NFL

Primeira noite louca de draft tem surpresas, QBs vitoriosos e Browns fazendo splash

Mitchell Trubisky, quarterback do Chicago Bears

(Crédito: Instagram/reprodução)

Bom, enfim consegui respirar. Agora, depois de processar um pouco esta noite maluca, chegou a hora de escrever esta análise.

A primeira rodada do draft de 2017 foi realizada na noite desta quinta-feira (27), na Filadélfia, e o Quinto Quarto fez mais uma bela cobertura em tempo real. E foi realmente uma loucura total, com algumas trocas e muitas escolhas bem interessantes.

E vou iniciar o texto falando em termos gerais da maior surpresa (ao menos para mim).

– As primeiras escolhas não foram realmente dominadas pelos jogadores de defesa

As projeções de muitos especialistas em draft eram de que saíssem apenas três ou quatro jogadores ofensivos entre as dez primeiras escolhas. ERRARAM FEIO!

O draft até começou sem surpresa, com o defensive end Myles Garrett, de Texas A&M, sendo selecionado com a primeira escolha geral pelo Cleveland Browns. Essa era a única unanimidade entre analistas, mesmo dias antes de o draft ser realizado. Após isso, ninguém era de ninguém (qualquer outra interpretação é culpa da sua mente poluída).

E então veio o primeiro momento perplexidade da noite.

O Chicago Bears sacrificou seu futuro fechando uma troca com o San Francisco 49ers por um preço altíssimo (leia-se uma troca de terceira rodada e uma de quarta rodada neste ano, além de uma de terceira rodada de 2018) para subir UMA MÍSERA POSIÇÃO e pegar o quarterback Mitchell Trubisky. Agora vamos fazer uma breve análise (e peço perdão se eu usar palavras pouco amistosas nas linhas a seguir).

Vai ser burro assim na PQP! Você cede esse monte de escolhas para subir de terceiro para segundo sendo que a chance de os Niners selecionarem o Trubisky antes não era tão considerável, visto que a prioridade da franquia é melhorar urgentemente a defesa. Eu ainda não estou conformado e nem vou me conformar tão cedo com essa troca, mas como são os empregos de John Fox e de Ryan Pace que estão em jogo agora e não o meu, estou pouco me lixando.

Só para finalizar, Trubisky era sim um dos melhores quarterbacks cotados, mas também é um jogador que foi titular em apenas 13 jogos em sua carreira na Universidade de North Carolina. É um (quase) tiro no escuro e eu gostaria de saber o que os Bears viram nele de tão especial para fechar essa troca ABSURDA (eu disse que vou demorar para me conformar) e pegá-lo com a segunda escolha geral. É bom Mitch começar a arregaçar as mangas amanhã já. A princípio, Pace confirmou que o veterano Mike Glennon segue como virtual titular para 2017, mesmo após a seleção de Trubisky.

Na sequência com a terceira escolha, o San Francisco 49ers selecionou o defensive end Solomon Thomas, de Stanford, e reforçou seu pass rush. Agora sim, nada de grandes surpresas.

O top 10 ainda teve DOIS RUNNING BACKS sendo selecionados (NFL vintage?) com Leonard Fournette, de LSU, indo para o Jacksonville Jaguars com a quarta escolha, e Christian McCaffrey, de Stanford, indo para o Carolina Panthers com a oitava escolha. São prováveis bons escolhidos, mas a posição de running back anda um tanto quanto desvalorizada e isso, por si só, já torna a situação digna de uma menção especial.

Em suma, três defensores (Myles Garrett, Solomon Thomas e o safety Jamal Adams) foram selecionados entre as 10 primeiras escolhas e sete jogadores de ataque, incluindo dois quarterbacks (Trubisky e Patrick Mahomes) e três wide receivers (Corey Davis, Mike Williams e John Ross). Uau!

