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Prévia New Orleans Saints 2017: o ataque segue muito bem e só precisa de uma defesa top 25

New Orleans Saints

Esqueça a velha máxima de “ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos”. A torcida da Louisiana não quer nem ouvir essa frase, pois o New Orleans Saints deseja acreditar sempre que é possível ganhar o Vince Lombardi se apoiando em um ataque fulminante.

Pode até se concretizar, desde que a defesa não seja basicamente um lixo radioativo como foi nas últimas três temporadas e em boa parte da ‘era Sean Payton’.

Mas então como esse técnico ainda não foi mandado embora, sobretudo depois de três campanhas consecutivas com 7-9? E cinco 7-9 desde 2006? Porque o ataque é um completo absurdo, mais agressivo que encrenqueiros bêbados na Festa do Peão de Barretos.

Categoria: Não se surpreenda, estamos avisando

Desempenho em 2016: 7-9

Previsão nada científica para 2017: 9-7

Linha de Las Vegas (você pode apostar em mais ou menos vitórias que o número a seguir): 8

Jogadores de Pro Bowl em 2017: nenhum

Quem pode entrar nessa lista: Drew Brees, Michael Thomas e Mark Ingram

Desde que o head coach Sean Payton assumiu a equipe, os Saints são uma máquina de produzir pontos. E muitas vezes uma máquina enguiçada de tomar (caminhões de) pontos. É por isso que eu destaquei no título desta prévia que precisa apenas de uma defesa top 25. Nada mais.

E eu defendo essa teoria com unhas e dentes. Sim, eu sou torcedor do New Orleans Saints, mas calma, não fique bravo comigo. Eu talvez esteja tentando me iludir. Mas vou tentar trazer alguns números.

O quarterback Drew Brees e Sean Payton chegaram à organização em 2006 e, juntos, ambos começaram a construir uma história vitoriosa em uma franquia que sempre foi conhecida historicamente pela mediocridade. Desde então, o time jamais teve um ataque fora do grupo dos seis melhores da liga em jardas produzidas e, em termos de pontos, o ataque só ficou fora do top 10 em duas oportunidades (11º em 2010 e 12º em 2007). Simplesmente uma consistência ofensiva de cair o queixo.

Do outro lado da bola, contudo, o buraco é bem (e bota BEM nisso) mais embaixo. As únicas temporadas na era Payton em que a defesa pode ser considerada boa são 2010 (quarta em jardas cedidas e sétima em pontos) e 2013 (quarta em jardas e pontos cedidos). De resto, foram defesas bem ruins (na maior parte das vezes) e algumas no máximo medianas.

Até mesmo na temporada 2009, inesquecível para o torcedor devido à conquista do Super Bowl XLIV (único da história da franquia), a defesa não foi boa, sendo a oitava pior em jardas cedidas e a 11ª pior em pontos sofridos. Porém, o ataque naquele campeonato foi o melhor da liga em termos gerais.

E por que top 25, Bruno? Eu explico. Em todos os anos desde 2006 em que a defesa dos Saints ficou entre as 25 melhores da liga em termos gerais, o time só não foi aos playoffs em uma oportunidade (temporada 2008, quando teve a 23ª melhor em jardas cedidas e o melhor ataque, mas terminou com 8-8 e não avançou à pós-temporada).

É por isso que, mantendo o ataque explosivo (o que vai acontecer), a defesa só precisa ser ligeiramente consistente. Sim, senhor coordenador defensivo Dennis Allen, tome pressão nas suas costas.

Drew Brees, quarterback do New Orleans Saints

(Crédito: Instagram/reprodução)

Prévia New Orleans Saints: Drew Brees, seu backfield bem interessante e um jovem corpo de WRs

Drew Brees é para o torcedor dos Saints o que Maomé é para um muçulmano, o que Pelé é para o Santos e o que Celso Portiolli é para a televisão brasileira. Xingue a mãe de um fanático pela franquia da Louisiana, mas não ouse dirigir um insulto sequer ao camisa 9.

