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Prévia Minnesota Vikings 2017: navegação nada tranquila, barco desgovernado no ataque, mas seguro na defesa

prévia Minnesota Vikings

Lá vamos nós. O barco viking está prestes a zarpar! Mas não pense que estou falando sobre o tradicional barco viking, aquele em formato de dragão – drakkar, navio-dragão em nórdico antigo. Uma ferramenta essencial na conquista de diversos territórios. Um barco valente contra as ondas e de alta eficiência. O barco viking de que falo é aquele dos parques de diversão. Como um pêndulo em alta velocidade, o barco sobe e desce, provoca um frio na barriga atrás do outro ao mesmo tempo em que diverte e parece inofensivo. Risadas e gritos assustados. A diversão é acompanhada com altas doses de pânico e vontade de pular fora do barco. Essa será a temporada em 2017 para o Minnesota Vikings. Altos e baixos, muita adrenalina e um misto de diversão com desespero.

Categoria: A melhor defesa é a defesa.

Desempenho em 2016: 8-8

Previsão nada científica para 2017: 8-8

Jogadores de Pro Bowl em 2017: Eric Kendricks, Danielle Hunter, Linval Joseph, Everson Griffen, Harrison Smith, Xavier Rhodes, Stefon Diggs e Latavius Murray.

Quem pode entrar nessa lista: Anthony Barr, Kyle Rudoplh, Andrew Sendejo e Datone Jones.

Em 2016, tudo que a defesa fazia de bom, o ataque tratava de desperdiçar. Foram várias as vezes em que a defesa segurou o ataque adversário em terceiras descidas e em seguida o ataque dos Vikings foi para as três descidas e não conquistou o first down. Todos sabem que é a defesa que vai sustentar o time em 2017. Agora, o ataque precisa funcionar melhor e tirar proveito de uma defesa tão sólida.

Prévia Minnesota Vikings: vai te levar às alturas

Se Sharrif Floyd estivesse saudável, não hesitaria em dizer que os Vikings possuem uma defesa que está entre as cinco melhores da NFL. Mas 10 meses não foram suficientes para ele se recuperar e nada indica que ele retorne para a temporada que se aproxima.

Chad Greenway se aposentou e fará uma falta enorme. O linebacker era responsável por cobrir as subidas de Eric Kendricks e Anthony Barr, que são dois tremendos linebackers  e ditam as regras na defesa, mas deixavam uma faixa de campo enorme para Grennway cobrir. Emmanuel Lamur parece ser o substituto de Greenway, mas ele parecia uma barata tonta em algumas jogadas na última temporada. O esquema 4-3 requer muito dos linebackers.

A sorte é que Floyd e Greenway são as duas únicas perdas. E se Lamur parece não ser muito confiável, os defensive tackles Tom Johnson e Datone Jones darão conta do recado. Jones veio dos Packers e promete deslanchar com quatro defensive ends. Lógico que não se acha um Sherrif Floyd em qualquer canto, mas os dois podem revezar e manter a agressividade em alta.

Danielle Hunter Minnesota Vikings

Crédito: Instagram/reprodução

Porque Danielle Hunter, Linval Joseph e Everson Griffen prometem uma avalanche de sacks. O trio é muito dinâmico e especialista em quebrar as linhas ofensivas. O nose tackel Joseph é enorme, tem 1,93m e 147 quilos. Apesar do tamanho ele é ótimo se movimentando lateralmente e, obviamente, ocupa muito espaço mesmo ficando parado. O right end Griffen é um pass rusher de primeira, enquanto Hunter honra o nome e caça com sangue nos olhos (12,5 sacks em 2016).

Se o front seven é repleto de talentos, a secundária não fica muito atrás. Harrison Smith é o free safety que todo treinador quer. Ele cobre bem rotas profundas, passeia por quase todo o campo, pressiona na linha, vai para a blitz e tem um tackle seguro. Xavier Rhodes evoluiu rapidamente e se tornou um cornerback temido em sua temporada de estreia. Suas cinco interceptações lhe renderam respeito em 2016. Rhodes interceptou Eli Manning uma vez e Carson Palmer duas. Ele será o responsável por marcar os rivais Jordy Nelson, dos Packers, e Golden Tate, dos Lions. Captain Munnerlyn foi para os Panthers, mas o eterno cornerback Terrence Newman ainda tem lenha pra queimar. Ele deve dividir alguns snaps com Trae Waynes, que precisa se firmar de vez. Andrew Sendejo completa a secundária. Sendejo é muito rápido, mas ainda precisa ser mais firme em alguns tackles. É preciso entender que nem toda jogada precisa ser fantástica, e que fazer o simples pode resultar em melhores resultados. Ele vem em uma crescente e pode explodir em 2017.

