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Prévia Tampa Bay Buccaneers 2017: apostando em ataque versátil, corsários tentam afastar rótulo de time sem sal

Prévia Tampa Bay Buccaneers

Olha, confesso que tem prévias que são até difíceis de começar a escrever. E essa do Tampa Bay Buccaneers, para mim, é uma delas. Não porque o time seja ruim (longe disso) ou porque seja bom (longe disso também). O problema é exatamente esse.

Os Bucs, na minha concepção, são o famoso time sem sal. E antes que você comece a me stalkear nas redes sociais para acabar descobrindo que sou torcedor do New Orleans Saints e a xingar todas as próximas gerações da minha família (ah, você é rival e blablabla), lembre-se que não tem nada a ver. Não tem nada a ver com Palmeiras x Corinthians, ISIS x mundo ocidental nem nada do tipo.

Há um motivo bem claro para eu achar os corsários um pouco sem tempero. Ao mesmo tempo, eu acho que eles têm boas chances de afastar esse rótulo. A começar por esta próxima temporada.

Categoria: Não se surpreenda, estamos avisando

Desempenho em 2016: 9-7

Previsão nada científica para 2017: 7-9

Linha de Las Vegas (você pode apostar em mais ou menos vitórias que o número a seguir): 8,5

Jogadores de Pro Bowl em 2017: Gerald McCoy e Mike Evans

Quem pode se juntar a essa lista: Jameis Winston, DeSean Jackson e Doug Martin.

Após muitas temporadas de sucesso no final da década de 1990 e na reta inicial dos anos 2000, quando o time foi aos playoffs em sete temporadas entre 1997 a 2007 (com um título do Super Bowl XXXVII na temporada 2002, sob o comando do técnico Jon Gruden), os Buccaneers voltaram à mediocridade que marcou a organização nas décadas de 1980 e 1990.

Mas agora o torcedor parece que pode voltar a esboçar um pequeno sorriso.

Jameis Winston dá pintas de ser o franchise quarterback que os Bucs tanto queriam e o signal caller de maior qualidade a passar pela equipe desde Jeff Garcia ou Brad Johnson. Esse já é um ótimo início e vamos falar mais de Winston mais adiante.

O time ainda tem outras boas peças ofensivas, como Doug Martin e DeSean Jackson, alguns bons nomes na defesa e vem de uma campanha 9-7 que deixou o time na segunda posição da divisão, melhor colocação dos Bucs desde 2007 (líder da divisão), quando a equipe foi à pós-temporada pela última vez. Sinais de uma mudança breve? Talvez.

Ah, mas como você pode colocar os Bucs na categoria “não se surpreenda, estamos avisando” e listar o time com campanha de 7-9? Bem, porque eu acho que Tampa Bay não vai encerrar o longo jejum sem playoffs já em 2017, mas que vai aprontar coisas agradáveis e deixar o torcedor animado para os anos vindouros.

Prévia Tampa Bay Buccaneers: Winston está amadurecendo. Mas e Doug Martin?

Entrando em sua terceira temporada na NFL, Jameis Winston agora já não tem mais a desculpa de transição do college para o nível profissional. Não, senhor camisa 3, esse migué já não vai colar mais. Chegou a hora de o jovem de 23 anos de idade mostrar que pode ser um dos grandes da liga.

E temos todos os motivos para achar que ele pode fazer isso.

Jameis Winston, quarterback do Tampa Bay Buccaneers

(Crédito: Instagram/reprodução)

Winston vem de uma temporada 2016 em que acertou 60,8% de seus passes para 4.090 jardas e 28 touchdowns. Mas ele também sofreu 18 interceptações (mais de uma por partida) e é aqui que está o problema.

