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Prévia Washington Redskins 2019: não há muito para se emocionar na capital

Prévia Washington Redskins

Você pode me achar um cuz*¨% pelo meu título, especialmente se os Redskins detém seu coração. Não me entenda mal, gosto da franquia – não gosto tanto do dono – e até acho que eles podem chegar a uma campanha 50%. A questão aqui é que nem o mais fanático dos torcedores pode me culpar aqui por não estar pulando de empolgação com os Redskins versão 2019.

Por exemplo, eu quero muito ver os Cardinals, que não devem passar de quatro vitórias na temporada. Isso porque o treinador chega com hype e muito a provar, o quarterback é calouro e encabeçará um sistema empolgante e ainda tem Larry Fitzgerald, chegando em sua 16 temporada e talvez ultima. Já os Redskins tem uma variação broxante de tudo isso.

Os Redskins têm um treinador com muito a provar, mas que entra em sua sexta temporada e é tão revolucionário quanto o Geraldo Alckmin. Há também um quarterback calouro, que pode nem ser titular no começo. E um veterano que já foi monstro na sua posição… mas já mudou duas vezes de time e não tem uma história muito legal fora de campo.

Categoria: Eu tenho que assistir?
Campanha em 2018: 7-9
Projeção para 2019: 7-9
O que me faz sorrir:  bons talentos jovens
O que me faz ter calafrios: o corpo de wide receivers

Acho que minha reclamação mais constante nos anos de Quinto Quarto envolvendo a NFL é a estúpida razão de colocar quarterbacks escolhidos na primeira rodada no banco, supostamente pelo primeiro ano inteiro. Sempre tem uma desculpa imbecil, como “não vamos queimar o garoto”, “queremos fazer ele aprender o playbook”, “o veterano X (que não joga nem 20% do que jogava 5 anos atrás) nos dá uma chance melhor de ganhar”. E o mesmo roteiro se repete: o veterano é decepcionante e a cada sack e passe de 3 jardas em uma terceira para 15 a torcida pede o calouro. E, no fim, o calouro estreia, empolga um pouquinho, aprende o playbook, leva umas porradas, tenta não se queimar e pelo menos há uma razão para os torcedores não se matarem de depressão.

Este ano a patifaria está instaurada em Washington, depois de passar por Cleveland, Philadelphia, Houston etc. A franquia já tinha Colt McCoy, que é a definição de quarterback reserva, e trouxe Case Keenum, que tem que orar todos os dias para Deus dar graças a Stefon Diggs e Adam Thielen. Mas é óbvio que Dwayne Haskins tem que jogar, mesmo que ele pareça (e seja) verde e nada polido. Veremos se Jay Gruden tem a coragem para colocar ele já na semana 1.

O que me faz salivar (mais do que bolo de chocolate)

Os Redskins estão construindo um time. A passos bem curtos, é verdade, mas isso também decorre do fato que o time não se jogou em um tank. Por exemplo, Montez Sweat era para ter sido selecionado bem acima da 26ª posição, mas uma condição cardiovascular fez ele cair até o fim da primeira rodada. Os Redskins agradecem e seu problema, pelo visto, está no passado.

Já Derrius Guice era para ser o RB titular em 2018, mas seu ligamento foi para o espaço e ele perdeu toda a temporada. Sua volta, com Adrian Peterson ainda funcional, pode ser feita de forma mais gradual e o duo pode ser bastante interessante. Sobre Haskins, imagino que ele deva sofrer nas primeiras semanas como titular (sejam elas logo no começo da temporada ou depois de ganhar a posição, algo que irá acontecer, pode ter certeza). Mas mesmo que ele só tenha uma temporada no College como parâmetro, ninguém tem 50 TDs e 70% de passes completos em um ano à toa. Ele é mais uma peça para o futuro.

