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Prévia Green Bay Packers 2019: querendo ou não, é uma reformulação

Green Bay Packers

O ano de 2018 foi uma desgraça para o Green Bay Packers. O primeiro tempo contra o Chicago Bears na verdade foi a tônica da temporada e não o segundo, quando Aaron Rodgers fez das suas e o ataque operou um milagre para vencer a partida. A temporada acabou com um 6-9-1, o treinador de 12 anos demitido e uma chuva de críticas que não poupou nem Rodgers.

Agora os Packers se juntaram à moda da NFL em busca de uma lufada de ar mais moderna. Pena que…

Categoria: Pena que nossa divisão é uma desgraça
Campanha em 2018: 6-9-1
Projeção para 2019: 9-7
O que me faz sorrir: Rodgers com um novo ataque
O que me faz ter calafrios: é uma reformulação

Matt LaFleur é uma das 15 novas cabeças que comandarão o ataque de suas franquias em comparação com quem detinha essa “honra” no começo da temporada passada. E muito dessa revolução passa por Sean McVay e o sucesso que ele teve no Los Angeles Rams. LaFleur, aliás, trabalhou nos Rams como treinador de quarterbacks e antes teve a mesma posição nos Falcons, quuando chegaram ao Super Bowl. Ter aprendido com dois gurus ofensivos modernos (Kyle Shanahan em Atlanta) foi o que garantiu o trabalho de coordenador ofensivo em Tennessee na temporada passada.

E, sinceramente, o que também garantiu sua vaga nos Packers, já que nos Titans ele não tinha Steve McNair para trabalhar, mas mesmo assim seus resultados foram pouco mais do que medianos. E o head coach de 39 anos vai logo ter que encarar uma bucha sem tamanho. McVay pegou um quarterback jovem cheio de fome. Shanahan um mais veterano mas que precisava se provar. LaFleur vai pegar o genial, mas temperamental, Aaron Rodgers. Por mais que a relação parece boa no momento, sempre vai precisar de trabalho e paciência.

Afinal o camisa 12 já foi à imprensa falar: “eu não acho que você queira que eu desligue 11 anos de experiência. Tem coisas que não são muitos nesta liga que conseguem fazer na linha de scrimmage. Isso não sou eu me gabando, é um fato”, disse Rodgers. Em uma das dezenas de matérias sobre o divórcio de McCarthy e Rodgers e consequentemente do treinador com os Packers, o assunto controle do ataque e como Rodgers gosta de liberdade para mudar jogadas foi uma tônica. O jogador vai querer liberdade e não vai esconder descontentamentos.

O que me faz salivar (mais do que bolo de chocolate)

Não acho que exista só razões para se preocupar. Rodgers vê sua carreira avançando com só um Super Bowl disputado, então duvido que ele queime o jovem treinador que pode ter ótimas ideias só para ter mais controle. Mesmo que eles não se tornem unha e carne, você pode ganhar e evoluir em relação aos últimos anos com McCarthy.

Por mais que os torcedores dos Packers não queiram ouvir isto, este deve ser um ano de reposicionamento. O ataque tem peças, com Davante Adams vindo de uma temporada de 111 recepções e 1386 jardas. Aaron Jones deve ser o dono do backfield após anos sem real impacto no jogo corrido e Jimmy Graham precisa mostrar que ainda tem serventia. Na linha, David Bakhtiari é um excelente left tackle.

Mas tirando esses nomes, começa a ser complicado. Geronimo Allison, Marquez Valdes-Scantling e Equanimeous St. Brown precisam subir de nível para o ataque de LaFleur funcionar, já que em suas duas paradas de sucesso ele teve corpos de recebedores completos. Jones, Sanu e Gabriel em Atlanta,  Watkins, Kupp, Woods em Los Angeles.

Eu acho que Rodgers pode compensar tudo isso e achar recebedores mais livres com um esquema mais moderno imposto por LaFleur? Sim senhor. Mas também acho que é necessário mais talento para complementar Rodgers, Adams e Bakhtiari, o melhor jogador de linha ofensiva da NFL segundo o Pro Football Focus.

Khalil Mack, linebacker do Chicago Bears, derruba o quarterback Aaron Rodgers, do Green Bay Packers

Rodgers com certeza não quer Mack desse jeito nele em 2019 30(Crédito: Twitter/reprodução)

O que me deixa com nojo (mais do que a mão do Joachim Löw)

A defesa dos Packers é algo que eu realmente quero observar e não é ela que me deixa com nojo, com certeza. Aliás, acho que até pode ser de boa qualidade. O que me preocupa é sua total remodelação. Mike Pettine, ex-treinador dos Browns, chegou na temporada passada, mas ele vai se provar mesmo como coordenador defensivo em 2019.

O grupo de pass rushers mudou completamente, com o time abrindo mão do eterno Clay Matthews e investindo pesado na free agency com a dupla Smith – Za’Darius Smith, ex-Ravens e Preston Smith, que veio de Washington – e ainda escolhendo Rashan Gary na primeira rodada do Draft. Na posição de safety a equipe foi até Chicago roubar Adrian Amos e escolheu Darnell Savage também na primeira rodada.

Além de tudo isso ainda tem Josh Jackson e Jaire Alexander, escolhas altas do Draft de 2018. Alexander mandou bem em seu ano de calouro, enquanto Jackson pode melhorar, especialmente não cometendo tantas faltas. Agora se espera o pulo de qualidade em ambos.

Ou seja, estamos falando de várias caras novas ou entrando em sua segunda temporada na NFL. É uma defesa verde (não ria com esse trocadilho), que pode precisar de jogos e alguns tapas na cara para crescer. Combinado com o ataque, que também vai depender da ascensão de jogadores jovens, especialmente na posição de wide receiver, isso me deixa um pouco inquieto. Mas é um passo normal em uma reformulação.

Para me amar ou me xingar (o porquê da minha projeção para a temporada)

A NFC North tem o Chicago Bears e o Minnesota Vikings mais prontos, por mais que não necessariamente sejam dominantes. Os Lions parecem um passo atrás, mas não serão um time 3-13, o que também pode complicar  a franquia do Wisconsin em uma possível briga por wild card.

green bay packers 2019

Veremos do que esse novo Packers é feito logo de cara, com os Bears no Soldier Field e os Vikings em casa. Ter que pegar a boa AFC West é uma tristeza, que pode ser um pouco amaciada com os duelos com a NFC East, a mais fraca da Conferência nos últimos anos. Acho que os Packers se beneficiam bastante de um começo com três jogos em casa seguidos, com os Eagles sendo o maior desafio, sendo que os primeiros passos dessa nova ideia podem ser um pouco turbulentos.

Depois de pegar Chiefs e Chargers fora, em sequência e ainda os Panthers antes do bye, os Packers podem sonhar com playoffs até se estiverem 6-4, já que depois enfrentam os Giants fora, Washington em casa e três confrontos diretos na divisão. É uma tabela que permite que os Packers sonhem. Mas eu realmente acho que este ainda não é o ano de grandes voos.

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