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Opinião: relocação dos Chargers é vitória para os fãs da NFL, mesmo que não pareça

Los Angeles Chargers

Crédito: Instagram/reprodução

Por Miguel Amado

Em meio aos playoffs da NFL, a notícia da relocação dos Chargers, de San Diego para Los Angeles, não ganha todo o destaque que merecia, na minha opinião. Até porque os milagres de Aaron Rodgers são muito mais importantes que a estupidez de um dono.

A NFL tem muitos pontos positivos. Os jogos são sensacionais, os playoffs são um espetáculo, o Super Bowl é demais, a organização é de primeira e é a liga mais rica do mundo por todas essas razões. Mas a questão dos estádios é vergonhosa.

Com dinheiro saindo pelos poros, os donos de times têm que ser os únicos a colocar dinheiro nos estádios, com ajuda de governos municipais e estaduais no máximo para ajudar nos entornos ou algum auxílio secundário. Cada vez que dinheiro do orçamento público sai para um estádio de futebol americano, é uma derrota.

Aqui nós tivemos o mesmo com a Copa do Mundo e vimos em primeira mão como a racionalização de “melhora o bairro que o estádio está” ou “traz dinheiro para a cidade” não funciona.

Há algumas semanas, a população de San Diego rejeitou o aumento de um imposto para financiar o que seria um estádio dos Chargers. Por que por mais que a NFL seja rentável, os estádios passam de US$ 1,5 bilhão e só tem oito datas garantidas por ano, que é a temporada regular. E se o time for mal, a casa não fica cheia em San Diego. “Ah, mas os shows…” Quantas bandas/artistas usam um estádio de 70 mil pessoas para fazer um show? E todas elas fazem turnê todo ano? Todas elas passam por San Diego? Claro que não.

Stan Kroenke, dono do St. Louis Angeles Rams, mudou sua franquia do Missouri para Los Angeles com um estádio financiado em gigantesca parte apenas por seu bolso. E sua casa já garantiu hospedar os escritórios da NFL, vai receber os Chargers e a cidade tem uma infinidade de possibilidades como Copa do Mundo, jogos de futebol amistosos e mais possibilidades de shows. Ou seja, será rentável. E por isso ele financiou sozinho: porque ele tem dinheiro e na hora de ganhar, tudo vai para o bolso dele.

Quando os Rams se mudaram, eu fiz esta coluna 2 Ela por si só não é algo ruim e basicamente todas as franquias mudaram de cidade pelo menos uma vez. Só que a franquia de Kroenke tem uma história em Los Angeles (quase cinco décadas, 1946-1994), vai construir sua casa na medida de suas possibilidades e é a primeira a chegar.

Os Chargers são os segundos a chegar em uma cidade que mal aceitou o primeiro e que é conhecida por ser cheia de torcedores “modinhas”. Eles vão jogar em um estádio de 27 mil pessoas até a arena do primo rico ficar pronta e ainda tinham uma base em San Diego.

Há relocações e relocações e a dos Chargers foi um erro que tem meia dúzia para defender e milhões para criticar. A gestão Roger Goodell mais uma vez está recebendo toda a publicidade negativa possível e agora há mais uma cidade e um grupo de torcedores que tem uma opinião negativa sobre o produto.

Só que apesar disso, a longo prazo, passando por Goodell's e Spanos, há um ponto muito positivo nisso. San Diego mandou uma mensagem clara: “se você quer construir seu bilionário estádio, tira do seu bolso”.  Donos de times e políticos em busca de votos fáceis tem que ouvir, assim como a NFL. Atlanta (600 milhões de dinheiro público no novo estádio) e Minnesota (500 milhões) têm estádios sensacionais, mas vale a pena mesmo? Quando virá a ameaça por um novo estádio? O Georgia Dome tem apenas 24 anos e também recebeu caminhões de dinheiro público. Ele será derrubado em breve. Quanto tempo o Mercedes Benz Stadium durará antes de mais dinheiro ter que ser jogado em uma nova casa?

Por André Garda

Os Chargers não começaram bem a sua vida em Los Angeles. O time revelou o que eles chamaram de logo provisória depois do incidente e foram vaiados em pleno Staples Center em um jogo entre Clippers e Lakers, ambos times de LA. A grande crítica era que o símbolo é muito parecido com a de outras marcas, como a utilizada pelos Dodgers em seu boné.

Dean Spanos, presidente de operações de futebol americano, disse que isso servirá como um aprendizado e que, se os fãs saírem felizes com o resultado final, já vai ter isso uma vitória. Então equipe de marketing dos Chargers, que tal economizar uma grana e ainda alegrar os novos torcedores e até mesmo os que permaneceram como adeptos do time apesar da realocação?

Como fazer isso? É simples. Os especialistas apenas precisam colher informações sobre a cidade e a história da equipe e convocar os seus fãs para colaborarem na decisão de que elementos serão usados. Com isso, crie algumas opções e convoque os torcedores novamente ou escolha uma opção e faça uma pesquisa de mercado antes de desagradar o público. Dá certo? Sim, o Manchester City já fez isso.

Outra opção é fazer o que os Rams fizeram. Mantiveram o seu logo e não arriscaram muito. A última opção era apenas não inventar e só lançar algo mais concreto com muito mais pesquisa, em vez de ser imediatista e divulgar algo que gerou repercussão negativa.

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