin, que está desde 2007 na franquia, não sai tão cedo.

Pete Carroll/Seattle Seahawks – Pete Carroll não vai a lugar nenhum, desistam.

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