Entretanto, essa defesa tem uma falha que incomoda. O jogo corrido machucou e tirou o ímpeto da terceira melhor defesa em 2016. Por ter um front seven que foca no QB adversário, os running backs deitaram e rolaram. A média por carregada foi de 4.2 jardas. Ou seja, você corria três vezes e conquistava o first down. Patético. Não à toa, todos os times correram muito mais do que foram para o passe contra os Vikings em 2016. No total foram 332 jogadas de passe e 404 de corrida.

Isso acontece porque Zimmer adora jogar com double A gap blitz. Nesta formação, o nose tackle, o defensive tackle e um defensive end atacam o center e seus dois guards, enquanto dois linebacker avançam e forçam passagem pelos dois lados do center. São cinco jogadores forçando o miolo da linha defensiva (center e os dois guards). Sendo assim, os linebackers podem ser queimados com corridas laterais ou handoffs. E se fingirem a blitz e recuarem, os linebackers podem dar espaço e qualquer brecha para o corredor adversário pode resultar em um caminhão de jardas. É um sistema agressivo e que funcionou apesar do convite ao jogo corrido. Em 2016, esse mesmo sistema fundamentou a quinta melhor defesa em sacks (41), a quarta melhor cedendo TDs (32) e a 12ª  em interceptações (14).

Vai te puxar para baixo

Vamos ao frio na barriga. Eu sei que o tight end Kyle Rudolph é um dos melhores recebendo e bloqueando. Eu sei que Stefon Diggs é um recebedor sensacional, um dos mais talentosos e que não fica muito para atrás de Beckham, Edelman, Sanders e Brown. Adam Thielen parece ter nascido para jogar em Minnesota. O recebedor nasceu e cresceu jogando no estado dos mil lagos. Junto com Diggs, ele forma uma dupla muito interessante e perigosa. Contudo, Cordarrelle  Patterson foi embora e Laquon Treadwell pouco jogou para se ter uma ideia do seu jogo. Vamos ver se Zimmer encaixa o recebedor. Eu sei que Michael Floyd foi contratado e chega com muitas expectativas. Mas eu acho difícil ele impactar o ataque. Até gostaria disso, mas duvido.

Também sei que não há time na NFL que possua três corredores tão bons quanto os Vikings. Latavius Murray, Dalvin Cook e Jerick McKinnon formam um trio de respeito e vão tirar do fundo do poço o jogo corrido dos Vikings. Em 2016, o time foi o pior correndo com a bola. Não há como isso se repetir. Murray é um “caminhãozinho” correndo com a bola e fará o time esquecer as seguidas falhas em descidas para poucas jardas. Cook é o calouro sensação. McKinnon é o remanescente. Mesmo sendo titular em apenas 7 jogos em 2016, o corredor liderou o time em jardas corridas e ainda foi o quinto em passes recebidos. Adrian Peterson foi embora. Matt Asiata também. Mas sinto que não farão falta. Principalmente Peterson.

Tudo parece muito bem, mas não há ataque sem linha ofensiva. Daí o negócio fica feio. A linha cedeu 38 sacks e 104 pancadas no QB ano passado. É fato que as contusões (12 jogadores diferentes atuaram na linha, sendo cinco left tackles diferentes) e a polêmica saída de Norv Turner contribuíram para que a linha fosse muito mal. As mudanças para este ano passam confiança, mesmo porque não tem como piorar, ou tem? Enquanto a maioria dos analistas preveem uma boa temporada para a linha ofensiva, creio que o desempenho deve ser quase o mesmo. Sem falar que ela não me parece muito afinada com o jogo corrido. Por várias vezes, a linha ofensiva atrapalhou o jogo corrido no ano passado e comprometeu várias campanhas.