– Os quarterbacks realmente fizeram a festa

A classe de quarterbacks no draft deste ano foi considerada uma das mais fracas dos últimos anos. Mas enganou-se quem achava que eles não seriam valorizados na primeira noite de trabalhos na Filadélfia.

Além de Trubisky, sobre quem já falamos, Patrick Mahomes e Deshaun Watson sentiram o gostinho de saírem logo no top 12.

Mahomes, que chegou a ter seu nome ligado ao New Orleans Saints (para ser o possível futuro sucessor de Drew Brees), não sobrou para o time da Louisiana na 11ª escolha. Isso porque o Kansas City Chiefs agiu sorrateiramente e fechou uma troca com o Buffalo Bills para subir 17 posições no draft (27ª para 10ª) e selecionar o QB de Texas Tech.

Patrick Mahomes precisará de um tempo para se desenvolver, com toda certeza, mas os Chiefs parecem ver no QB uma boa peça para substituir Alex Smith daqui a alguns anos. Mahomes tem um braço forte e promete render futuramente.

Deshaun Watson também motivou um time, o Houston Texans, a acertar uma troca para subir 13 posições no draft e ter a chance de selecioná-lo. Em Clemson, Watson liderou o time a um título nacional universitário e tem capacidade atlética de se transformar em um excelente quarterback na NFL, mas terá que mostrar sua capacidade de fazer a transição para o nível profissional.

O Cleveland Browns, talvez o primeiro time que nos vem à cabeça quando pensamos em falta de um ‘franchise quarterback’, não escolheu um signal caller entre as 32 primeiras escolhas. Vale lembrar que, desde 1999, a franquia de Ohio utilizou 26 quarterbacks titulares diferentes, maior quantidade da NFL no período, mas nem isso mudou a cabeça de Sashi Brown.

E isso nos leva a crer que…

– Brock Osweiler talvez possa ter uma chance de ser titular dos Browns

Como mencionamos, quase ninguém esperava que o torcedor do Cleveland Browns fosse dormir de quinta para sexta-feira sem conhecer um novo quarterback para seu time. Mas isso aconteceu.

E quem deve estar celebrando bastante (ou ao menos tendo sonhos mais agradáveis ao dormir) é Brock Osweiler.

Adquirido por uma pequena fortuna pelo Houston Texans na offseason de 2016, Osweiler não teve um bom primeiro ano no Texas e, em 15 jogos como titular na temporada regular passada, ele acertou 59% de seus passes para 2.957 jardas, 15 touchdowns e 16 interceptações, o que rendeu um passer rating pífio de 72.2. No total, foram oito vitórias e sete derrotas.

Mesmo assim, o time foi aos playoffs, mas o QB teve uma atuação nada mais do que regular no triunfo sobre o Oakland Raiders, na rodada de wild card, e voltou a deixar o torcedor texano de cabelos em pé na derrota para o New England Patriots, quando ele lançou para um TD, mas lançou três interceptações.

O desempenho levou o general manager Rick Smith, dos Texans, a acertar uma troca que mandou Osweiler para o Cleveland Browns, em uma manobra para se livrar do restante de dinheiro garantido no acordo. E ainda que eu (como muitos) tivesse pensado que os Browns iriam se livrar do quarterback e fazer valer apenas as escolhas de draft adquiridas na negociação, a primeira noite de draft colocou uma pulga atrás desse orelhão.

Oficialmente, os Browns já disseram que Brock terá a chance de competir por uma vaga de titular. Mas, inicialmente, parecia apenas aquele velho discurso diplomático. Agora, já não tenho tanta certeza.

Sem um novo e jovem QB no elenco, a impressão é a de que Brock Osweiler vai competir nesta offseason com Cody Kessler e Kevin Hogan pela vaga de titular. Quem sabe um recomeço não possa ser o que Osweiler precisa?

Mesmo sem um novo passador, a noite esteve longe de ser ruim para o torcedor de Ohio. Com sua tática de acumular escolhas de draft e adotar uma grande agressividade…

– O Cleveland Browns fez um verdadeiro splash na Filadélfia

Sashi Brown realmente sabe fazer as coisas (ou ele nos engana muito bem). E o vice-presidente executivo de operações (ou general manager, como preferir) dos Browns deu mais um showzinho à parte.