E não é para menos.

De 2006 em diante, Brees liderou os Saints aos playoffs em cinco oportunidades, mesma quantidade que a franquia tinha se classificado de 1967 (quando foi fundada) até 2005. E mesmo aos 38 anos de idade, o signal caller não demonstra sinais de cansaço.

Na temporada 2016, a 16ª de sua carreira na NFL, Brees acertou nada menos do que 70% de seus passes para 5.208 jardas, 37 touchdowns e 15 interceptações. Existem apenas nove temporadas na história da National Football League com quarterbacks lançado para mais de 5.000 jardas. E Drew Brees é o único que conseguiu isso mais de uma vez. E foram cinco. Bem, não precisamos falar muito mais desse monstro.

Uma pequena incógnita nesse ataque, entretanto, diz respeito ao corpo de wide receivers. Sim, New Orleans mandou Brandin Cooks para o New England Patriots, em uma troca que agitou a nossa amada offseason, e agora aposta todas as suas fichas em um grupo de recebedores bastante jovem. O único tiozão é Ted Ginn Jr., ainda que não saibamos se ele conta a piada do pavê nos almoços na concentração. Com 32 anos de idade, ele chegou nesta offseason para ter um papel secundário e como retornador de chutes, mas sua velocidade é uma arma que deve ser utilizada.

Sem Cooks, o Rei do Gado do grupo de WRs dos Saints é Michael Thomas. Selecionado na segunda rodada do draft do ano passado, ele mostrou suas garras logo em sua primeira temporada na liga e fez 92 recepções para 1.137 jardas e nove touchdowns em 15 partidas. Válido destacar que o camisa 13 quebrou 20 tackles após a recepção, sendo um de apenas quatro receivers a quebrar 20 ou mais ao longo da temporada, e não agarrou apenas quatro de 96 passes possíveis de serem recebidos em seu ano inicial na NFL.

Outro nome que peço que você não se esqueça, mesmo talvez até a própria mãe dele esquecendo, é o de Willie Snead. O receiver originário da Universidade de Ball State (muito prazer!) está entrando em seu terceiro ano na NFL e pode ser um fator interessante no ataque de Brees. Sem badalação, o camisa 83 já soma 141 recepções para 1.879 jardas e sete touchdowns em dois anos, podendo ser um recebedor interessante na rotação jogando no slot.

Atualização (01/09): Snead foi suspenso pela NFL por três jogos, o que deve derrubar seus números na temporada, mas ainda assim ser uma peça vital no ataque de Brees

Snead agarrou 75% dos passes lançados em sua direção, 14ª melhor marca da liga entre wide receivers, e tem habilidade para ganhar boas jardas após a recepção e fugir dos tackles. Aviso mais uma vez: olho nele!

Não, leitor do Quinto Quarto. Pode ficar tranquilo que não vou esquecer da contratação mais badalada para o ataque feita pelos Saints nesta offseason. Vamos agora falar de Ryan Nassib, quarterback reserva ex-New York Giants. CALMA, É BRINCADEIRINHA!

Adrian Peterson saiu do Minnesota Vikings, time que defendia desde 2007, quando foi selecionado com a sétima escolha geral do draft, e chega para renascer na NFL. AP perdeu a maior parte de duas de suas últimas três temporadas devido às lesões, incluindo uma ruptura no menisco em 2016, mas muitos creem que ele ainda tem lenha para queimar.

Peterson correu para mais de 1.000 jardas em sete de suas 10 temporadas nos Vikings, incluindo absurdas 2.097 em 2012, mas vem de um campeonato em 2016 em que teve os piores números de sua trajetória profissional. Foram 72 jardas em 37 corridas (1,9 jardas por tentativa) e nenhum touchdown. Seus problemas nos bloqueios em jogadas de passe e no jogo aéreo são conhecidos, mas pelo chão ele sabe o que fazer.