O signal caller dos Bucs precisa cortar urgentemente essa alta quantidade de INT. Foram 15 em 2015, totalizando 33 em suas duas primeiras temporadas da NFL. Uma boa dica é parar de forçar passes desnecessários e pensar sempre no bem da pobre bolinha oval, como se ela fosse a irmã mais nova e os linebackers e defensive backs fossem os pretendentes do ensino médio.

Vale ressaltar também que Winston, apesar de ser o típico pocket passer, tem uma grande capacidade atlética e sabe correr. Prova disso é que ele soma 378 jardas e sete touchdowns com as pernas em sua carreira profissional até agora.

Mas não vamos nos esquecer do restante do ataque. E, já que eu puxei no último intertítulo, vamos agora para Doug Martin.

Uma das maiores estrelas do ataque dos Bucs e principal membro do backfield, Martin ainda terá que cumprir três jogos de suspensão remanescentes de uma suspensão por violar a política de substâncias proibidas pela liga e a vaga de running back titular não estará garantida quando ele retornar. Porém, ele afirma estar andando na linha agora e espera voltar aos seus melhores dias.

Veja nosso esquenta da NFL, com as prévias de todas as equipes

O talento dele é inquestionável. Em sua temporada de calouro, em 2012, ele arrebentou e somou 1.454 jardas e 11 touchdowns corridos em 16 jogos. Porém, desde então, ele tem vivido altos e baixos e só conseguiu ter desempenho parecido em 2015, quando somou 1.402 jardas e seis TDs. Ele será o líder de um backfield que também conta com nomes como Jacquizz Rodgers e Charles Sims, além do calouro Jeremy McNichols.

Precisamos falar também das principais armas de Winston no jogo aéreo. DeSean Jackson chegou nesta offseason e é um velocista, entrando nos Bucs com todas as chances de buscar a sua sexta temporada na NFL com mais de 1.000 jardas recebidas. Outra grande arma é Mike Evans, que entra em sua quarta temporada na liga desde que foi selecionado por Tampa Bay na primeira rodada do draft de 2014, e ele nunca recebeu para menos de 1.000 jardas em sua carreira profissional.

Winston deve fazer a festa com esses dois. E ainda tem mais.

O calouro O.J. Howard foi escolhido na primeira rodada do draft e tem tudo para ser um tight end que causará impacto logo em sua temporada inicial na liga. E, ao lado de Cameron Brate, ele pode formar uma das duplas de TEs mais dinâmicas de toda a National Football League.

Por fim, a linha ofensiva é a maior incógnita do ataque. Ali Marpet é uma das maiores estrelas do setor, mas ele está fazendo a transição de guard para center e isso preocupa um pouco. O setor ainda tem bons nomes como J.R. Sweezy, Demar Dotson e Donovan Smith, porém este último ainda tem seu potencial cercado de dúvidas, sobretudo depois de ser ranqueado pelo Pro Football Focus apenas na 66ª posição entre 78 tackles qualificados na temporada passada.

Prévia Tampa Bay Buccaneers: e a defesa?

A tendência é que a defesa continue melhorando neste ano. Sob o comando do experiente coordenador defensivo Mike Smith, a defesa saiu de uma média de 29 pontos e 399 jardas cedidos por jogo na primeira metade da temporada 2016 par 17,1 pontos e 337 jardas na segunda metade. Essa evolução mostra que Smith está acertando a mão e as coisas devem ficar ainda mais positivas neste ano.

Mas calma. Nem tudo são rosas. Mike Smith não é uma espécie de deus como Rob Ryan para fazer mágica nas defesas. O front seven dos Buccaneers é motivo para algum tipo de preocupação pelo menos.

Não, essas preocupações não atendem pelos nomes de Gerald McCoy e nem Robert Ayers. Muito menos Chris Baker, um dos únicos reforços trazidos pelo general manager Jason Licht para reforçar a linha defensiva. McCoy segue sendo um dos melhores membros de interior de DL e vem de uma temporada com sete sacks, enquanto que, nas pontas, Ayers fez 6,5 sacks em 2016 e tem potencial para aterrorizar os quarterbacks adversários, e William Gholston é outro dos bons defensive ends da equipe. O segundo anista Noah Spence é outro defensive end que merece atenção, após uma temporada de calouro bem promissora com 5,5 sacks.