Depois de selecionar Garrett com a primeira escolha geral (o que seria uma burrice não fazer), o executivo ainda tinha a 12ª escolha geral. Mas ele pensou: ‘quer saber, que tal conseguir mais escolhas?’. E ele continuou com suas artimanhas.

Com os Texans querendo muito subir para pegar Deshaun Watson, Brown viu a oportunidade de cair para a 25ª escolha (sem problema algum) e ainda conseguir uma escolha de primeira rodada do draft de 2018 (opa, aí ele gosta!). Tudo certo e, com essa 25ª escolha, eles pegaram o talentoso safety Jabrill Peppers, de Michigan, mais um BAITA DUM REFORÇO para a defesa.

Faltavam só sete escolhas para acabar a primeira rodada. Chega de movimentação, né?

VAI SONHANDO!

Tirando mais uma carta da manga longa de seu blazer, Sashi acertou uma troca com o Green Bay Packers para voltar à primeira rodada (29ª geral) e selecionar o bom e explosivo tight end David Njoku, de Miami, para ser uma peça muito boa para o ataque. E os Browns cederam uma escolha de segunda rodada (33ª geral) e uma de quarta rodada (108ª geral) deste ano na negociação. Nada demais para um time que conseguiu três boas escolhas na noite de quinta.

Outras observações

– O Indianapolis Colts pegou o promissor safety Malik Hooker, de Ohio State, com a 15ª escolha e segue reforçando sua defesa. O novo general manager Chris Ballard segue mostrando muito trabalho e, desde o início de março, ele já contratou na free agency o defensive tackle Johnathan Hankins, os linebackers Jabaal Sheard, John Simon e Sean Spence, e o defensive end Margus Hunt. Em questão de meses, a defesa fraquíssima da franquia de Indiana já tem outra cara.

– Jameis Winston deve ter dormido com um sorriso de orelha a orelha, depois de o seu Tampa Bay Buccaneers utilizar a 19ª escolha para selecionar o tight end O.J. Howard, de Alabama, que era considerado o principal prospecto da posição. E isso depois de o wide receiver DeSean Jackson chegar na free agency. O quarterback está sendo carregado com novas armas para seu ataque e só tem o que comemorar.

– Mesmo com uma classe de wide receivers longe de encher os olhos, três foram selecionados na primeira noite de draft, todos no top 10, e todos eles (Corey Davis no Tennessee Titans, Mike Williams no Los Angeles Chargers e John Ross no Cincinnati Bengals) estão indo para equipes onde terão totais condições de brigarem bem por posições entre os titulares.

– De acordo com o ‘NFL Research’, é a primeira vez desde 1982 que nenhum offensive tackle não foi selecionado entre os 15 primeiros do draft. O primeiro a sair neste ano foi Garett Bolles, escolhido pelo Denver Broncos com a 20ª escolha.

Aproveitando que citei o nome de Bolles…

– Ah, não podemos nos esquecer do bebê…

O tackle de Utah, que agora é da franquia do Colorado, chorou muito ao ouvir seu nome e então se encaminhou ao palco com Kingston, seu filho de apenas quatro meses, no colo. E assim ele inovou e criou uma nova forma de atrair os holofotes na noite mais especial para um jovem aspirante a jogador da NFL.

“Eu não poderia estar aqui sem ele. Ele tem sido a melhor coisa que me aconteceu nos últimos quatro meses e essa é a segunda melhor”, disse Bolles, em entrevista ao ex-defensive back Deion Sanders, que atualmente é comentarista da ‘NFL Network’.

Caiu uma lágrima aqui. Chega! Ficamos por aqui com essa foto…

Garett Bolles, offensive tackle do Denver Broncos

(Crédito: Instagram/reprodução)

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