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Quinta Descida: A interceptação que deu o título do Super Bowl para os Patriots

(Instagram NFL)

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O Quinta Descida dessa semana não poderia tratar de assunto diferente. Passada menos de uma semana do Super Bowl, a interceptação de Malcolm Butler ainda está fixa na cabeça dos fãs da NFL, e mais do que isso, a escolha de jogada do coordenador ofensivo dos Seahawks, Darrell Bevell continua sendo duramente criticada. Aqui, tentaremos analisar a jogada, assim como as motivações para o então campeão do Super Bowl ter escolhido passar invés de colocar a bola nas mãos de Marshawn Lynch.

Primeiro, a escolha da jogada.

Muitos estão taxando a escolha de Bevell como “a pior chamada da história do Super Bowl”. Discordo, em partes, mas vamos tentar entendê-la. Para os que criticam duramente a chamada, Marshawn Lynch é o argumento principal. O jogador, conhecido como “Beast Mode”, é, discutivelmente, o melhor running back da liga, e seu estilo agressivo de poderia ser essencial para o lance, uma vez que só seria necessário uma jarda. Como na jogada anterior, Lynch havia conseguido quatro, tudo levava a crer que a bola voltaria para suas mãos. Além disso, a defesa dos Patriots contra o jogo corrido não é top da liga. Somente no Super Bowl, cedeu 162 jardas por terra, além de um touchdown terrestre anotado pelo própriocorredor. Além disso, durante a temporada regular, os Patriots foram o quinto pior time defendendo na redzone, e especialmente ruins na contenção do jogo corrido nas última 20 jardas do campo. Esses são argumentos válidos para a defesa da uma corrida ao invés de um passe de Russell Wilson, não teorias conspiratórias que dizem que Pete Carroll não deu a bola nas mãos de Lynch para que ele não se tornasse o herói da partida. Esse é o típico fogo de palha conspiratório de gente que gosta de assistir alienígenas do passado.

Agora vamos aos fatos que sustentam a escolha do passe.

super bowl jogada

Durante o terceiro quarto, os Seahawks tinham a bola na linha de três jardas no campo ofensivo. Doug Baldwin e Jermaine Kearse se alinharam na posição stack, aonde um wide receiver fica atrás do outro. A jogada se iniciou e os dois iniciaram uma rota slant enquanto Russell Wilson executava um play action para encontrar Baldwin sozinho no canto direito da endzone para um touchdown. A jogada final foi muito parecida com essa. Teve a formação stack com dois wide receiver, teve o slant, e além disso, estava em situação mais favorável. Na secundária, havia somente um safety mais “livre”, na cobertura, enquanto que no touchdown de Baldwin haviam dois linebackers como spy, ou seja, que iriam se movimentar de acordo com o tipo da jogada (passe ou corrida), e um safety. Tendo em vista o retrospecto, os Seahawks pensaram em executar uma jogada parecida com a que tinha dado certo, com a diferença de não haver o play action, uma vez que os Patriots estavam em campo com sua goal line defense, que chegaria rapidamente em Wilson. Para isso, seus wide receivers fizeram rotas mais curtas. Outro fator que corroborou para a escolha da jogada, foi o sangue frio de Belichick em não chamar tempo. Com o relógio rodando, os Seahawks tinham que executar a jogada rapidamente, uma corrida iria fazer com que o time tivesse que pedir seu último tempo, e caso os Seahawks encarassem uma quarta descida, não teriam como se organizar para a jogada final. E por último, a intuição de Carroll, que vendo basicamente todo o time dos Patriots alinhado na linha de scrimage, viu uma oportunidade de explorar mismatches na marcação mano a mano, em especial no corta-luz de Chris Matthews para liberar caminho para Ricardo Lockette .

Além dos fatores do jogos, algumas estatísticas ajudam a compreender e dificuldade que é correr em situações de uma jarda para o touchdown. Desde 2001, cinco times já estiveram na mesma situação dos Seahawks, entre quatro e oito pontos atrás no placar, com 20 a 40 segundos para o fim do jogo e um tempo para pedir. Dois correram e não conseguiram anotar o touchdown, outros dois passaram e conseguiram os seis pontos, enquanto os Seahawks lançaram e foram interceptados. Lynch também não tinha retrospecto positivo na situação: das cinco vezes que o jogadores recebeu a bola na linha de uma jarda, só entrou na endzone uma vez. E antes do Super Bowl, nenhum QB tinha sido interceptado na linha de uma jarda, Wilson foi o primeiro.

Agora, finalmente, vamos analisar a jogada em si:

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O lance foi feito para Russel Wilson, Ricardo Lockette e Jermaine Kearse. Os dois wide receivers se posicionaram  no lado direito, um atrás do outro, na formação stack. Lockette, atrás, faria a rota slant, enquanto Kearse faria a rota seam/fly. O snap foi feito, e o passe precisaria ser rápido, uma vez que a goal line defense dos Patriots não tardaria em chegar no quarterback. Jogada iniciada, Kearse começa a sua rota e vai de encontro a Brandon Browner, que faz bump perfeito no receiver, que não consegue avançar. Enquanto isso, Lockette inicia sua rota, passando por trás de seu colega de time. Malcolm Butler que estava em sua marcação, parece ter reconhecido a jogada. Durante a semana, o safety dos Patriots disse que treinou jogada similar com o segundo time da equipe, e muitas vezes cedia touchdowns, mas que após algumas repetições entendeu como deveria se posicionar e se movimentar. Por isso, não foi de encontro com Lockette na hora do snap, pois iria ficar preso no tráfico de Browner e Kearse. Seguiu o camisa 83 de Seattle de longe, e deu o bote na hora certa. Uma mistura de estudo, treinamento e sorte para executar uma das mais incríveis jogadas na história do Super Bowl.

jogada super bowl 2

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