E AP é apenas um membro do forte backfield de New Orleans, que tem outro running back número 1 em Mark Ingram. Ingram, que foi selecionado pelos Saints na primeira rodada em 2011, vem do melhor ano de sua carreira e correu 205 vezes para 1.043 jardas e seis touchdowns (além de ter feito 46 recepções para 319 jardas e quatro touchdowns). Ingram é mais útil que AP no jogo aéreo e ao lado do veterano, formará uma dupla que deve ‘causar’.

Impossível não mencionar também a chegada de Alvin Kamara. O calouro de Tennessee, draftado na terceira rodada esse ano, promete impactar no backfield dos Saints logo em sua primeira temporada. Ele foi um dos prospectos mais elogiados do draft deste ano e é conhecido pela extrema agilidade e velocidade, coisa que ele até já mostrou um pouco na pré-temporada.

A maior preocupação de maneira disparada no ataque é a linha ofensiva.

O left tackle Terron Armstead passou por cirurgia no ombro durante a offseason e está fora por tempo indeterminado, sendo um desfalque imenso no setor. Assim, a responsabilidade de proteger o lado cego de Drew Brees cairá nas costas do calouro Ryan Ramczyk, selecionado na primeira rodada do draft de 2017 (curiosamente a escolha recebida dos Pats na troca de Cooks vai servir para preencher um dos setores mais frágeis dos Saints).

Originário de Wisconsin, Ramczyk foi o tackle mais bem avaliado pelo site especializado Pro Football Focus neste último draft e esse é um bom sinal. O restante da linha conta com velhos conhecidos da torcida como o center Max Unger, que está voltando de cirurgia e é o líder da OL, o guard Andrus Peat e o right tackle Zach Strief, que entra em sua 12ª temporada na franquia, entre outros nomes.

Prévia New Orleans Saints: esperanças de um futuro menos sombrio na defesa

Pronto. Chegamos àquela parte da prévia em que o torcedor do New Orleans Saints já começa a ter ânsia, sente o suor frio escorrendo pela pele e fecha os olhos por alguns instantes. Vamos falar da defesa.

Prévia New Orleans Saints 2017

(Crédito: Instagram/reprodução)

O sistema defensivo dos Saints foi o sexto pior em jardas cedidas no ano passado (média de 375,4 por jogo) e o segundo pior em pontos sofridos (28,4 por partida). Assim, fica realmente difícil de ser competitivo. Apesar de ter sido até decente contendo o jogo corrido (14ª da liga, com 101,6 jardas cedidas por terra), a defesa contra o passe foi simplesmente um nojo completo, com média de 273,8 por partida, a pior da liga no quesito.

Coloque grande parte dessa culpa no pass rush e não apenas na secundária. A defesa de New Orleans fez apenas 30 sacks no campeonato, ficando entre em cinco piores da NFL, e sem pressão nos quarterbacks adversários, a secundária tende a ceder mais jogadas de passe.

E, infelizmente, nada indica que o front seven dos Saints terá uma grande evolução nesta temporada 2017.

A começar pela péssima notícia envolvendo Nick Fairley. O defensive tackle foi diagnosticado com um problema no coração pré-existente que, inclusive, ameaça sua carreira no futebol americano e não deve entrar em campo em 2017. Assim, a linha defensiva e o corpo de linebackers da equipe é formada, basicamente, por alguns veteranos que são bons nomes e jovens que ainda precisam provar o seu valor em nível profissional.

Quem aparece como destaque no pass rush é o defensive end Cameron Jordan. Desde 2011 na franquia, após ser selecionado na primeira rodada do draft, o camisa 94 vem de uma temporada com 7,5 sacks e ele tem duas temporadas com 10 sacks no mais na carreira (12,5 em 2013 e 10 em 2015). Jordan também ficou empatado na quarta posição em toda a liga em pressões em cima dos QBs entre todos os edge rushers.

