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Prévia Philadelphia Eagles 2017: no ano de afirmação para Carson Wentz, time mira as próximas temporadas

Philadelphia Eagles

Essa prévia será diferente das anteriores. Ao invés de separar entre ataque e defesa, primeiro vou apontar bons nomes, jogadores que farão uma boa temporada e que podem servir de base para os anos seguintes. Só depois tratarei sobre os vazios e as peças que não prometem muita coisa. Talvez vocês parem de ler na parte boa e deixem para lá a parte ruim. A direção dos Eagles também prefere ignorar a parte ruim e valorizar a boa. É que eles não estão muito preocupados com grandes resultados para este ano. O ano será de testes e avaliações para Carson Wentz, para a linha ofensiva, para as contratações de peso e para o bando de novatos.

Categoria: Não se surpreenda, estamos avisando

Desempenho em 2016: 7-9

Linha de Las Vegas (você pode apostar em mais ou menos vitórias que o número a seguir): 8

Previsão nada científica para 2017: 7-9

Jogadores de Pro Bowl em 2017: Carson Wentz, Jason Peters, Alshon Jeffery, Malcolm Jenkins, Brandon Graham e Ronald Darby.

Quem pode se juntar a essa lista: LeGarrett Blount, Fletcher Cox e Derek Barnett.

Boto fé

O esporte é coletivo, mas algumas posições são mais valiosas do que outras no futebol americano. Não se faz um time sem QB. Carson Wentz vem para o ano de sua afirmação dentro da NFL. Acredito que ele não será nenhum Blake Bortles da vida, que piorou ao longo dos anos. Wentz foi muito bem em seu primeiro ano, com uma queda nos últimos jogos. Eu sei que ele lançou quase uma INT para cada TD (16/14), e mostrou problemas com a mecânica de movimento. Mas ele se adaptou muito bem à NFL, começou em todos os 16 jogos e convenceu a direção dos Eagles de que o problema eram os recebedores.

Sem falar que Wentz foi sackado 33 vezes e tomou ao menos um hit em 98 oportunidades. Até que o novato se virou bem com tanta pressão. Sem falar que ele mostrou agilidade, e até marcou dois TDs correndo, mas sobretudo soube a hora certa de se arriscar e quando era hora de aceitar um tackle.

Carson Wentz, quarterback do Philadelphia Eagles

(Crédito: Instagram/reprodução)

O jogo corrido tem que ser estabelecido, é importante para que o play action funcione, para que Wentz se sinta mais confortável no pocket e que o time avance em campo. LeGarrette Blount e Darren Sproles darão conta do recado? Eu sei que ambos estão em fim de carreira, mas a combinação é muito interessante e deve ser buscada para que o play action funcione. Wendell Smalwood pode injetar um ânimos nos mais velhos, ao mesmo tempo em que pode aprender muito.

Na proteção de Wentz, Jason Peters. Desconheço melhor left tackle. Ele já não consegue atuar em todos os snaps, mas é um jogador do mais alto gabarito e terá a companhia do guard Isaac Seumalo, que em seu segundo ano terá a responsabilidade e a chance de atuar ao lado de Peters. O lado que protege o ponto cego de Wentz virá forte. Do outro lado, Lane Johnson foi suspenso por 10 partidas e voltou muito bem para as últimas seis da temporada passada. Mas jogou sem pressão, quando o time já não almejava mais nada na temporada. Se Peters, 35 anos, e que vai para sua 14ª temporada não sofrer com as dores nas costas, e se Johnson não violar mais nenhuma política de doping, os Eagles possuem dois ótimos tackles. Muito do que se espera dessa linha depende dos dois.

Alshon Jeffery irá melhorar o jogo de passes. A torcida da Philadelphia não terá saudade alguma de Dorial Green-Beckham. Jeffery tem tudo para chegar e modificar o ataque dos Eagles. Ele pode ser um alvo dominante e dar a amplitude que Wentz precisa.

Malcolm Jenkins é o safety completo. Acompanha os olhos do QB adversário, fecha o meio e dá tackles violentos, dá a cobertura necessária nas pontas e ainda arrisca subidas investindo contra a linha ofensiva. Tremendo safety. O outro safety é Rodney McLeod e ele nem é tão talentoso assim, mas como Jenkins faz um pouco de tudo, McLeod não compromete e tem um dos tackles mais duros da equipe. E a melhor notícia é que a dupla de safeties agora possui um companheiro à altura em um dos corners. Ronald Darby vai dar mais liberdade ainda para Jenkins e quem sabe a dupla ajude o fraco front seven, que só conta com três bons nomes.

