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Opinião: futebolização da NFL e NBA com Warriors e Patriots como vítimas

Fonte: Instagram/reprodução

Estamos chegando ao final de um sensacional Australian Open de tênis. Sensacional especialmente porque favoritos caíram de forma surpreendente e nas semis masculinas temos Rafael Nadal de um lado da chave e do outro lado, Roger Federer. Ou seja, é como se fosse 2009. Em 2017.

Tá bom, eu sei que este não é um site de tênis, mas já chego a meu ponto.

No programa Pelas Quadras, da ‘ESPN’, Fernando Meligeni pediu para os fãs não caírem na mania de futebolizar o tênis. O que isso quer dizer? O que vemos nas redes sociais a todo momento: virar “team isso” ou “team aquilo”, e consequentemente anti-aquilo ou anti-isso. No caso do tênis, quem gosta de Federer teria que supostamente não gostar de Nadal. Até aí tudo bem. O problema é quando cai no desmerecimento ao espanhol e até insinuações nada insinuantes sobre o desempenho e a carreira dele.

Não sei se o Meligeni sabe que isso infelizmente não é um fenômeno só do tênis. E que isso obviamente é um lixo completo.

Na NFL, nós vemos isso também. Mais acentuadamente com relação ao New England Patriots, que é o time de maior sucesso nos últimos 20 anos, período do boom da liga no Brasil. Em um texto que fiz sobre Bill Belichick ser mais importante que Pep Guardiola, não foram poucas mensagem que falaram de Spygate e Deflategate. Tudo bem, são casos que impactam a carreira do treinador, mas se fossem manchas, elas se comparam a uma mancha de café na superfície do planeta Terra.

Belichick atropela seus rivais de forma quase sádica nos últimos 15 anos e o jogo que causou o Deflategate foi vencido por 45 a 7. Em uma final de conferência!! E o quarterback, que teria encomendado o “trabalho” de murchar as bolas, nem foi o responsável por essa sapatada e sim LeGarrette Blount e o jogo terrestre.

Seis finais de conferências seguidas, sete Super Bowls e uma possível quinta conquista são coisas que todos temos que valorizar, até quem é torcedor do New York Jets. É claro que você não precisa ficar feliz. É claro que você pode ser contra. Dizer que isso só é possível porque a AFC East é fraca, que Tom Brady é um quarterback de sistema, que Belichick rouba ou algo do tipo é pura estupidez, é negar a história sendo feita na sua cara.

Não importa que Tom Brady nunca tenha jogado com um treinador ruim e que ele não vai satisfazer seu desejo de Madden de jogar com uma OL fraca e com o playbook de Greg Schiano. Jogadores bons jogam a todo momento com treinadores bons e nem por isso ganham. Exemplo irrefutável: Dan Marino teve Don Shula. Brady passou sua vida ganhando em uma liga que penaliza times vencedores.

Na NBA é a mesma coisa. O Golden State Warriors não é o New England Patriots no quesito sucesso prolongado (ainda). Mas seu nível de basquete é algo que aparece de década em década. Não, Stephen Curry não é só um chutador de 3. Pode ser muito legal em alguns meios falar que ele não joga nem metade de Chris Paul, mas isso não quer dizer que seja verdade. Draymond Green pode ser odiável quando chuta as partes produtoras de filhos de pivôs neozelandeses, mas ele pode ser também um dos caras mais completos que já jogaram o esporte, defendendo alas e pivôs, pegando rebotes, organizando o ataque e ainda arremessando de três. Klay Thompson é um dos melhores arremessadores da história da NBA e você não vê ele exigindo a bola ou o holofote como uma criança mimada, algo que inúmeros jogadores nessa liga fizeram. Ele é basicamente o número 2 perfeito junto com Scottie Pippen.

E ainda chegou Kevin Durant para a brincadeira. Eu não gostei da transferência pensando pela liga. Mas meus olhos amam isso a cada jogo que vejo dos Warriors, mesmo não sendo torcedor. Quando a engrenagem encaixa, é o mais perto que um esporte se torna de arte. Se futebol americano é heavy metal, o basquete é jazz e os Warriors são Kind Of Blue do Miles Davis.  Você pode ser um torcedor do Cleveland Cavaliers e lembrar da virada de 3 a 1 para 4 a 3 como um adolescente nos anos 80 lembra de “Lagoa Azul” e Brooke Shields . Torcer para o Los Angeles Lakers. O Los Angeles Clippers. Você pode torcer contra os californianos por paixão a um terceiro. Mas negar o talento desse time é como negar que a terra gira. Você não é mais torcedor de seu time por fazer isso, só menos fã do esporte que você julga gostar.

Por um mundo menos “CHUPA”. Eu sei que todos nós já fizemos isso. Mas tem uma hora que a idiotice tem que parar.

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