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Prévia Indianapolis Colts: franquia confusa, Andrew Luck baleado e defesa desfigurada

Previa Indianapolis Colts

Essa talvez seja a prévia em que mais citarei a direção de uma equipe da NFL. John Irsay, o dono da zorra toda, é um dos mais amalucados da liga. Tanto que estamos acostumados com prisões de jogadores pelos mais variados motivos, mas não estamos acostumados com donos sendo presos por dirigir sob influência.

Categoria: O que é que vai sair disto?

Desempenho em 2016: 8-8

Previsão nada científica para 2017: 8-8

Linha de Las Vegas (você pode apostar em mais ou menos vitórias que o número a seguir): 9

Jogadores de Pro Bowl em 2017: Andrew Luck, T.Y. Hilton, Vontae Davis, Edwin Jackson e Ryan Kelly.

Quem pode se juntar a essa lista: Frank Gore, Johnathan Hankins e Donte Moncrief.

Irsay também é um falastrão e se mete em tudo. Para deixar o clima “sossegado”, o mandatário fez questão de dizer que foi atrás de Jon Gruden para o cargo de técnico. E que Chuck Pagano só ficou porque Gruden prefere continuar comentando jogos pela televisão. Mas ao mesmo tempo em que frita seu técnico, ele também fez questão de dizer que seu novo GM Chris Ballard queria Pagano fora, mas que ele segurou o técnico no cargo. Vai entender.

Ballard chegou com a missão de renovar o time, assinando vários free agents jovens, draftando estritamente o necessário e mandando embora os mais veteranos. Ou seja, meio que Ballard está projetando um Colts para daqui duas temporadas, enquanto Pagano quer e acha que pode vencer já e agora. O que disse Irsay? Que ele não se importa com duas temporadas perdendo desde que o time fique forte no futuro e que acha que Pagano não é o nome mais exato para uma renovação, mas que ele pode servir de transição para que um próximo técnico encontre uma base forte. Vai entender.

Enfim, a confusão tá armada e o time parece encaminhar-se para um ano sombrio. Contudo, os talentos de Andrew Luck, T.Y. Hilton, Frank Gore, Vontae Davis e Adam Vinatieri podem vencer jogos e os Colts podem sonhar com a pós-temporada.

Uma coisa é certa, o ano vai ser quente e cheio de drama no vestiário. Basta ver como já está sendo a pré-temporada.

(Crédito: Instagram/reprodução)

Prévia Indianapolis Colts: mais sorte que juízo

Andrew Luck vai para sua sexta temporada na NFL. Seus três primeiros anos foram incríveis, apesar do título não ter vindo. A quarta temporada foi trágica. Luck se machucou, jogou apenas sete partidas, tendo perdido em cinco delas. O ano de 2016 era para ser de recuperação, mas Luck tomou muita pancada (41 sacks), jogou no sacrifício em algumas partidas e não foi capaz de levar o time de volta aos playoffs.

O que esperar de Luck após uma cirurgia no ombro? Há muitas dúvidas sobre o seu retorno. Irsay já disse que não sabe se ele estará pronto para a estreia. Sem Luck, o que parece ruim pode ficar pior. Olha, Luck tem uma certa magia, combinação de lances malucos com muita sorte e pouco juízo. Luck precisa tomar conta da bola. Em 2017, apesar dos 31 TDs, Luck foi interceptado 13 vezes. E com a defesa em frangalhos, cada turnover tem uma chance enorme de se transformar em pontos. Mas além de tomar conta da bola, ele precisa se cuidar em campo. Irsay acredita que seu QB precisa ser mais tradicional e fugir do contato. Já Pagano acredita que esse é o jogo de Luck e que ele precisa de mais proteção da linha ofensiva. Ballard já começa a se movimentar e a pensar em um substituto para Luck.