Confira nosso esquenta para a temporada 2017 da NFL

Brandon Graham faz um pouco de tudo em uma defesa que joga no esquema 4-3. Ele é o Jenkins do front seven. O defensive end constantemente empurra seus adversários e limita o raio de ação do QB. Força fumbles, corre atrás de sacks e fecha os espaços contra o jogo corrido. Ele vai precisar muito da ajuda do defensive tackle Fletcher Cox, que ao lado do linebacker Jordan Hicks são os que se salvam no front seven.

Vai feder

A linha ofensiva é a mesma da última temporada. Wentz que se cuide. A posição de center é uma dúvida sem fim. Jason Kelce quase foi trocado na offseason, mas ele é uma aposta da direção dos Eagles. Diria que a expectativa em torno de seu jogo nunca foi alcançada. Ele é sólido, mas não se destaca e seu salário pede mais do seu desempenho em campo. O center participa de todas as jogadas ofensivas, por isso que minha desconfiança é grande sobre a linha. Mas apesar de todas as críticas que sofre, Kelce pode melhorar em seu segundo ano com Wentz. Vale lembrar que o center só teve QB medíocre desde que entrou na liga em 2011. Michael Vick (não aquele dos tempos de Falcons), Vince Young (também em fim de carreira), Nick Foles, Mark Sanchez e Sam Bradfor. Quem sabe Kelce melhore este ano. Caso isso não aconteça, Stefen Wisniewski deve assumir a posição.

Allen Barbre e Brandon Brooks completam a linha que é apontado por muitos como a melhor da NFL. Eu e muitos torcedores acham que se espera demais dessa linha, e que Peters e Johnson são tão bons que carregam o resto. Mas é fato que que Wentz não tem muito do reclamar. O que pode complicar a linha é a falta de recebedores e a confiança de Wentz neles. Em 2016 já foi assim, e a linha trabalhou mais do que devia, e uma hora ela acaba arrebentando. Por mais que a linha proteja, Wentz não pode ficar muito tempo com a bola. Os recebedores não passam essa confiança e dificilmente Wentz sofrerá menos esta temporada. Talvez jogadas de passes mais curtas e muito jogo corrido aliviem.

Mas só um Alshon Jeffery não resolve. Torrey Smith está em fim de carreira e Nelson Agholor não provou ser um recebedor muito confiável. O torcedor irá sentir falta do criticado Jordan Matthews, que foi para os Bills. Na posição de tight end, a coisa fica ainda pior. Brent Celek já fez muito pelos Eagles, mas não sei se fará muito mais. Zach Ertz teve um bom fim de temporada, mas quando os jogos não valiam mais nada para os Eagles. Trey Burton é uma terceira via, mas nada que possa impactar o ataque.

LeGarrette Blount e Darren Sproles darão conta do recado? Difícil afirmar. Ao mesmo tempo em que o time parece ter uma enorme variação de jogadas, o jogo corrido parece estar estagnado no tempo.

E a defesa, que até que jogou bem no ano passado, ficando em 12ª em pontos cedidos e em 13ª em jardas cedidas, chega com grandes expectativas, principalmente o front seven, mas eu tenho lá as minhas dúvidas. Graham, Cox e Hicks prometem uma avalanche de sacks, mas se eles forem contidos pela linha adversária, o resto do front seven terá que se desdobrar contra o jogo corrido e o de passes curtos.

O defensives end Vinny Curry e o defensive tackle Tim Jernigan estão muito abaixo de Graham e Cox, e a defesa 4-3 de Jim Schwartz exige que os quatro da frente ataquem muito e pressionem o QB adversário. Aliás, o que salva a defesa dos Eagles é a agressividade e a geração de turnovers. Só que Jernigan é um bom bloqueador, mas não tem explosão para romper as linhas. Curry nunca se firmou como titular e seu rendimento só cai. Ele é um ótimo tackleador, mas dorme no jogo corrido e falha nas coberturas. Não me surpreenderia se ele ficar na reserva do novado Derek Barnett. Esta falta de equilíbrio faz com que a linha defensiva fique muito exposta, suscetível a screens e corridas. Isso sobrecarrega os linebackers, principalmente Nigel Bradham. Bradham liderou a franquia em tackles na última temporada, mas teve que lidar com um volume muito grande de jogadas e acabou cedendo em jogadas decisivas. E o que o front seven não faz, sobra para a secundária.