Joe Berger, que foi o center nas duas últimas temporadas agora jogará como right guard. Nick Easton e Pat Elflein lutam pela vaga de center. Easton tem mais chances, jogou de center nas últimas rodadas de 2016, enquanto Elflein é um novato que jogava de guard na faculdade. A posição de center é fundamental no futebol americano, a indefinição do titular pode custar caro. Alex Boone será o left guard, mas ele perdeu boa parte da pré-temporada com uma contusão no joelho e Zimmer deixou Easton como right guard e Elflein de center. Riley Reiff foi contratado para ser o left tackle, enquanto Mike Remmers, também contratado na offseason, será o right tackle.

Talvez a linha tenha algum futuro e eu só estou pessimista. Remmers e Reiff não são elite, mas são consistentes. Berger já está em fim de carreira e a posição de guard é um pouco mais tranquila que a de center. Se o quinteto titular ficar saudável, a linha pode entrosar.

Até aqui, o ataque não parece puxar o time para baixo, certo? Errado. Isso porque eu ainda não citei a peça principal. Sam Bradford fez um 2016 muito bom. Foram só 5 INTs e 20 TDs. Nada mal pra quem chegou em cima da hora e já foi assumindo o ataque.

Sam Bradford, quarterback dos Vikings

(Crédito: Twitter/reprodução)

O problema é que Bradford dificilmente fica saudável. Em sete temporadas na NFL, ele só completou 16 jogos duas vezes e nem entrou em campo em 2014. Como Teddy Bridgewater dificilmente atuará em 2017, Bradford tem a titularidade garantida. Case Keenum não assusta e Taylor Heinicke ainda é muito cru.

Para piorar, Pat Shurmur adora o jogo de passes. O coordenador é fanático por um sistema cheio de formações shotgun e isso pode expor muito Bradford. Todo cuidado da última temporada pode dar lugar a um exagero de tentativas de passe. O melhor seria estabelecer o jogo corrido e usar mais play actions do que shotguns. Bradford pode surpreender, mas o QB não me convence. E se formos comparar com Aaron Rodgers e Matthew Stafford, Bradford parece piorar.

Especialistas

Não sei se posso chamá-los de especialistas. Cordarrelle Patterson era um especialista em retornos, mas ele foi embora. Marcus Sherels, que também joga de CB, até é especial, mas Cordarrelle é um fenômeno. Rodney Adams e Stacy Coley podem retornar alguns chutes, mas ainda estão longe de serem unanimidades. O punter Jeff Locke foi para os Colts, e em seu lugar dois jogadores brigam pela posição. Ryan Quigley parecia ser o favorito, mas o novato Taylor Symamank vem muito bem na pré-temporada e pode roubar a vaga de Quigley.

Kai Forbath chegou no meio da temporada de 2016 após Blair Walsh se afundar em erros. Na última temporada, Forbath foi muito bem nos field goals (15/15), mas pecou nos chutes extras (11/14). Não duvido que ele saia antes do fim da temporada.

Prévia Minnesota Vikings: tabela

(Crédito: Instagram/reprodução)

Fica difícil quando você tem que enfrentar duas vezes Packers, Lions e Bears. Três franquias pesadas e cheias de tradição. Aliás, a NFC Norte é histórica. Em 2016 foram apenas duas vitórias dentro da divisão. E não esperem algo muito diferente. A divisão é dura. Mesmo os Bears podem arrancar uma vitória dos outros três. Considero três vitórias em seis jogos uma ótima campanha. Ainda na liga Nacional, os Vikings enfrentam a NFC Sul. Panthers e Falcons surgem como favoritos, mas Saints e Bucs são bem plausíveis. Mais uma vez, 50% de aproveitamento é um ótimo rendimento. Mas já pensou perder os quatro jogos? Pode acontecer.

Para finalizar a liga Nacional, os Vikings recebem os Rams e saem para enfrentar os Redskins. Esses jogos são fundamentais para as pretensões da equipe. Duas vitórias e o time se qualifica aos playoffs. Duas derrotas e a temporada acaba. Os Rams são presas mais fáceis, mas os Redskins estão no mesmo nível que os Vikings.

Contra a liga Americana surge a complicada AFC Norte. Os Steelers são favoritos. Bengals e Ravens são dos mesmo nível. Os Browns são franco atiradores e podem complicar. Sei não, esses quatro jogos são bem perigosos. Uma única derrota e o time chega aos playoffs. Uma única vitória e o time sai da briga pelo playoff.

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