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Prévia Carolina Panthers 2017: após ano desastroso, time tenta se livrar do ‘Newton-centrismo’

Carolina Panthers

Quando você fala em uma tal de ressaca pós-derrota no Super Bowl para o vice-campeão da última temporada, é sempre a mesma historinha para boi dormir: “ah, isso já é passado. Vamos pensar agora neste próximo campeonato”. E por aí vai. É a versão americana para o papo do boleiro brasileiro de “levantar a cabeça, fazer o que o professor mandar e buscar os três pontos”.

Se existe ou não essa ressaca não sabemos provar. Mas se ela existe mesmo, o que o Carolina Panthers sofreu na temporada 2016 da National Football League definitivamente foi isso.

Categoria: A melhor defesa é a defesa

Desempenho em 2016: 6-10

Previsão nada científica para 2017: 9-7

Linha de Las Vegas (você pode apostar em mais ou menos vitórias que o número a seguir): 8,5

Jogadores de Pro Bowl em 2017: Greg Olsen, Luke Kuechly, Thomas Davis e Mike Tolbert

Quem pode se juntar a essa lista: Cam Newton, Christian McCaffrey, Kelvin Benjamin e Mario Addison

Depois de uma temporada 2015 com campanha de 15 vitórias e uma derrota, com o time chegando ao Super Bowl 50 e perdendo o título para o Denver Broncos, a franquia da Carolina do Norte não foi nem sombra do potencial que tem no ano passado. Tanto o ataque quanto a defesa caíram brutalmente de produção.

Em 2015, o ataque potente dos Panthers foi o primeiro da liga em pontos (média de 31,3 por jogo) e o 11º melhor em jardas (média de 366,9 por partida). Já na temporada passada, foi apenas o 15º em pontos (23,1 por jogo) e o 19º em jardas (343,7 por partida).

O retrocesso da defesa foi ainda mais evidente. Após ser a sexta melhor da NFL em 2015 tanto em jardas (322,9 cedidas por partida) quanto em pontos (19,3 sofridos por jogo), a defesa de Carolina em 2016 foi apenas a 21ª da liga em jardas (359,8 por jogo) e a sétima pior em pontos sofridos (25,1 por jogo).

Some isso a um Cam Newton que tomou pancada igual mulher de malandro e teve a pior temporada de sua carreira profissional, um ano depois de faturar o prêmio de MVP da NFL. O próprio camisa 1 chamou a temporada 2016 2.

Newton teve um 6-10 em sua primeira temporada na NFL, em 2011, e no ano passado. E, com total certeza, ele não quer repetir isso. Mas como ele estará neste ano após sua cirurgia no ombro realizada na offseason?

Prévia Carolina Panthers: mais armas para Newton e mudança de mentalidade ofensiva

Sim, a dúvida sobre Cam Newton segue. Ele atuou em apenas uma série ofensiva na pré-temporada, depois de passar por uma cirurgia no manguito rotador em março, e ainda não foi visto realmente atuando em um jogo. É aí que mora o perigo.

Cam Newton para Prévia Carolina Panthers 2017

(Crédito: Instagram/reprodução)

Em 2016, Newton simplesmente não encontrou seu jogo e os números mostram um pouco disso. Ele completou 52,9% de seus passes (pior marca da carreira) para 3.509 jardas, 19 touchdowns (segunda pior marca da carreira, empatado com 2012) e 14 interceptações (segunda pior marca da carreira). Conhecido também por sua mobilidade atlética, o signal caller correu 90 vezes para 359 jardas (média de quatro jardas por corrida) e cinco touchdowns, todos números os piores da carreira profissional.

Cam então prometeu que não vai ter um fiasco desse tipo novamente e tomou atitudes para promover uma mudança intensa nesta offseason, diminuindo seu peso e adotando uma preparação física ainda mais rígida.

Mas a queda de desempenho ofensivo de maneira brutal no ano passado foi, em grande parte, devido ao peso colocado em cima de Newton para ser o playmaker e resolver a parada. Essa foi a Lei de Newton por lá. E aí foi inevitável ele ter ficado frustrado (já veio a imagem dele com a maldita toalha na cabeça, não é mesmo?).

E é isso que o técnico Ron Rivera quer abolir: o que eu chamei no título de Newton-centrismo.

Para colocar a missão em prática e evitar que o camisa 1 tome contato jogada sim, jogada não (e reclame publicamente de não estar sendo tratado igual aos outros quarterbacks), o Carolina Panthers resolveu injetar algumas peças nesse ataque.