A torcida dos Eagles não sentirá saudades de Nolan Carroll, muito menos de Leodis McKelvin, mas as garantias de que a coisa mude na posição de CB é bem baixa. Tirando Ronald Derby, que chega como titular absoluto, Ron Brooks, Patrick Robinson e Jalen Mills vão ver quem é o menos pior. Talvez alguns dos novatos dê um jeito.

O futuro

O que pode pesar muito na temporada dos Eagles é a safra de novatos. A primeira escolha pode roubar facilmente a vaga do titular Vinny Curry. O defensive end Derek Barnett é muito agressivo e chega na NFL para continuar sendo uma máquina de sacks e de tackles para perda de jarda.

Derek Barnett, defensive end calouro do Philadelphia Eagles

(Crédito: Twitter/reprodução)

A segunda escolha, Sydney Jones, seria o titular se não estivesse se recuperando de uma lesão no tendão de Aquiles. O CB deve voltar aos campos em outubro e gradualmente deve assumir a vaga de Jalen Mills. Resta saber se Jones jogará em um time com ambições ou jogará para cumprir tabela.

Como a situação nos corners era crítica, os Eagles também escolheram um CB na terceira escolha. Rasul Douglas ainda precisa de algum tempo, mas seu tamanho (1,91m e 95kg) impressiona e ele pode se dar bem contra os recebedores mais altos.

Os recebedores Mack Hollins e Shelton Gibson podem e devem ter algumas oportunidades, visto que o corpo de recebedores dos Eagles é bem fraquinho. Mas ambos devem ganhar poucas chances no início. Donnel Pumphrey é chamado de o novo Sproles. Eu sei que já tem muito corredor neste time, mas quando o cara é bom, ele se escala.

Especialistas

Ufa, esses são especialistas mesmo! O punter Donnie Jones é um dos mais confiáveis da NFL. Caleb Sturgis não compromete. O kicker acertou 35 de 41 chutes em 2016, sendo que não errou nenhum dentro das 40 jardas. Sproles ainda é muito ativo no time de especialistas e ainda pode surpreender em alguns retornos. Para finalizar, o grupo que impede retornos não sofreu nenhum TD e teve média de 18.7 jardas por retorno, a segunda melhor marca em 2016.

Tabela

 

Crédito: Instagram/reprodução

Só dureza pela frente. Dos 16 jogos, os Eagles entram como favoritos em apenas três – 49ers, Rams e Bears. Nas outras 13 partidas, o time enfrenta times melhores e mais cascudos. Claro que alguma vitórias podem surgir, mas os Eagles não são favoritos.

E não há como você esperar muita coisa. Dentro da própria divisão, os Eagles, na minha opinião, possuem o pior time. Cowboys, Giants e Redskins são times melhores, com peças melhores e bem mais treinado. Como a rivalidade dentro da divisão Norte da Liga Nacional é histórica, os Eagles vão tirar vitórias desses times mais fortes. Com muita boa vontade, os Eagles podem somar duas vitórias em seis jogos. É pouco, mas é importante para prejudicar o rival.

E a tabela não ajuda. No caminho da franquia surge a NFC Oeste. Arizona e Seattle, este fora de casa, serão duelos duros. Quem sabe os Eagles belisquem uma vitória contra os Cardinals. 49ers e Rams estão a baixo dos Eagles e duas vitórias podem embolar a divisão. Muito da análise ao final da temporada que se aproxima será tirada desses dois jogos.

Ainda na Liga Nacional, a franquia da Philadelphia terá uma parada dura contra os Panthers. Cam Newton promete fazer uma tremenda temporada. E o jogo é na Carolina do Norte. Bom, pelo menos o Chicago Bears parece ser uma presa fácil. Mas só parece. Os Bears estão em construção tanto quanto os Eagles, e Mitchell Trubisky vem como franco atirador.

Nos quatro jogos contra a AFC Oeste, os Eagles irão sofrer. Raiders e Chiefs chegam como favoritos aos playoffs. Os Chargers podem encaixar algumas vitórias, enquanto os Broncos ainda tentam achar um QB titular. Dos quatro confrontos, três acontecem nos 9 primeiros jogos. Três derrotas e o time dá adeus à temporada antes da semana de folga, na semana 10.

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