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Prévia Cleveland Browns 2019: de motivo de risos ao hype, time tenta confirmar status

Cleveland Browns

Ei, nós do Quinto Quarto somos todos bem-humorados, palhaços, engraçadões (pelo menos achamos isso). Enfim, como vocês quiserem nos classificar neste sentido. Mas tem hora que é preciso falar sério. Não é piada. O Cleveland Browns é um dos candidatos ao Super Bowl LIV.

(Peraí, engasguei aqui e vou pegar um copo d’água).

Enfim, eu li e reli e foi difícil acreditar no que acabei de escrever. Normal para quem acompanha a NFL há uns bons anos e precisa olhar no Pro Football Reference para encontrar a última campanha positiva dos Browns (um 10-6 em 2007).

E que precisa consultar papiros para encontrar a última vez que a franquia foi campeã de sua divisão (em 1989, quando um 9-6-1 deixou o time no topo da hoje inexistente AFC Central e isso anos antes de os Browns encerrarem suas atividades e voltarem à liga em 1999).

Categoria: Pensam em Miami em fevereiro (e não é para férias)
Campanha em 2018: 7-8-1
Projeção para 2019: 10-6
O que me faz sorrir: a equação Baker Mayfield + Odell Beckham + Jarvis Landry
O que me faz ter calafrios: Freddie Kitchens como head coach

O hype em torno do Cleveland Browns de 2019 é real. Um time cuja torcida tem sido motivo de chacota há anos agora é um competidor de fato. Agora, se isso vai se provar em campo são outros quinhentos.

Os Browns foram os responsáveis pela maior contratação de toda esta última offseason (sorry, Antonio Brown e Oakland Raiders), quando Odell Beckham Jr. chegou em troca com o New York Giants. E a equipe ainda tem outros talentos ofensivos para complementar o ataque liderado pelo talentoso Baker Mayfield.

E isso sem falar que o elenco tem uma linha defensiva capaz até de causar medo em Lorraine Warren (aquela investigadora paranormal que foi personagem central na franquia Invocação do Mal).

Mas nem tudo são flores. Freddie Kitchens é o novo head coach e sua experiência na NFL é um tanto quanto limitada. Na liga, ele basicamente foi treinador de tight ends, running backs e quarterbacks antes de assumir interinamente como coordenador ofensivo na reta final da temporada 2018, após as demissões de Hue Jackson e Todd Haley, e chamar jogadas ofensivas pela primeira vez.

Kitchens é uma incógnita e ainda precisa se provar na cozinha (a piada foi péssima). Mas, se depender da melhoria do ataque dos Browns na segunda metade da temporada passada e do final de campanha 5-3, os apoiadores em Cleveland têm motivos para dar um sorriso (leve, por enquanto).

O que me faz salivar (mais do que bolo de chocolate)

Basicamente, como eu já adiantei, o ataque todo e a linha defensiva. Vamos por partes.

Baker Mayfield foi simplesmente espetacular em sua temporada de calouro. E vamos culpar Hue Jackson por ele não ter tido números ainda melhores (deixá-lo começar a temporada como reserva de Tyrod Taylor é uma das decisões mais imbecis que eu já vi…)

Foram 63,8% dos passes completados para 3.725 jardas, 27 touchdowns (recorde para um calouro) e 14 interceptações. Passer rating de 93.7 digno de respeito para um jovem.

E, agora, Mayfield entra em seu segundo ano com um ataque mais recheado de talentos que o The Voice Brasil.

No corpo de wide receivers, chegou Odell Beckham, que tem apenas 26 anos e é um dos três melhores wide receivers da NFL na atualidade quando não se machuca e/ou perde tempo com bobagens extracampo. Essa cartada foi monstruosa, sr. John Dorsey!

Ainda temos Jarvis Landry como WR número 2 e ele tem um grande entrosamento com Odell, também pelo fato de ambos serem de LSU. E Antonio Callaway corre por fora e também é ótimo.

No backfield ofensivo, temos o explosivo running back Nick Chubb, que também impressionou como calouro em 2018 e correu para 996 jardas e oito touchdowns, além de ter feito mais duas recepções para TD.

O bom Duke Johnson teve seu pedido atendido e foi trocado com o Houston Texans (para não conturbar ainda mais o ambiente), mas ainda teremos Kareem Hunt. Foi uma contratação polêmica, depois de ser dispensado pelo KC Chiefs por agredir uma mulher, e ele só poderá jogar após cumprir suspensão de oito jogos. Mas, se tiver a cabeça no lugar, é ótimo.

Ainda temos os tight ends David Njoku e Demetrius Harris. Enfim, um ataque que promete. Muito.

E a linha defensiva? Gente, se eu tivesse metade dessa linha no meu New Orleans Saints, eu já estaria comprando minha passagem para Miami. Ah é, falta dinheiro no bolso também (rs).

Olivier Vernon chegou em troca com o NY Giants e chega para complementar Myles Garrett, que é um dos melhores pass rushers de toda a NFL e vem de um 2018 com 13,5. O céu é o limite para ele.

Para o miolo da DL, chegou Sheldon Richardson, que é bom tanto na contenção do jogo terrestre quanto no pass rush, e ele vai complementar Larry Ogunjobi, este melhor para defender contra a corrida.

Baker Mayfield, quarterback calouro do Cleveland Browns

(Crédito: Twitter/reprodução)

O que me deixa com nojo (mais do que a mão do Joachim Löw)

Já falei demais de Freddie Kitchens. Agora chegou o momento de destacar um pouco a linha ofensiva.

A diretoria trocou Kevin Zeitler com os Giants (para trazer Vernon) e perdeu um dos melhores guards da NFL. Isso me cheira mal.

Contudo, ainda há o segundo anista Austin Corbett, Joe Bitonio e o center J.C. Tretter para o meio da OL.

E nas pontas? Aí a coisa fica feia.

Greg Robinson aparece como left tackle titular e muitos sabem que o jogador selecionado pelos Rams com a segunda escolha geral em 2014 foi um verdadeiro fracasso até agora na liga. Resta levantar as mãos para o céu.

Os special teams também são uma incógnita, ainda mais na posição de kicker, que nunca mais foi a mesma desde a saída do excelente (e recém-aposentado) Phil Dawson. Greg Joseph e Austin Seibert competem agora para ver quem será o chutador titular.

Bem, mas para voltar um pouco à inexperiência de Kitchens, eu quero (mais do que ver ele comandando o time em campo) é conferir como ele vai dosar essas personalidades fortes (leia-se OBJ, Mayfield e Hunt) no vestiário.

Talvez ele possa ligar para seu ex-chefe Hue Jackson para pedir umas dicas. AGORA SIM, UMA PIADA BOA!

Para me amar ou me xingar (o porquê da minha projeção para a temporada)

Olhando para a tabela dos Browns, a tabela começa com três jogos viáveis nas primeiras quatro semanas (Tennessee Titans, New York Jets e Baltimore Ravens nas semanas 1, 2 e 4) e um difícil bagarai na semana 3 (Los Angeles Rams).

No restante do ano, há adversários em reformulação tais como San Francisco 49ers, Denver Broncos, Buffalo Bills, Miami Dolphins, Arizona Cardinals e Cincinnati Bengals. Todos jogos passíveis de vencer.

E algumas pedreiras também estão reservadas. Além dos Ravens, sempre rivais chatos, há o Seattle Seahawks (semana 6) New England Patriots (na semana 8) e o Pittsburgh Steelers (semanas 11 e 13).

Mas, no final das contas, acho um 10-6 totalmente plausível.

Que comecem as apostas!

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