Consolidados mesmo a equipe tem Ryan Kerrigan há anos (não perdeu um jogo na NFL em oito temporadas, 13 sacks em 2018), Brandon Scherff como um dos melhores jogadores de linha ofensiva da liga e o trio Jonathan Allen (draftado em 2017), Da’Ron Payne (2018) e Matt Ioannidis (2016) como pedras fundamentais do elenco. Trent Williams briga por contrato e o negócio está feio. Landon Collins chegou por uma grana absurda para ser o nome da secundária. Josh Norman, que também tem um salário de peso, foi visto pulando sobre um touro na Espanha nesta offseason. Não tem nada a ver com a prévia, mas quis destacar isso.

O problema de ter uma construção assim na NFL – a passos curtos – é que você não aproveita o auge da carreira de um (o de Kerrigan) por exemplo, batendo com o auge de Guice, Haskins e Payne. E não dá para pagar todo mundo por muito tempo, já que os contratos de calouro vão acabando e o segundo contrato de Haskins não pode coexistir com o de todos esses citados acima. Enfim, isso é problema para outro post.

O que me deixa com nojo (mais do que a mão do Joachim Löw)

O corpo de recebedores em Washington é uma coisa de dar dó. O time perdeu o canivete-suiço Jamison Crowder, que já não foi incrível em 2018 (jogou metade das partidas apenas). Nenhum jogador atual do elenco teve mais de 45 recepções em 2018. Nem mais de dois TDs.

O maior nome é Paul Richardson, que veio de Seattle na free agency de 2018, até jogou bem mas se lesionou em novembro e não voltou mais. O time draftou Terry McLaurin na terceira rodada e vai ter que botar ele para jogar imediatamente. Kelvin Harmon, calouro de sexta rodada, também deve ver muitos snaps. Josh Doctson, escolha de primeira rodada que os Redskins se recusaram a renovar automaticamente o contrato para um quinto ano, precisa se provar. Se ele tem algo a provar, veremos.

Por essa falta de wide receivers (é talvez o corpo de WRs mais fraco da NFL), Jordan Reed vai ter que compensar na posição de TE. O problema é que ele é um dos jogadores mais zicados com lesão da liga, nunca tendo uma temporada de 16 (e nem de 15) jogos em seus seis anos de liga. Em 2018 foram 13, com 558 jardas e 2 TDs. O veteraníssimo Vernon Davis também retorna, mas é óbvio que não podemos esperar muito dele, já que ser um tight end aos 35 anos é como lutar na guerra com 70.

O quarterback, qualquer que seja, vai precisar ser criativo, porque será difícil ter separação constante. Tentar pelo chão pode ser uma boa: a equipe foi a 14ª em tentativas de jogadas terrestres por jogo. Essa posição pode ser mais alta em 2019.

Para me amar ou me xingar (o porquê da minha projeção para a temporada)

Na temporada passada nós vimos os Redskins começarem com seis vitórias nos nove primeiros jogos até Alex Smith quebrar a perna pior que o Peter Griffin em Uma Familia da Pesada.

Neste ano a NFC East segue sendo uma divisão aberta e difícil de prever. Os Giants devem ficar na rabeira e os Eagles têm o melhor time, especialmente enquanto o Dallas Cowboys tem problemas com Ezekiel Elliott e seu contrato. Acho que todos eles vão impor derrotas uns aos outros, o que sempre embola tudo.

 

washington redskins tabela 2019

Os duelos contra os Bears em casa e Patriots em casa preocupam. Vikings e Packers fora também. No fim, é provável que um wild card seja muito complicado, já que há divisões na Conferência Nacional com melhores “segundos times” – considerando que Saints, Rams e Bears são os melhores em suas respectivas.

Acredito que por precisar colocar Haskins em campo e os buracos no corpo de recebedores e linebackers, este ano seja de luta pelo 50%. Como há três jogos que os Redskins são inegavelmente favoritos – Dolphins fora, Jets e Giants em casa -, a linha de 5,5 vitórias pode ser uma boa ir no over. Estou mais otimista que Las Vegas, mas não o suficiente para superar a temporada passada. E acho que Jay Gruden termina sua passagem com seis temporadas no comando.

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