Acredito que todos têm um pouco de razão nessa história. A linha realmente não protege nada e meio que obriga o QB a sair fintando e escapando dos tackles O próprio Luck já aprendeu com as lesões e sabe que seu corpo é frágil. Talvez o QB devesse tentar menos corridas. Para se ter uma ideia, Andrew Luck, com 341 jardas, foi o segundo principal corredor dos Colts em 2016. Por outro lado, o QB chegou a NFL com esse estilo de sempre jogar no mais alto limite, sempre flertando com o fantástico e o patético. Andrew Luck pode comandar uma virada espetacular no quarto período ou ser interceptado com retorno para TD. Em Stanford já era assim.

O complicado é que Andrew Luck tem pouquíssimas peças no ataque. Times inferiores possuem mais. T.Y. Hilton é o recebedor principal disparado. Em 2017 foram 91 recepções para 1448 jardas. Uau! Ele deve ter feito muitos TDs, certo? Não. Foram apenas 5. O que mostra que os Colts avançam bem, mas aproveitam mal perto da end zone.

O recebedor número dois é Donte Moncrief. Infelizmente, Moncrief ficou de fora de sete jogos no ano passado. Mesmo assim, foram sete TDs, o que dá um certo ânimo. Hilton e Moncrief podem formar uma boa dupla. Moncrief pode se beneficiar da marcação dupla em Hilton, que pode tirar proveito caso Moncrief passe a ser um alvo constante na red zone.

Se Phillip Dorsett engrenar, Luck vai pode soltar o braço. Dorsett foi escolha de primeira rodada em 2015, mas só somou três TDs em duas temporadas. E para piorar, Dorsett perdeu alguns treinos por causa de lesão. Já a posição de tight end é muito fraca. Dwayne Allen foi embora e Jack Doyle precisa entrar no esquema de passe. Doyle terminou 2016 com o melhor aproveitamento em recepções (78.7%) entre os tight ends e deve ser usado mais vezes. Não há como ter sucesso na NFL sem um bom tight end.

Muito menos sem um corredor. Frank Gore está em fim de carreira, mas ainda deve render mais de três jardas por carregada. Ano passado ele se tornou o jogador mais velho (33 anos) a correr para mais de mil jardas. Enquanto o reserva for Robert Turbin, Gore não perde a posição de titular. Aliás, Luck correu mais jardas que Turbin. A esperança é que o novato Marlon Mack venha bem, que pressione Turbin e que seja um reserva em desenvolvimento. Mas Mack também perdeu alguns treinos por causa de lesão.

Mas o ataque já começou a pré-temporada com baixas importantes na linha ofensiva. O center Ryan Kelly, escolha de primeira rodada em 2016, foi visto andando de muletas e só deve voltar para a temporada regular. O center é o principal nome da linha e o pilar que protege Luck. Sem Kelly, Luck já pode se preparar para levar algumas porradas. Mas outras baixas importantes andam preocupando.

Denzelle Good e Joe Haeg também se machucaram na pré-temporada. A cada dia que passa, a linha ofensiva dos Colts parece mais capenga ainda. Os dois mais saudáveis da linha ofensiva são os tackles Anthony Castonzo e Jack Mewhort. O problema é que a desconfiança sobre eles só aumenta. Mewhort fica trocando de lado na linha toda hora e Castonzo caminha para ser uma enorme decepção.

Mais juízo do que sorte

A defesa é um canteiro de obras. Quase tudo é novo e ainda em construção. Ballard está tirando tudo que é velho e caro, promovendo uma enorme competição entre os recém chegados. E a mudança faz sentido, visto que a defesa foi horrível em 2016. Robert Mathis se aposentou. Perda irreparável. Kendall Langford, 31 anos, foi dispensado e gerou um atrito enorme entre Ballard e Pagano. Pagano acreditava que Langford teria mais sorte esse ano e que voltaria bem de uma contusão no joelho. Mas um exame apontou que o defensive end ainda não estava recuperado e ele foi dispensado. Ballard sabe que Langford demoraria para recuperar-se e que mantê-lo traria só mais gastos e pouco retorno. Nem Eric Walden, apesar dos 11 sacks em 2017, ficou na equipe. Beirando os 32 anos, Walden também se enquadra no caso de Langford e de outros tantos.

