NFL

Patriots dispensam Antonio Brown e uma nuvem segue sobre a NFL

Antonio Brown, wide receiver do New England Patriots

O que já era esperado, cedo ou tarde, concretizou-se no final da tarde desta sexta-feira (20). O New England Patriots dispensou o wide receiver Antonio Brown, menos de duas semanas após contratá-lo.

“Nós apreciamos o trabalho árduo de muitas pessoas nos últimos 11 dias, mas achamos que é melhor seguir uma direção diferente neste momento”, afirmou a franquia de Foxborough, em nota oficial.

Brown, que participou do treinamento da equipe mais cedo nesta sexta, fez um tweet agradecendo à organização e ele foi publicado pouco antes de a dispensa ser confirmada. Ele durou apenas um jogo nos Pats, a vitória sobre o Miami Dolphins, no qual fez quatro recepções para 56 jardas e um TD.

A.B. está sendo acusado de agredir sexualmente sua ex-treinadora, Britney Taylor, segundo uma ação civil apresentada pelos advogados dela no dia 10 de setembro, no dia seguinte depois que o jogador assinou com os Pats. Jeff Darlington, da ‘ESPN’, apurou dias atrás que o WR se recusou a assinar um acordo de mais de US$ 2 milhões para resolver o caso.

Além disso, Brown está enfrentando mais uma acusação de má conduta sexual feita por uma artista que estava trabalhando na casa do jogador, na Pensilvânia, em 2017. A acusação foi parte de uma matéria completa publicada pela ‘Sports Illustrated’ que detalhou incidentes domésticos e outros problemas envolvendo Brown.

Na última quinta, os representantes legais da artista entraram em contato com a NFL depois que Brown, aparentemente, mandou mensagens descritas como ameaçadoras para a mulher.

Brown está sendo investigado pela NFL por esses incidentes.

E este é apenas mais um capítulo de casos assim envolvendo jogadores da NFL e a eterna política da liga e seus times de “vamos dar mais uma chance porque ele tem talento”.

O histórico recente é grande. Só para citar alguns casos de violência doméstica e afins envolvendo astros da NFL podemos mencionar: Ray Rice, Kareem Hunt e Tyreek Hill.

Rice, o único desses mencionados que não teve mais chance na liga, foi preso e acusado em 2014 devido a um incidente no qual ele foi flagrado por uma câmera de elevador agredindo sua noiva. O ‘TMZ’ soltou as imagens e o incidente fez a NFL mudar sua política para casos de violência doméstica. Rice não jogou mais futebol americano profissionalmente desde 2013, sua última temporada no Baltimore Ravens.

Mas essa mudança de política foi só no papel.

No ano passado, tivemos Kareem Hunt, que foi flagrado agredindo uma mulher em um caso ocorrido no começo de 2018 em um hotel. De novo o site ‘TMZ’ liberou o vídeo (como esses caras estão em todo lugar?) e o Kansas City Chiefs dispensou o running back.

Mas, em fevereiro de 2019, o Cleveland Browns deu uma segunda chance, mesmo sabendo da provável suspensão dele. Não deu outra. A NFL, sempre muito rígida (#sqn), baniu Hunt pelos primeiros oito jogos da temporada 2019.

E, no último de nossos exemplos, Tyreek Hill. O wide receiver do Kansas City Chiefs foi acusado de agredir seu filho pequeno, vazaram áudios de uma conversa do jogador com sua noiva, mas tudo ficou em aberto.

A NFL emitiu um comunicado em julho dizendo que Hill não seria suspenso, já que a investigação da liga não encontrou violações em relação à política de conduta pessoal, e Hill foi reintegrado.

Enfim, poderíamos mencionar mais casos. Mas é sempre a mesma história: vaza algo comprometedor contra um jogador, a investigação começa e uma das opções abaixo ocorre.

a) o jogador é dispensado pelo time X, recebe uma nova chance com o time Y, cumpre a suspensão imposta pela liga e segue jogando normalmente;

b) o time suspende o jogador momentaneamente e, na falta de evidências da investigação da NFL, ele é reintegrado;

c) o jogador é dispensado (como no caso de Antonio Brown), mas a menos que ele pegue prisão perpétua, a gente espera que ele voltará a ter uma chance na NFL.

O modo como ocorreu com Ray Rice é exceção. Infelizmente.

A NFL é uma liga em que protestar durante o hino dos EUA é mais absurdo do que agredir mulheres, crianças ou qualquer tipo de agressão sexual.

Pergunte a Colin Kaepernick se isso não é verdade…

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