Na outra ponta da DL, Alex Okafor, ex-Arizona Cardinals, chegou em março e tenta ser outro nome caótico para os ataques adversários. No meio da linha, Tyeler Davison e o jovem Sheldon Rankins, que entra em sua segunda temporada na NFL, tentam segurar as pontas como titulares.

O front seven ainda conta com outros nomes experientes como Tony McDaniel e os Saints selecionaram os defensive ends Trey Hendrickson (terceira rodada) e Al-Quadin Muhammad (sexta rodada) no draft deste ano, mas ambos não devem chegar para causar impacto imediato.

Você acha que os problemas no front seven se limitam à linha defensiva? As coisas sempre podem ficar piores quando usamos as palavras “Saints” e “defesa” na mesma frase.

Dannell Ellerbe, que sofreu muito com lesões nos últimos anos, foi liberado clinicamente após sofrer uma lesão no pé e já foi dispensado pelos Saints. A boa notícia é que o corpo de linebacker recebeu adições experientes como A.J. Klein, ex-Carolina Panthers, e Manti Te’o, ainda que esse último tenha sido um fiasco no então San Diego Chargers e nem a namorada dele deve discordar disso (é brincadeirinha, Manti).

Algumas esperanças também são depositadas no calouro Alex Anzalone, selecionado na terceira rodada do draft, que mais parece um participante da Liga Mundial de Surfe, mas pode impactar na rotação.

Por fim, chegou a hora de tratar de um dos setores mais contestados da defesa, se é que devemos falar assim desses coitados que tentam dar conta do recado no fundo do campo. Vamos para a secundária.

Como sou sádico (risada macabra), vou começar por um problema grande: Delvin Breaux.

Depois de uma temporada de calouro ligeiramente animadora em 2015, quando fez três interceptações, Breaux teve uma queda brutal de produtividade no ano passado, disputando apenas seis jogos devido às lesões. E, agora, ele sofreu uma fratura na fíbula recentemente e deve perder algumas semanas da temporada.

Mas calma. O New Orleans Saints também selecionou o talentoso cornerback Marshon Lattimore na primeira rodada do draft e o calouro de Ohio State chega para ser um dos principais membros da secundária da organização já em sua primeira temporada na NFL.

No ano passado, com a camisa do Ohio State Buckeyes, Lattimore fez quatro interceptações e desviou seis passes, cedendo um passer rating aos QBs adversários de apenas 31.9, marca impressionante.

Outro jovem selecionado pelos Saints no draft para reforçar é setor é o safety Marcus Williams, de Utah, que saiu na segunda rodada e chega provavelmente para desempenhar um papel importante na rotação. Kenny Vaccaro, líder do time entre os safeties, tenta seguir bem após duas interceptações e cinco passes desviados em 11 jogos no ano passado.

Prévia New Orleans Saints: tabela

Tabela New Orleans Saints 2017

(Crédito: reprodução)

O começo da temporada 2017 promete ser brutal para os Saints. O time de Sean Payton abre o campeonato jogando fora de casa contra o Minnesota Vikings, no Monday Night Football, e depois já pega o atual campeão New England Patriots em casa. Antes do bye, na semana 5, New Orleans Saints tem dois jogos difíceis fora de casa contra o rival de divisão Carolina Panthers e o Miami Dolphins, talvez este último o adversário mais fácil desses primeiros jogos.

Após a folguinha, os Saints então terão uma overdose de NFC North, já que pegam Detroit Lions, Green Bay Packers e Chicago Bears na sequência nas semanas 6, 7 e 8. Na segunda metade do campeonato, além dos confrontos na divisão contra Atlanta Falcons, Tampa Bay Buccaneers e Panthers, New Orleans tem alguns adversários mais frágeis no papel, tais como Los Angeles Rams, fora de casa, na semana 12, e New York Jets, em casa, na semana 15.

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