Com os dois ‘Cs’ que chegaram, tudo deve feder mais para os adversários (tá, essa foi péssima). Christian McCaffrey e Curtis Samuel foram escolhidos pela equipe nas duas primeiras rodadas do draft e devem contribuir para adicionar toda uma nova dimensão ao ataque.

Oitavo selecionado no draft, McCaffrey vem de Stanford e é um running back que chega para ajudar no jogo terrestre e no jogo aéreo. O camisa 22 já demonstrou sua versatilidade e agilidade na pré-temporada, conseguindo fazer defensores perderem tackles. E ele deve ser usado por Newton como uma Honda CG é usada por um entregador de pizza.

Já Curtis Samuel, que vem de Ohio State e saiu na segunda rodada do draft, é um wide receiver com habilidades de running back. Um híbrido em um mundo atual que clama por polivalência. Em 2016, no futebol americano universitário, ele saiu do slot em 425 oportunidades e do backfield em outras 220. Quer mais? Esse aí é outro para deixar Newton com orgasmos só de pensar.

Não podemos nos esquecer de Kelvin Benjamin. Após uma temporada 2015 perdida por uma ruptura no ligamento cruzado anterior, o wide receiver voltou bem no ano passado, mesmo com altos e baixos, e somou 63 recepções para 941 jardas e sete touchdowns. O jovem Devin Funchess, que está entrando em sua terceira temporada na liga, também tem a chance de se firmar como um bom wide receiver número 2.

Também é necessário frisar que as velhas peças ainda estão lá. O tight end Greg Olsen, um verdadeiro Deus nesse ataque, recebeu um agradinho do novo general manager Marty Hurney (que entrou no lugar do demitido Dave Gettleman) e continuará sendo um dos alvos favoritos de Cam Newton, depois de produzir mais de 1.000 jardas recebidas nos últimos três anos.

Quem também segue é o running back Jonathan Stewart, que está entrando em sua décima temporada com os Panthers. Entrando na temida faixa dos 30 anos para running backs, ele não demonstra grandes sinais de cansaço e correu 218 vezes para 824 jardas e nove touchdowns no ano passado.

E a linha ofensiva?

O filho de Sandra Bullock (ops)… Michael Oher não está mais nos Panthers. Depois de ficar afastado do time desde 2016, quando disputou apenas três jogos, devido a uma concussão, o offensive tackle foi dispensado nesta offseason. Agora, a posição de left tackle titular é de Matt Kalil.

Após defender o Minnesota Vikings em suas primeiras cinco temporadas na liga, Kalil recebeu um caminhão de dinheiro dos Panthers na free agency, mesmo depois de atuar em apenas dois jogos no ano passado por causa de um problema no quadril. Se os US$ 55 milhões investidos nele vão se pagar, só o tempo dirá, mas bota investimento arriscado nisso.

E, curiosamente, ele vai atuar na mesma linha ofensiva que seu irmão Ryan Kalil, center titular dos Panthers.

O setor ainda conta com outros bons nomes como o guard Trai Turner, que recebeu extensão de contrato nesta offseason, e o tackle Daryl Williams. O calouro Taylor Moton foi escolhido na segunda rodada e é um tackle que também pode surpreender em sua temporada inicial.

Prévia Carolina Panthers: front seven sexy e a secundária dá pro gasto

Mesmo com o retrocesso na temporada passada, a defesa do Carolina Panthers é cheia de talento e é nesse setor, mais até do que no ataque, que a franquia aposta. Porém, se a secundária não é aquela mulher de parar o trânsito, o front seven é a Paolla Oliveira publicando foto de biquíni no Instagram.

Sobram peças talentosas e não sei nem por onde começar. Bem, então vamos pela linha defensiva. Nas pontas, os edge rushers prometem pressionar muito os quarterbacks adversários. Charles Johnson vem de um 2016 com quatro sacks, mas ele é um defensive end que teve 11 ou mais sacks em três de suas 10 temporadas como profissional. Do outro lado, Mario Addison vem de seu melhor ano na NFL, com 9,5 sacks.

Vale ressaltar que, segundo o site especializado Pro Football Focus, ambos ficaram no top 10 da liga no ano passado em produtividade no pass rush entre defensive ends de um sistema de defesa 4-3.

Os Panthers ainda trouxeram um velho conhecido da torcida nesta offseason e contrataram Julius Peppers, selecionado pelo time no draft de 2002, mas que jogou nas últimas sete temporadas no Chicago Bears e no Green Bay Packers. Sim, ele está com 37 anos, mas ninguém parecer ter contado isso para ele.

