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Com um QB barato, o Cleveland Browns pegou uma ideia e adotou como Testamento

baker mayfield cleveland browns

Crédito: Instagram/reprodução

Mais surpreendente que não ter saído uma mísera foto de Michael Schumacher pós-acidente. Mais chocante que o vídeo do Fusca Verde boiando na chuva paulistana. Mais embasbacante que eu enterrando no parque do Ibirapuera contra um ex-jogador do Paulistano. Ok, isso não aconteceu.

A troca de Odell Beckham Jr. era um boato na imprensa que sempre aparecia e todas as partes oficiais negavam. Mas nos esportes americanos, sempre que há fumaça, há fogo. E o Cleveland Browns chegou com uma tocha olímpica.

Nós já fizemos textos sobre os Bills, os Packers e a contratação de Nick Foles desde que mudamos algumas coisas no Quinto Quarto. Mas agora, independente de onde Le’Veon Bell vá, os Browns são os protagonistas desta offseason da NFL.

PS: ele foi para os Jets.

E a razão para isso foi ter pego uma máxima recente da NFL e elevado à enésima potência: você precisa aproveitar a mamata que é ter um quarterback em contrato de calouro.

Não sei se foi exatamente o precursor, já que sempre que você diz que algo foi criado em tal período, chega alguém do nada e diz que isso já aconteceu antes. Duvida de mim? Olha para a história do punk.

Mas o Seattle Seahawks com Russell Wilson foi um mestre nesse quesito. O time já tinha draftado bem para xuxu – Earl Thomas, Richard Sherman, o próprio Wilson, Doug Baldwin – e ainda reforçou sua defesa com Michael Bennett e Cliff Avril e teve cacife para trazer Percy Harvin.

O Philadelphia Eagles fez o mesmo aproveitando o contrato de Carson Wentz. E eles escancaram essa ideia, algo que os times tentam replicar sem dó. O Los Angeles Rams foi às compras em 2018. Quase deu certo. Os Bills tentam o mesmo agora, mesmo que com nomes mais modestos.

Mas os Browns… Jesus Cristo. Isso sim é aproveitar o quinto maior espaço na folha salarial.

O time já tinha reforçado seu front seven com tiros de Bazuka. Myles Garrett provou que foi escolhido em primeiro no Draft de 2017 com méritos. Mas ele precisava de companhia. Ganhou Olivier Vernon, que agora é o segundo melhor Giant a ser trocado para os Browns nesta offseason. Ainda tem Emmanuel Ogbah, que pode participar de menos snaps para estar sempre fresco.

E no meio da linha? O time tinha Larry Ogunjobi, que teve 55 tackles e 5,5 sacks em 2018. Bom, coloca Sheldon Richardson nesse mix. Ou seja Steve Wilks sai de um pesadelo em Arizona para um pass rush e linha de altíssimo nível e ainda Denzel Ward na secundária.

A defesa precisava dessa ajuda, já que em número de jardas cedidas foi uma das piores da NFL. Mas vale destacar que ela foi a segunda que mais ficou em campo – ataque não segurou campanhas – , com mais de 32 minutos de ação e ficou no meio da tabela em pontos cedidos por jogo (24,6). Ou seja, tinha tudo para melhorar já.

Só que é claro que o ataque vai ganhar destaque. Hue Jackson e Todd Haley fizeram a versão guerra civil da Síria na NFL: não há vencedores, só vamos tentar descobrir quem é pior. Ambos caíram, Baker Mayfield ascendeu e conseguiu empolgar os torcedores e quem acompanhou os jogos, mesmo que eles não valessem tanto. Ele agora deve ser o homem mais feliz do Ohio desde que LeBron James deu o toco em Andre Iguodala.

Meu colega Bruno já enumerou as armas. Odell Beckham Jr. de um lado, seu parça Jarvis Landry no slot, David Njoku de tight end, Antonio Callaway completando o corpo de recebedores. Kareem Hunt (não merecia esse time depois do que fez) e Nick Chubb no backfield…

O Cleveland Browns, na figura de John Dorsey, mostrou que está conectado com dois fatores importantíssimos. O primeiro é a citada janela que se abre, podendo pagar apenas 570 mil dólares para seu QB em toda a temporada 2019.

A segunda é o fato do Baltimore Ravens ter perdido quase metade de seu ponto forte, que é a defesa, e o Pittsburgh Steelers ter perdido as duas principais armas de seu ataque e ter um quarterback que pode cair do penhasco a qualquer momento.

Os objetivos estão claramente traçados e são, na ordem: ter uma campanha com mais vitórias do que derrotas, algo que não acontece desde 2007 (10-6). Ser o campeão da AFC North, algo que NUNCA aconteceu. A última vez que Cleveland venceu a divisão (1989), ela se chamava AFC Central, e o segundo colocado foi o Houston Oilers, que é o Tennessee Titans há 20 ANOS.

E, por fim, avançar além do wild card round, algo que não acontece desde 1994, quando Bill Belichick era o treinador e ainda um homem sem um fio de cabelo branco e até capaz de sorrir.

Hoje existem duas forças bem claras na AFC e elas fizeram a final da Conferência: New England Patriots e Kansas City Chiefs. O Cleveland Browns tem o objetivo claro de chegar nesse patamar e no papel, pode dizer que tem um elenco à altura do desafio.

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