Ballard também se livrou de Arthur Jones, após entender que o defensive tackle era caro demais para o que produzia. Jones também se contundiu e perdeu metade da temporada. Mais um caso em que o GM entendeu que os gastos não resultariam em desempenho. Quer outro que saiu porque estava ficando velho e custoso? O safety Mike Adams foi negociado com os Panthers. Mais um que já foi? D’Qweell Jackson também não se enquadrava no planejamento. Confesso que até me perdi um pouco com tantas trocas na defesa dos Colts.

O único nome indiscutível na defesa é o de Vontae Davis. Mas o próprio Davis perdeu dois jogos na última temporada e ficou bem longe de ser o grande cornerback que conhecemos. Sem falar que Davis vai fazer dupla com o CB Rashaan Melvin, que ainda patina na NFL. Além de Davis, um bom nome para se olhar é o de Johnathan Hankins. O nose tackle, vindo dos Giants, é tratado como o futuro da defesa e Ballard sabe que ele tem potencial. Mas Hankins parece um pouco empolgado demais. Outro nome que vem com alta expectativa é do linebacker Edwin Jackson. O segundo anista promete comandar o front seven e liderar o time em sacks.

Outro que pode aparecer bem é Jabaal Sheard. Em 2016, Sheard somou 5 sacks pelos Pats. Ele e Jackson podem formar uma boa dupla. No trio da frente, além de Johnathan Hankins, Henry Anderson e Hassan Ridgeway devem atuar na maioria dos snaps, mas Margus Hunt e Al Wood correm por fora e com muitas chances.

Os nomes novos são tantos que fica difícil projetar alguma coisa. John Simon, Anthony Walker, Mathias Farley, o novato Malik Hooker e Quincy Wilson, só para citar alguns. A defesa, que foi a 3ª pior em 2016, pode repetir o desempenho. São muitas contusões e as novas contratações precisam de tempo e entrosamento. Melhor eu terminar essa prévia logo, antes que mais alguém seja negociado ou se machuque.

Especialistas

A offseason também foi cruel no time de especialistas. Pat McAfee largou o futebol americano e foi fazer stand up comedy – juro que eu não estou mentindo. O punter era ótimo chutando dentro das 20 jardas do campo adversário, sem falar na sintonia ao segurar a bola para os chutes do veterano Adam Vinatieri. Irsay fez um pouco de tudo para McAfee voltar, mas o comediante já estava decido.

(Crédito: Indianapolis Colts/divulgação)

Vinatieri, 44 anos, o jogador mais velho da NFL, ainda tem lenha pra queimar e não deve comprometer muito. Para o lugar de McAfee, os Colts trouxeram o competente Jeff Locke, que tem números tão bons quanto ao de seu antecessor.

Prévia Indianapolis Colts: tabela

“A AFC Sul é uma baba!”. Vejam bem, não é das mais complicadas, isso sem dúvida. Mas Titans e Jaguars melhoraram enquanto os Colts pioraram. Os Texans são os grandes favoritos para levar a divisão e devem sobrar contra os rivais. É claro que a rivalidade dentro da divisão deixa os jogos mais acirrados e menos previsíveis, mas os Colts lutam para vencer, no mínimo, três jogos.

Ainda na Conferência Americana, o time tem jogos complicados contra Steelers, Ravens, Broncos e Bengals. Do jeito que as coisas estão, duas vitórias nestes confrontos seriam sensacionais. Mas o time pode sair deles sem nada e a temporada pode acabar bem antes do que o previsto. Bills e Browns são os confrontos mais fáceis. Imaginar duas vitórias não é nada absurdo.

Contra a Conferência Nacional um misto de otimismo e pessimismo. Seahawks e Cardinals são times melhores e surgem como favoritos. Mas Rams e 49ers são bons adversários para dar moral. Duas vitórias e o time sonha com os playoffs. Mais de duas derrotas e um abraço. Realmente, a tabela não é das mais difíceis, mas os Colts não sabem o que querem e podem se complicar sozinhos.

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