Nas últimas três temporadas com os Packers, Peppers fez sete, 10,5 e 7,5 sacks, de 2014 a 2016. Ele chega para ser um jogador de rotação, mas um pass rusher que tem 143,5 sacks em sua carreira profissional pode MESMO adicionar pimenta à defesa (com perdão do trocadilho).

O meio da linha defensiva conta com o talentosíssimo Kawann Short, que soma 17 sacks nos últimos dois anos, mesmo sendo um jogador de interior de DL, e Star Lotutelei.

Luke Kuechly, linebacker do Carolina Panthers

(Crédito: Instagram/reprodução)

O torcedor dos Panthers tem ainda mais motivos para salivar ao falar de seus linebackers. O middle linebacker Luke Kuechly é um dos melhores defensores de toda a NFL e está recuperado da concussão que o deixou de fora de alguns jogos no ano passado.

Desde que entrou na liga, ao ser selecionado na primeira rodada do draft de 2012, Kuechly tem sido uma máquina de tackles, somando 693 combinados em 71 jogos de temporadas regulares. O camisa 59 também tem 12 interceptações, 43 passes desviados, nove sacks e quatro fumbles forçados.

Ao lado dele ainda tem o experiente Thomas Davis, que está entrando em sua 13ª temporada na liga, todas com os Panthers, e acaba de assinar uma extensão contratual. Davis tem 939 tackles combinados na carreira, além de 13 interceptações, 25,5 sacks e 18 fumbles forçados. Um androide mesmo aos 34 anos. O jovem Shaq Thompson completa o trio de titulares e ele promete seguir crescendo de produção.

O que preocupa um pouco no corpo de linebackers diz respeito aos reservas, em sua maioria bem jovens e com poucos anos de experiência na liga.

Na hora de falar na secundária, as coisas não são tão saborosas. Mas, calma. Há bons nomes.

A começar por James Bradberry. Selecionado na segunda rodada do draft de 2016, o cornerback jogou bastante em sua temporada de calouro, sendo titular desde o primeiro dia, e fez duas interceptações, além de ter desviado 10 passes. Mas uma estatística interessante trazida pelo Pro Football Focus é que ele não cedeu uma recepção sequer maior do que 31 jardas durante toda a temporada passada.

Quem também entra em seu segundo ano é Daryl Worley, outro cornerback projetado para ser titular. Nos últimos nove jogos de 2016, ele defendeu seis passes e não cedeu nenhum touchdown, estando assim em uma fase crescente.

A grande contratação para a secundária é o safety Mike Adams. Experiente, ele está entrando em sua 14ª temporada na NFL e é um bom nome para orientar os mais jovens. Adams teve uma temporada sólida com o Indianapolis Colts no ano passado.

Quem está de volta aos Panthers é o cornerback Captain Munnerlyn (adoro esse nome), que jogou na Carolina do Norte de 2009 a 2013 e defendeu o Minnesota Vikings nos últimos três anos. O safety Kurt Coleman também continua na equipe e é outro nome importante.

Chegaram os calouros Corn Elder, Demetrious Cox e Cole Luke, e será interessante ver que espaço eles terão em uma secundária que não está entre as melhores da liga entrando no campeonato.

Prévia Carolina Panthers: tabela

Tabela Carolina Panthers para temporada 2017

(Crédito: reprodução)

O time tem um início até bem ‘generoso’ de campeonato, abrindo fora de casa contra um frágil San Francisco 49ers e depois tendo dois jogos em casa, contra o Buffalo Bills e o rival de divisão New Orleans Saints. É possível começar com 3-0 ou 2-1 se os Saints aprontarem. Na semana 4 é a vez do New England Patriots fora de casa, o que todos os times devem contabilizar como derrota em 2017, e na semana 5 o adversário é o Detroit Lions, que no Ford Field é osso duro de roer.

Antes do bye, na semana 11, os Panthers ainda pegam Philadelphia Eagles (casa), Chicago Bears e Tampa Bay Buccaneers (fora) e Atlanta Falcons e Miami Dolphins (casa). Uma sequência chatinha, mas nada de tirar o sono, exceto pelo Falcons.

Nas últimas seis semanas, New York Jets e New Orleans Saints (fora de casa), Minnesota Vikings, Green Bay Packers e Tampa Bay Buccaneers (casa), e fecha fora de casa contra o Atlanta Falcons.

Meu palpite foi 9-7, mas dá sim para pensar em um 10-6. Se você me perguntar sobre 11-5, eu realmente acho uma previsão um tanto quanto otimista demais, mas se esse ataque encaixar como pode encaixar e com essa defesa… quem sabe.

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