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Prévia Chicago Bears 2017: meio pé na reconstrução, um bom RB e uma tabela de doer

Prévia Chicago Bears

O Chicago Bears está em um território curioso. Obviamente o time está em reconstrução, depois da era Cutler ter anos finais horrorosos e a equipe não ter se recuperado, no quesito defesa, da aposentadoria de seus ídolos dos anos 2000/começo dos anos 2010. Só que nesse processo difícil, a equipe não goza do mesmo prestígio que o Cleveland Browns, por exemplo.

John Fox não parece ter grandes fãs em Illinois. O mundo da NFL acompanhou a estranhíssima sequência Mike Glennon ganha contrato de três anos, 45 milhões —> time paga os olhos da cara e sobe no Draft para escolher Mitch Trubisky, que ninguém esperava que fosse escolhido na segunda posição. E, mesmo com algumas peças boas, não há nenhum jogador que encha os olhos do torcedor. E pior: a tabela é uma desgraça.

Por essas e outras, o Chicago Bears está na categoria “quanto falta para a temporada 2018 mesmo?”

Categoria: quanto falta para a temporada 2018 mesmo?

Desempenho em 2016: 3-13

Previsão nada científica para 2017: 4-12

Linha de Las Vegas (você pode apostar em mais ou menos vitórias que o número a seguir): 5,5

Jogadores de Pro Bowl em 2017: Jordan Howard e Josh Sitton

Quem pode se juntar a essa lista: Akiem Hicks

Trubisky teve bons momentos nos jogos de pré-temporada, mas analisar muito a fundo isso, assim como fumbles em treinos, é uma completa perda de tempo. Aliás, se o quarterback da universidade de North Carolina tiver uma boa carreira, poucos vão lembrar em 2025 que os Bears abriram mão de duas escolhas de terceira rodada e uma de quarta para ter o jogador. É estranho ter feito o que fez no Draft? Claro que é. Mas aqui vale esperar.

E vamos ter que esperar de qualquer jeito porque Mike Glennon e seu cabelo ruivo escasso vão encher a tela dos fãs dos Bears nas primeiras semanas. O quarterback teve 13 jogos como titular em sua temporada de calouro no Tampa Bay Buccaneers, na esquecível draga pré-Jameis Winston. Em 2016, ele passou a bola 11 vezes e em 2015 nenhuma. Ou seja, não temos muitas provas de que ele pode ser um QB titular em 2017 na NFL.

Então o que faz ele ser titular para o general manager Ryan Pace e John Fox? Trubisky foi titular apenas em sua última temporada na universidade, jogando apenas 13 jogos como líder indiscutível do ataque. Todo o mundo sabe que ele é verde e tem que aprender uma série de fundamentos e se adaptar à velocidade do jogo. Por isso, Glennon, que teve bons passes no 3º jogo da pré-temporada, contra os titulares do Tennessee Titans, vai ter a primeira oportunidade no comando.

Homegrown. ? #VarsityBears

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Isso vai durar muito? Eu não acho. Primeiro porque a cada passe errado, a torcida vai pedir o calouro. Segundo porque o cargo e o traseiro de Fox estão na reta e o de Pace está virando a curva do Café. E eles não vão ser enterrados junto com um quarterback que não empolga ninguém e deixar a segunda escolha do Draft no banco. Na dúvida, a torcida sempre vai preferir a esperança, não a “segurança”.

Qualquer que seja o QB, ele não vai chegar em uma situação depressiva. Ok, os recebedores são ruins. Alshon Jeffery foi embora para a Philadelphia. Kevin White, sétima escolha no Draft de 2015, participou de quatro jogos desde o dia que foi escolhido. Cameron Meredith, que poderia ser uma peça interessante, quase teve seu joelho saindo da perna no jogo contra os Titans e deve ficar fora da temporada.

O time trouxe Markus Wheaton e Victor Cruz dos Steelers e Giants, respectivamente, mas ambos também têm históricos de lesões preocupantes e saem de situações com quarterbacks estabelecidos e ataques que exploravam melhor seus dotes.

Então volto para uma declaração minha, de cinco linhas acima:

Qualquer que seja o QB, ele não vai chegar em uma situação depressiva

Por que raios eu disse isso? Porque a linha ofensiva é boa. Especialmente o interior dela, com o guard Josh Sitton, o Pro Bowler Kyle Long e o center Cody Whitehair. Os tackles (Charles Leno Jr. e Bobby Massie) não inspiram tanta confiança, mas a equipe pode usar os seus tight ends para ajudar nos bloqueios. Zach Miller ainda é de ajuda no ataque aéreo recebendo bolas.

