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Caminho dos Patriots até o Super Bowl LIII: temporada difícil, Josh Gordon e modo turbo

brady new england patriots

Continuando nos nossos posts especiais para fazer um esquenta não-alcóolico para o Super Bowl LIII, agora vamos falar da trajetória do New England Patriots até a grande decisão. Um dia depois de falarmos sobre como os Rams não chegavam aqui há 17 anos, vamos nos debruçar sobre um time que está pela terceira vez seguida e quarta vez em cinco anos na final.

Mas você, torcedor dos Pats, pode admitir, estamos entre amigos. Você não esperava uma temporada assim depois de uma offseason difícil e um começo/meio de temporada feio.

Para começar, o coordenador defensivo Matt Patricia saiu para ser head coach. E era esperado que Josh McDaniels também tomasse outro rumo, mas ele preferiu ser o Serginho Mallandro americano (compre nossa camiseta, aliás).

Segundo, o time perdeu o Super Bowl, viu Danny Amendola, Dion Lewis, Nate Solder e Malcolm Butler saírem, surgiram mais críticas ao modo militar que Bill Belichick impõe e uma troca por Rob Gronkowski não saiu porque o jogador ameaçou se aposentar caso fosse mandado para os Lions.

Pelo menos o time teve duas seleções de primeira rodada. Mas Isaiah Wynn se machucou e ficou fora da temporada e Sony Michel também começou no estaleiro.

E com tudo isso, colocamos os Patriots com uma campanha de 12-4 nas prévias, porque eles operam com todos esses fatores por anos. Jogadores chegam e vão, criticam Belichick por não tirar o escorpião do bolso, atletas se lesionam e mesmo assim uma escolha de 5ª rodada da pqp chega, joga e o time vai longe.

Depois de uma vitória na estreia contra os Texans, o time foi péssimo contra um Jacksonville Jaguars que logo implodiria e perdeu de forma vergonhosa para os Lions de Patricia. A franquia não perdia jogos seguidos por diferença de 10 pontos ou mais desde 2002.

Mas, como sempre, a poeira assentou e a equipe venceu seis seguidas. Tom Brady não estava jogando no mesmo nível que na temporada anterior, que garantiu mais um MVP, mas a defesa melhorou bastante, especialmente na secundária. E o ataque correspondeu em jogos de grande pontuação, batendo a sensação Kansas City Chiefs por 43 a 40 e os temidos Bears, no Soldier Field, por 38 a 31.

Josh Gordon, que estreou na semana 4, aos poucos foi sendo integrado ao ataque. Sony Michel, que demorou a pegar no tranco, começou a se mostrar mais confortável fazendo dupla com James White no backfield. Entretanto, Julian Edelman e Rob Gronkowski pareciam estar com o freio de mão puxado.

Nova turbulência nos Patriots

Antes do bye, mais um susto: uma derrota para os Titans, sofrendo 17 pontos só no primeiro quarto. Depois do descanso, uma vitória contra o saco de pancadas Jets e um bom triunfo contra os Vikings, limitando Kirk Cousins e companhia a apenas 10 pontos. Só que na semana 14, com 9-3 na classificação, o time viajou até Miami e mais uma vez foi vítima dos Dolphins. E dessa vez de forma dolorida, com uma jogada de high school com o cronômetro zerado, dois passes laterais e um touchdown de Kenyan Drake que ainda expôs Gronk ao ridículo, já que ele catou cavaco sozinho tentando pegar o running back.

Os Patriots em temporada regular sempre voam abaixo do radar, já que o time é meticuloso, poucas vezes brilha, mas sempre faz o trabalho, atropela os rivais de AFC East e chega com a melhor campanha da conferência ou segunda melhor campanha.

Mas apesar de ter feito basicamente tudo isso, algo não parecia estar nos conformes. Brady teve alguns jogos realmente ruins para seu padrão (contra Detroit, Buffalo e Tennessee fora), Edelman e Gronkowski claramente começaram um declínio e ainda teve o problema com Josh Gordon. O wide receiver não conseguiu se manter limpo e acabou afastado, logo quando ele já era importante para o plano de jogo do ataque.

Tudo parece ter explodido no jogo contra o Pittsburgh Steelers, contra quem os Patriots sempre tiveram uma relação de dominância, mas perderam por 17 a 10 em um jogo esquecível de todo mundo, inclusive Gordon, na que foi sua última partida. A equipe estava com 9-5 e perigando ter que jogar no wild card round pela primeira vez desde 2009. A sorte é que o Houston Texans não segurou a segunda posição e o time de Foxborough bateu Bills e Jets para encerrar a temporada. Foi um 11-5 doloroso.

Só que sempre tem um poço com mais água

Esse foi o cenário que fez todo mundo desconfiar que os Patriots já tinham descido um nível em relação ao ano passado e retrasado. O jogo contra o Los Angeles Chargers no divisional round era visto como parelho, já que Philip Rivers teve uma das melhores temporadas da carreira, o time era cheio de playmakers e venceu mais que os Pats na temporada regular (12-4).

Resultado: um 41 a 28 que mente, porque o passeio foi mais tranquilo que uma caminhada em uma praia segura às 6h da manhã. A defesa anulou Rivers e companhia e Brady fatiou os rivais, com Sony Michel encarregando-se de entrar na end zone sempre que possível. O turbo estava acionado.

Na final de conferência, o buraco seria mais embaixo: o provável MVP Patrick Mahomes e o Arrowhead Stadium, onde o time perdeu um de seus jogos mais brutais, na temporada 2014. Mas a dinastia não acabou ainda e o time pulou 14 a 0 à frente rapidamente e mesmo vendo Mahomes correr atrás e até passar à frente, Brady achou Edelman e Gronkowski em terceiras descidas vitais. Na prorrogação, vitória no cara ou coroa e apenas uma campanha finalizada por Rex Burkhead para chegar no Super Bowl LIII.

Não lembro se fizemos um texto assim na temporada passada, mas se eu fosse o autor terminaria com “os Patriots podem estar nos acréscimos e este é o último suspiro”. E aqui estão eles de novo. A temporada 2018 foi a mais difícil dos últimos anos, mas Brady, Julian Edelman e Rob Gronkowski chegaram saudáveis e elevaram o nível para os playoffs. Esta realmente pode ser a última dança deste time – é provável que Gronk se aposente – mas o time tem todas as condições de bater os mais novos e até mais talentosos Rams.

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