Tampa Bay Buccaneers

(Crédito: Instagram/reprodução)

O que preocupa um pouco mais é o corpo de linebackers, liderado por Kwon Alexander e Lavonte David. Além desses, o restante dos membros da rotação de linebacker são jovens em sua maioria e há calouros como Eric Nzeocha e Kendell Beckwith, que ainda precisam mostrar a que vieram. Segundo o Pro Football Focus, Alexander e David, juntos, perderam 35 tackles no ano passado e esse é um defeito que precisa ser urgentemente corrigido.

Fechando este tópico da defesa, vamos tratar da secundária, que talvez seja o setor que mais tende a deixar o torcedor animado. O cornerback Brent Grimes está entrando em sua 11ª temporada na liga e, mesmo aos 34 anos de idade, ele ainda tem potencial para liderar a parte do fundo da defesa. O camisa 24 vem de uma das melhores temporadas de sua carreira, com quatro interceptações feitas e 24 passes desviados.

No lado oposto ao de Grimes está Vernon Hargreaves III, que entra em sua segunda temporada, depois de um ano de calouro marcado por altos e baixos. Caso demonstre evolução, ele pode formar uma dupla de cornerbacks interessante.

Nas posições de safety, Keith Tandy demonstra versatilidade, e Chris Conte segue por lá, apesar de seus problemas com tackles e na cobertura. Chegou J.J. Wilcox, ex-Dallas Cowboys, que tem qualidade na cobertura e pode reforçar o setor, e time também utilizou uma escolha de segunda rodada do draft para trazer o promissor safety Justin Evans.

Bônus Roberto Aguayo

Calma, seria impossível fazer uma prévia dos Buccaneers sem mencionar o nome de Roberto Aguayo. Sim, você que é torcedor do time (e mesmo quem não é) já deve ter acompanhado todo o drama da dispensa do kicker.

Investir uma escolha de segunda rodada em um kicker não costuma ser algo inteligente. E Jason Licht não está ajudando a nos fazer mudar de ideia após fazer isso com Aguayo em 2016, só para dispensá-lo um ano depois. Bom, talvez o fato de o GM ter admitido a culpa recentemente alivie um pouco do buyer’s remorse.

Aguayo agora está no Chicago Bears (ao menos até o momento), Nick Folk já aprontou as suas errando chutes na pré-temporada, logo depois da saída do concorrente, e Zach Hocker (meu Deus!) está lá na surdina vendo se a vaga cai no colo.

E a resposta para a posição de kicker? Onde está, Dirk Koetter?

Prévia Tampa Bay Buccaneers: tabela

Tabela Tampa Bay Buccaneers 2017

(Crédito: reprodução)

Olhando rapidamente para a tabela dos Bucs, as coisas não parecem nada animadoras. O time abre a temporada contra o Miami Dolphins, fora de casa, e depois pega um frágil Chicago Bears em seus domínios. A partir daí, uma sequência de pedreiras: Minnesota Vikings (fora), New York Giants (casa), New England Patriots (casa), Arizona Cardinals e Buffalo Bills (fora), Carolina Panthers (casa) e New Orleans Saints (fora).

Na semana 10, uma antes do bye dos Buccaneers, a equipe pega o New York Jets em casa para reganhar a moral após a série ingrata.

Aa seis últimas semanas também prometem um osso duro de roer atrás do outro. Atlanta Falcons e Green Bay Packers, ambos fora de casa, Detroit Lions e Falcons de novo, em casa, e fechando a temporada vem Carolina Panthers (fora) e New Orleans Saints (casa).

É bom o torcedor em Tampa começar a rezar…

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