E com uma linha ofensiva boa, Jordan Howard pode dar seu show. O ano de 2016 teve Ezekiel Elliott concentrando toda a graça e atenção da liga dedicada a running backs calouros. Mas Howard teve 1.313 jardas corridas e melhor média por carregada (5,2) que seu contemporâneo de Dallas. Isso vai continuar em 2017? Não tem porque não continuar. Já te disse como é a situação dos quarterbacks em Chicago?

Prévia Chicago Bears: VOLTA URLACHER, PEPPERS, BRIGGS, TILLMAN

O site ‘Setting the Edge' bota fé nos Bears por uma estatística que é bastante pertinente: times que perdem muitos jogos por diferenças pequenas, conseguem no ano seguinte voltar à média e melhorar de rendimento. Você deve estar pensando “grande merd&%$”, mas ela se aplica para vários times nos últimos anos e eu recomendo que você observe a teoria.

Eu acho que esse time pode ganhar mais de três jogos, que foi o desempenho em 2016, mas não acho que um time que tem um ataque duvidoso e uma defesa que não só não foi boa como ainda se reforçou pode ganhar mais de seis jogos, como o site sugere.

O ‘Pro Football Focus' – site de estatística que faz os números usados no meio do nosso futebol parecer matemática do terceiro ano do fundamental – coloca o front seven dos Bears como o quinto pior da liga e a secundária como a terceira pior.

E pode ter certeza que não é perseguição de um torcedor dos Packers no PFF. Jerrell Freeman teve uma ótima temporada de estreia em Chicago, mas ele já tem 31 anos. Danny Trevathan, que chegou junto com Freeman, teve uma lesão séria no tendão patelar em 2016 e pode voltar à ativa um passo atrás na questão física. Akiem Hicks tem tudo para ser o melhor jogador da defesa dos Bears novamente, mas sua companhia na linha é duvidosa: Eddie Goldman jogou apenas cinco partidas na temporada passada. Jonathan Bullard, draftado em 2016, não foi bem como calouro.

Leonard Floyd e Pernell McPhee completam o front seven e têm capacidade de chegar no QB rival, mas o primeiro teve uma série de lesões em seu primeiro ano e o segundo parece ter um problema crônico no joelho, não rendendo o que produziu em Baltimore em seus dois anos nos Bears. Willie Young, outside linebacker, teve 7,5 sacks em 2016, mas com 32 anos, é outro cuja idade pode começar a pesar.

A secundária é ainda pior. Prince Amukamara está em seu terceiro time em três anos, o safety Adrian Amos cedeu um rating de 127,9 para QBs rivais quando eles lançam passes para sua cobertura e Quintin Demps, que chega de Houston, foi bem em 2016, mas também é uma solução temporária, já que tem 32 anos. Kyle Fuller volta de lesão no joelho que o tirou de todo ano de 2016.

Ou seja, há uma certa dose de talento. Mas há uma gigantesca porção de lesões, jogadores na casa dos 30 anos, falta de geração de turnovers (quarto pior gerando fumbles por snap e quinto pior em interceptações por snap) e nenhuma superestrela com produção grande ou então possibilidade de abrir buracos para terceiros. Isso é receita para quê?

Prévia Chicago Bears: tabela

Chicago Bears tabela

É receita para uma demissão antes mesmo do bye. Olha a tabela dos Bears até a semana 9 e me diz quantos jogos o time vai ganhar. Ele com certeza é azarão em todos e pode perfeitamente chegar 1-7 até o bye. Para resumir, os Bears são o pior time de uma divisão chata e vão encarar a provável melhor divisão da NFL (NFC South) e a boa AFC North. Contra San Francisco e Cleveland em casa, o time pode ganhar seus jogos, mas será que isso é bom? Ambos são concorrentes diretos pela primeira posição do Draft.

Ou seja, na tradicional aposta “qual será o primeiro treinador demitido”, John Fox deveria ser o favorito. Mas, surpreendentemente, Todd Bowles e Hue Jackson estão à frente para Las Vegas. Não entendo isso, porque Bowles teve uma boa temporada pelos Jets (2015), pelo menos, e a culpa de o time ser horrível nesse ano não será dele e sim da direção, que nem se preocupou em disfarçar o tank. Já Jackson está com moral em Cleveland, com uma direção que gosta dele e que está implantando uma mudança de cultura aos poucos.

O Chicago Bears não parece 100% no modo tank, algo que sempre é ruim, já que o time não é bom mas ainda pode ganhar jogos inúteis que só dificultam a captação de talento via Draft. E caso Trubisky não vá para a frente, errar uma segunda escolha de Draft é como ganhar uma loteria e perder o bilhete no metrô. Olhando pelo lado bom, o torcedor dos Bears não vai mais ver Jay Cutler com cara de bunda e uniforme do time.

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